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Avanços na tecnologia têxtil colocam a moda vegana em evidência

Por Shan Li / Tradução de Renata Cardamoni

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Quando Michael Jackson vestiu couro sintético plastificado em seu primeiro moonwalk, chamaram o tecido de “pleather”. Famoso por vestir estrelas e bandas do rock nos anos 1980 e 90, ele agora é um sucesso entre a nova geração.

Com a ajuda da ciência, novas peles falsas chegam ao mercado com um nome mais estiloso: couro vegan. Marcas de luxo, como Stella McCartney e Joseph Altuzarra, apresentam nas passarelas jaquetas e bolsas de couro vegan com preços altíssimos. Com isso, grandes lojas de departamento estão aumentando sua oferta do produto. No sul da Califórnia, EUA, onde os amantes dos animais em West Hollywood impulsionaram uma das primeiras proibições de vendas de peles, designers independentes atendem aos clientes que optam por uma moda livre de crueldade, sem exploração animal.

“Vegan é uma nova expressão que agora se tornou um lema para os empreendedores criarem novos negócios”, disse Ilse Metchek, presidente da California Fashion Assn (em tradução livre, Associação de Moda da Califórnia). “Há uma grande aceitação até em revistas de moda.”

A Macy’s, loja de departamentos nova-iorquina, aumentou sua variedade de produtos de couro vegan, informou Caprice Willard, vice-presidente regional de vestuário feminino. “As vendas têm crescido nos últimos anos, especialmente entre fashionistas californianos que podem usar couro durante todo o ano e são atraídos por novas fórmulas macias e suaves”.

“Até cinco anos atrás, nós tínhamos pouquíssimas opções. A vontade sempre esteve lá. Estamos apenas fazendo um trabalho melhor para encontrar fornecedores”, acrescentou Willard.

A demanda é especialmente forte entre os compradores da geração Y (nascidos após 1980). Analistas dizem que eles têm maior consciência ecológica, mas que, em contrapartida, cresceram sob a influência da fastfashion, em que o estilo supera a durabilidade. A popularidade de leggings e acessórios de couro tem estimulado o interesse em imitações acessíveis.

Couro sintético ainda costuma ser feito com revestimento plástico em tecido. Mas ao passo que a tecnologia têxtil evolui, as fábricas podem produzir materiais com aparência e caimento similar ao próprio couro, mas com uma maior variedade de cores e padrões.

Ao mesmo tempo, mais americanos estão aderindo ao veganismo ou vegetarianismo – cerca de 30 milhões de adultos, ou um oitavo da população acima de 18 anos de idade, de acordo com o Humane Research Council. Dois terços dos veganos ou vegetarianos dizem que proteger os animais é um grande fator motivador para a escolha de suas dietas – uma postura que está se estabelecendo para além do supermercado.

“As pessoas estão mais conscientes”, disse Leanne Hilgart, fundadora da Vaute Couture. “Depois da alimentação, vem à moda.”

Hilgart foi destaque em 2013 como a primeira designer de moda totalmente vegana a se apresentar na New York Fashion Week. Vaute (uma combinação de “vegan” e “haute”) é especializada em moda outerwear livre de couro, lã e todos os outros produtos de origem animal. Um casaco, que possui fibras recicladas e isolamento “explorador do Ártico”, custa 580 dólares.

As vendas cresceram 60% no ano passado em comparação com 2013 e os planos são de abrir lojas em Manhattan e Toronto este ano.

A riqueza de novas opções é um alívio para Sarah Robles, 23, uma “peixetariana” que come frutos do mar, mas não carne. Robles evita usar o couro por preocupação com o bem estar animal. Além disso, as opções de couro sintético tendem a ser mais baratas e exigem menos manutenção.

Segundo Robles, as peças de couro sintético estão ficando cada vez melhores. “Costumavam ser apenas imitações feias, mas agora eu tenho vários sapatos e bolsas bonitas que duram mais do que as minhas coisas de couro verdadeiro.”

Os varejistas dizem que ainda é preciso trabalhar para atrair compradores, que ainda associam couro sintético com baixa qualidade e a ‘feiúra’ do pleather de décadas passadas.

