Bebê elefante acorrentado mostra como o comércio ilegal de vida selvagem transforma animais em mercadorias

Bebê elefante acorrentado mostra como o comércio ilegal de vida selvagem transforma animais em mercadorias

Por Ailing Maria Cronin / Tradução de Alice Wehrle Gomide

O comércio ilegal de vida selvagem é uma séria ameaça para a sobrevivência de incontáveis espécies de animais ao redor do mundo. Pangolins (um animal noturno cheio de escamas e pouco conhecido) são os mamíferos mais largamente traficados ilegalmente no mundo. Eles são caçados por sua carne e escamas, que, em certas partes da Ásia, acredita-se possuírem propriedades medicinais. Os chifres de rinocerontes também são usados pelos seus supostos benefícios medicinais (apesar de serem compostos inteiramente de queratina – a mesma substância que forma o cabelo e as unhas humanas). Este é um tema recorrente que gera a maior parte da demanda dos produtos oriundos de animais selvagens: que as partes dos animais exóticos possuem algum tipo de poderes místicos e curativos.

Este mito vem sendo inteiramente desmentido pela comunidade científica. Infelizmente, isto não conseguiu acabar com o comércio desenfreado de chifres de rinocerontes, marfim de elefantes, carne de animais exóticos e outros produtos oriundos de animais selvagens. Um elefante africano é morto por suas presas a cada quinze minutos – isto equivale a 100 elefantes mortos por dia. Tragicamente, a África já perdeu 60 por cento de sua população de elefantes desde 1970, e muitos especialistas em conservação temem que esses animais majestosos possam logo estar extintos. Os rinocerontes também estão correndo sério risco de extinção. Uma média de três rinocerontes é morta por seus chifres a cada dia. Os rinocerontes de Java foram declarados extintos em 2011, enquanto que os rinocerontes negros ocidentais sofreram o mesmo destino em 2013. As subespécies de Sumatra e de rinoceronte negro estão atualmente classificadas como “criticamente ameaçadas” pela International Union for the Conservation of Nature (IUCN – União Internacional da Conservação da Natureza). Seguindo a morte de Nola – um dos únicos quatro rinocerontes brancos do Norte – em novembro do ano passado, as perspectivas para esta subespécie também são extremamente sombrias.

Os leões africanos estão em constante desaparecimento, seus números caíram em estimados 50 por cento pelo último século. Durante o mesmo período de tempo, 90 por cento dos tigres selvagens do planeta desapareceram. Na realidade, agora há mais tigres vivendo em quintais pelos EUA do que vivendo na natureza! O comércio ilegal de vida selvagem não danifica somente os animais. Os rendimentos vindos das vendas da caça ilegal de animais selvagens ajudam a financiar grupos terroristas como Boko Haram e Al-Shabaab. O comércio ilegal também foi  relacionado com violações dos direitos humanos, escravidão, e surtos de doenças.

O fotógrafo de vida selvagem Patrick Brown agora lançou um novo projeto surpreendente chamado Trading to Extinction (Negociação para Extinção) em uma tentativa de aumentar a conscientização sobre a gravidade do problema. Brown disse, “Durante anos, eu tenho viajado ao redor da Ásia para documentar o impacto devastador do tráfico da vida selvagem. Eu testemunhei como as criaturas mais raras do nosso planeta estão sendo caçadas, presas e mortas para alimentar um mercado negro global de produtos oriundos de animais selvagens. Este projeto é a minha tentativa de expor esse comércio”.

Esta foto, tirada desse projeto, revela a provação horrível que muitos animais ameaçados de extinção são forçados a enfrentar enquanto em trânsito, nunca sabendo que eles estão prestes a serem vendidos – e muito provavelmente mortos – por partes de seus corpos.

Esta imagem de um bebê elefante traficado expõe a realidade nua e devastadora por trás do comércio ilegal de vida selvagem. Entretanto, Brown fundamentalmente quer que Trading to Extinction mostre uma mensagem de esperança e resiliência. “Infelizmente, ainda há um longo caminho para ser percorrido”, ele explicou. “Este comércio está sem dúvida alguma florescendo. Entretanto, eu finalmente comecei a ver uma coordenada luta política contra isso. Um movimento mundial extraordinário está unindo pessoas de diversas origens em uma tentativa de salvar nossas espécies mais ameaçadas antes que seja tarde demais. Eu espero que nossos esforços não sejam em vão”.

Para ver mais fotografias desse projeto, clique aqui.

Fonte: One Green Planet

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