Bandeira contra maus-tratos e abandono de animais em Erechim, RS

Bandeira contra maus-tratos e abandono de animais em Erechim, RS

Por Carla Emanuele

No último domingo (25), uma nova bandeira foi erguida em Erechim, desta vez não faz relação à política, mas sim a Marcha de Defesa Animal. Ativistas com cartazes e faixas se manifestaram na Av. Sete de Setembro, dizendo não aos maus tratos aos animais e reivindicando penas mais severas para todos os tipos de crimes. Os mesmos ainda buscaram chamar atenção das autoridades municipais para situação alarmante de abandono e falta de atendimento aos bichos pertencentes à população de baixa renda que, muitas vezes, agonizam sem tratamento, até a morte. Ou, aqueles que são abandonados em ruas, clínicas ou em frente às ONGs.

O município conta com a Unidade de Referência Animal (URA), que realiza castração de cães e gatos, mas dizem que ainda não é suficiente para a demanda de Erechim. Dentre as reivindicações, a marcha pacífica solicitou: médico veterinário e vacinação gratuita, veículo para resgate de animais atropelados ou em situação de risco e política pública contra o abandono (intensificação de campanhas educativas e de controle populacional de cães e gatos, em escolas públicas e particulares).

Os ativistas ainda distribuíram panfletos que alertam sobre a importância da vacinação contra cinomose, em função de um surto em Erechim e região. A marcha também possui uma petição online que reivindica penas de oito a 10 anos de reclusão para todos os tipos de crimes e pode ser acessada:www.peticao24.com

O manifesto e demais protestos viralizaram nas redes sociais. Moradores do Km 10, Povoado Argenta, indignados com o abandono de oito cadelas grávidas e doentes nos últimos dois meses na localidade, protestaram com um banner na entrada de uma propriedade. Nadia Zanchett e Helena resgataram uma das cadelas e relataram ao Jornal Boa Vista a história da Pequena e seus filhotes. “Ela apareceu no km 10, Povoado Argenta, ganhou os 12 filhotinhos no porão de uma casa, um faleceu.

O dono da casa disse à vizinha que mataria todos os filhotes, pois não queria nenhum. Eu e minha amiga Helena fomos buscá-los. Como adotei uma cachorrinha que foi abandonada, moro em apartamento e as ONGs estão cheias de cachorros abandonados, precisei encontrar outro lugar para ela e os filhotes. Ela está morando no terreno baldio, quase em frente ao meu prédio. Limpamos uma parte do local, pois ainda tem paredes de alvenaria e um pedaço de coberto. Levamos comida, água, petiscos e cobertor. Com isso, ela tem bastante leite. Quando a resgatamos estava faminta e mal conseguia alimentar seus filhotes”, contou.

A Pequena, como é chamada carinhosamente por Nadia é de porte grande, meiga, carente, extremamente obediente e grata. “Solto ela três vezes ao dia para fazer as necessidades longe dos filhotes e com isso, ela aproveita para dar um passeio no terreno. Percebo que ela está feliz, que gostou do local. Inicialmente, fiquei com medo dela latir e chamar a atenção dos vizinhos. Ela não late, fica sempre quietinha cuidando dos filhotes. A maioria dos moradores da Rua Carlos Kehlers zelam pelos animais. Quero encontrar um lar excelente para cada cãozinho. Os mesmos poderão ser adotados no final de outubro. As cadelas serão castradas, para evitar ao máximo a procriação e consequentemente o abandono”, finalizou. Além da comunidade Argenta, moradores do Rio Poço, proximidades do loteamento Fiebig e bairro Liberdade, também vivenciam a triste realidade do abandono e maus tratos.

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Fonte: Jornal Boa Vista 

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