“Todos nós já tivemos a impressão de que parece sintético e brilhante e não veste bem”, ressalta Ana Hartl, diretora de criação da Free People, parte da Urban Outfitters Inc. “Eu me lembro daqueles pleather de poliuretano dos anos 90”.

Há alguns anos, a diretora afirma que começou a perceber que alguns tecidos de couro sintético de alta qualidade eram praticamente indistinguíveis do verdadeiro.

A Free People mais que dobrou suas ofertas veganas desde que estreou sua primeira coleção, em 2011. Nos últimos dois anos, a empresa também lançou sapatos e bolsas veganos. As vendas do segmento ultrapassam o couro em algumas categorias, incluindo jaquetas e coletes.

“As pessoas ficam chocadas ao saber que é vegano”, finaliza Hartl.

Couro vegan tem sido um sucesso para a Sole Society, uma varejista de Los Angeles conhecida por seus preços acessíveis.

A rede introduziu bolsas de couro vegano há um ano, que se mostraram bem populares entre os compradores, de acordo com o presidente-executivo Andy Solomon. Agora, cerca de metade de suas bolsas são feitas de couro vegan. A Sole Society espera aumentar esse número para 65% este ano.

“É um recurso de venda interessante”, disse Solomon. “As pessoas pensam antes de apertar o botão de compra.”

Com o termo “couro vegano”, fabricantes e varejistas têm tentado apagar a imagem de um consumidor endinheirado que pode ir atrás de produtos ecológicos e orgânicos.

Christina Sewell, coordenadora de moda no grupo dos direitos dos animais PETA (em tradução livre, Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais), disse que os consumidores tendem a “identificar veganos como uma classe um pouco mais elevada de pessoas que realmente se preocupam com o meio ambiente e os animais”.

“Queremos mostrar que ser livre de crueldade não significa vestir um saco de cânhamo na cabeça. Quer termo melhor do que vegano? Ao contrário de couro sintético, que soa como produto barato”, destaca Sewell.

A PETA já organizou, em agosto do ano passado, um evento pop-up com 20 designers veganos em seus escritórios, no Echo Park. O evento atraiu centenas de consumidores, e Sewell diz que a organização espera transformá-lo em um evento anual de compras.

Porém, trabalhar com tecidos veganos não é à prova de riscos.

Sarah Brannon, co-fundadora da marca James Payne, de Los Angeles, disse que a produção do (caríssimo) vestuário vegano da empresa é mais trabalhoso e complexo do que trabalhar couro verdadeiro.

“Tecidos vinílicos tendem a ter uma aderência inexistente no couro”, disse ela. Trabalhadores da fábrica no centro de Los Angeles, onde a roupa da empresa é feita, precisam colocar uma camada de papel encerado sobre o tecido antes de fazer as costuras, algo que o couro verdadeiro não exige. Os custos de material também são comparáveis ao couro.

Brannon, que fundou a empresa com seu ex-marido, Mikey Brannon, disse que eles começaram a marca James Payne em 2011 para cobrir um vazio no mercado de luxo, que muitas vezes utiliza peles e pelos de animais. Suas jaquetas de motocicleta chegam a custar 880 dólares. Eles planejam lançar versões sintéticas de camurça e também jaquetas personalizáveis que podem ser vendidas por até US$ 3.000.

“Quando lançamos o primeiro, as pessoas ficaram confusas. Elas perguntavam: ‘Porque você não usa couro? Mas quando você o vê e o toca, ele se parece e veste como o couro”, finaliza Mikey Brannon.

Fonte: LA Times 

Nota do Olhar Animal: Ótimo que a cada dia surjam mais opções de produtos isentos de matéria-prima de origem animal ou testados em animais. Obviamente que não existe o “peixetarianismo” citado na matéria, posto que não nascem em árvores (assim como delas não vêm os ovos e o leite). A senciência dos peixes é evidente. Vale a leitura do artigo Os peixes: uma sensibilidade fora do alcance do pescador, de Joan Dunayer. Vegetarianismo não tem nuances, exclui quaisquer produtos de origem animal. Leia sobre o tema no artigo O que é vegetarianismo, de Sérgio Greif.

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