Bebê macaco forçado a ‘dançar’ para turistas finalmente é libertado

Bebê macaco forçado a ‘dançar’ para turistas finalmente é libertado
Dodo se apresentando em pernas-de-pau em Bangung, Indonésia. (Fotos: Jakarta Animal Aid Network)

Eles encontraram o macaco em pé em duas estacas de madeira, uma corrente de metal presa ao redor do seu pescoço. O treinador puxou a corrente, e o macaco entrou em ação, se movendo para frente nas estacas como se fosse um acrobata. Quando o macaco parava, o treinador puxava a corrente de novo, forçando o animal a se mover novamente.

Este macaco Rhesus, chamado Dodo pelos seus resgatistas, estava sendo usado como um “macaco dançarino” na Indonésia. Estima-se que as pessoas roubam mais de 3.000 bebês macacos da Indonésia a cada ano. Eles fazem isso ferindo as mães, forçando-as a abandonarem seus filhotes.

A maioria dos bebês macacos é vendida para grupos farmacêuticos ou universidades internacionais, onde eles serão usados para pesquisa. Outros são vendidos no mercado de animais selvagens como animais de estimação, ou para se tornarem macacos dançarinos como Dodo.

Apesar desse nome, os “macacos dançarinos” na realidade não dançam. Ao invés disso, eles são forçados a fazer truques bobos como andar de bicicleta, tocar pequenos instrumentos ou fazer acrobacia como andar de pernas-de-pau. Também é muito comum para os treinadores vestirem os macacos dançarinos com roupas ou fazer com que eles usem máscaras feitas de cabeças de bonecas antigas.

Outros macacos dançarinos são forçados a andar de bicicleta ou usar roupas.
Outros macacos dançarinos são forçados a andar de bicicleta ou usar roupas.

No intervalo das apresentações, os macacos irão implorar por dinheiro, que é a forma como seus treinadores ganham a vida.

O processo de treinamento é inimaginavelmente cruel. O primeiro passo é treinar os macacos a ficarem de pé como um humano. Os treinadores amarram os braços dos macacos atrás de suas costas e seguram os animais pelo pescoço, forçando-os a ficarem de pé. Se os macacos tentam se sentar ou subir pela corrente, eles os sufocam até a morte. Uma vez que os macacos aprendam a ficar de pé, os treinadores usam fome e dor para ensinar os truques.

Um macaco sendo “treinado” para ficar em pé como um humano.
Um macaco sendo “treinado” para ficar em pé como um humano.

O processo de treinamento normalmente leva de quatro a seis meses, e os macacos tem que enfrentar de quatro a seis horas de tortura por dia. Os macacos que sobrevivem ao horroroso processo de treinamento irão se apresentar de cinco a dez anos. Depois disso, eles se tornam muito agressivos para serem manejados, e serão vendidos pela carne.

As correntes ao redor dos pescoços dos macacos nunca saem. Na realidade, as correntes frequentemente penetram suas peles durante o crescimento, causando infecção e tétano.

Dodo com sua pesada corrente.
Dodo com sua pesada corrente.

O Jakarta Animal Aid Network (JAAN) vem fazendo campanha para uma proibição total dos macacos dançarinos na Indonésia desde 2009. Em 2013, o grupo conseguiu obter com sucesso uma proibição em Jakarta, a capital da Indonésia. Então em 2016, a JAAN ajudou a conseguir uma proibição dos macacos dançarinos na província West Java na Indonésia.

Trabalhando com a polícia local, os membros da JAAN descobriram Dodo na cidade de Bangung, a capital da província West Java, e o confiscaram de seu treinador.

“Dodo estava em condições muito precárias”, Femke den Haas, cofundadora da JAAN, disse ao The Dodo. “Ele estava muito, muito deprimido, como se a vida tivesse sido arrancada dele”.

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De volta ao centro de quarentena da JAAN em Jakarta, a equipe de resgate cortou a corrente do pescoço de Dodo, o que deve ter sido um alívio enorme para o jovem macaco.

Ele estava livre de sua corrente, mas Dodo ainda estava traumatizado. “Ele não tinha nenhuma reação feliz para nada, com exceção da comida”, den Haas disse. “Pelo resto do tempo entre as refeições, Dodo ficava sentado deprimido no canto de sua jaula, apesar de todos os esforços que seus cuidadores tiveram para mantê-lo entretido e feliz com enriquecimentos ambientais”.

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Mas Dodo ama comer. De acordo com den Haas, ele come como se nunca tivesse visto comida antes, provavelmente porque seu treinador o deixava passar fome. As comidas favoritas de Dodo são uvas e rambutões, que são similares às lichias.

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“Me enraivece ver um macaco como Dodo, que foi tão abusado no começo de sua vida”, disse den Haas. “Ele deveria estar ao lado de sua mãe, tomando seu leite e recebendo seu cuidado e calor. Ao invés disso, ele foi agredido e sentia dor diariamente, somente para ganhar dinheiro para algumas pessoas egoístas, sem coração e cruéis”.

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A cada dia, Dodo melhora. Ele está ganhando peso lentamente, mostrando mais interesse em seus arredores e começando a reagir aos seus cuidadores de uma forma positiva.

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Den Haas está confiante de que Dodo se recuperará completamente – mas isso levará tempo. “Dodo será introduzido aos outros macacos após ele ter cumprido seu período de quarentena de três meses e será socializado a um grupo”, ela disse. “Depois disso, a equipe da JAAN irá reabilitá-lo de volta à natureza”.

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A JAAN gosta de soltar antigos macacos dançarinos nas ilhas com florestas privadas. As florestas fornecem comida em abundância para os macacos e o isolamento das ilhas do continente protege os macacos de serem recapturados pelos caçadores.

Dodo parecendo um pouco mais feliz!
Dodo parecendo um pouco mais feliz!

A JAAN está atualmente fazendo campanha para conseguir uma proibição nacional de macacos dançarinos na Indonésia. Para ajudar o grupo a conquistar esse objetivo, você pode fazer uma doação aqui. Você também pode apadrinhar um ex-macaco dançarino como Dodo.

Por Elizabeth Claire Alberts / Tradução de: Alice Wehrle Gomide

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