Barreiras de contenção (em laranja) foram colocadas na tentativa de impedir que o petróleo se espalhasse em Rio Grande. Comando Ambiental da Brigada Militar / Divulgação

Aves são avistadas com manchas de óleo após vazamento em Rio Grande, RS

Duas garças e um biguá foram avistados com pequenas manchas de óleo nas penas após o vazamento ocorrido na última quarta-feira (13) no porto de Rio Grande, durante o abastecimento do navio grego Dimitris L. A bordo de embarcações, técnicos do Centro de Recuperação de Animais Marinhos (Cram) da Universidade Federal do Rio Grande (Furg) observaram as aves voando na quinta-feira (14), o que comprova o bom estado de saúde delas.

– A ave que não está bem não voa. Todos os animais que voam estão bem – diz o oceanólogo Lauro Barcellos, diretor do Cram.

Barcellos explica que aves de vida livre são de difícil captura, a não ser que estejam debilitadas. Tentar apanhar esses animais levemente afetados para observação lhes causaria um estresse desnecessário. A substância, segundo o especialista, deve desgrudar das penas naturalmente.

– Já acompanhei inúmeros derramamentos de petróleo no Brasil e no mundo. Estou acostumadíssimo. Temos uma equipe muito preparada. Sabemos o que fazer – garante o oceanólogo fundador do Cram, instituição atuante há 45 anos.

Fernando Estima, superintendente dos Portos RS, afirmou que o acidente é considerado grave, e as circunstâncias ainda precisam ser esclarecidas. No momento do vazamento de 2 mil a 3 mil litros de petróleo cru – a quantidade pode ser maior ou menor do que isso, ainda não se sabe –, as condições climáticas eram instáveis, com chuva e vento, o que se somou a um erro mecânico ou humano no momento do abastecimento. Os detalhes devem ser esclarecidos pelo inquérito da Marinha.

Barreiras de contenção no porto de Rio Grande. Comando Ambiental da Brigada Militar / Divulgação
Barreiras de contenção no porto de Rio Grande. Comando Ambiental da Brigada Militar / Divulgação

Avaliações iniciais indicam que os equipamentos estavam em boas condições, o que reforça, por enquanto, a tese de falha de funcionários envolvidos na operação. Por um problema da válvula em que se encaixa a mangueira de combustível ou devido à capacidade esgotada do tanque, que pode ter transbordado, o óleo escorreu pela lateral do navio, atingindo o canal. O Dimitris L, carregado com soja, tinha como destino a China.

Manchas do petróleo cru que vazou de navio grego no porto de Rio Grande. Comando Ambiental da Brigada Militar / Divulgação
Manchas do petróleo cru que vazou de navio grego no porto de Rio Grande. Comando Ambiental da Brigada Militar / Divulgação

O alerta foi dado às 23h de quarta, mas o derramamento pode ter ocorrido horas antes. Barreiras de contenção começaram a ser dispostas para tentar evitar ao máximo que o petróleo se espalhasse. Esponjas absorventes também tentam minimizar os danos. Um ponto positivo, segundo observadores, é que, por conta da maré, a mancha deve se dispersar pelo oceano, causando menos impacto.

Nesta sexta-feira (15), Estima relatou que equipes passaram a madrugada envolvidas no esforço de contenção do óleo. As barreiras estão sendo trocadas, e uma nova vistoria da área foi concluída.

Resultados positivos

A vistoria feita por órgãos ambientais na manhã desta sexta-feira apontou que a contenção do óleo que vazou durante operação no Porto de Rio Grande foi bem-sucedida. O problema havia sido identificado na última quarta-feira (13), durante o abastecimento do navio grego Dimitris L.

Conforme Estima, a contenção no entorno da embarcação funcionou bem e, mesmo com alguma dispersão de óleo, não foi avistada nenhuma mancha grande na região.

— Também não identificamos nenhum problema relacionado à fauna — disse.

Ainda nesta sexta está prevista a conclusão da limpeza do casco do navio. Na segunda-feira (18), será feita uma nova avaliação da situação.

— É uma ocorrência grave, mas desde 2009 não tínhamos ocorrências. Vamos revisar os processos — defendeu Estima.

A vistoria contou com o apoio da Marinha, da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), da Patrulha Ambiental (Patram) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Por Larissa Roso (colaborou Camila Kosachenco)

Fonte: Zero Hora

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