Biota perde sede e deixa de resgatar animais marinhos na Grande Maceió, AL

Biota perde sede e deixa de resgatar animais marinhos na Grande Maceió, AL

ONG funcionava em local cedido, mas proprietário pediu imóvel de volta. Sem apoio, voluntários mantêm trabalho por meio de doações e parcerias.

Por Michelle Farias

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O Instituto Biota de Conservação é uma ONG de referência em Alagoas, mas devido à falta de estrutura, deixou de realizar o resgate de animais marinhos que costumam aparcer feridos nas praias da região Metropolitana de Maceió, principalmente tartarugas.

Só no ano passado, o Biota atendeu mais de 100 tartarugas marinhas e 12 mamíferos, mas esse ano não pôde realizar nenhum atendimento. A ONG atuava em um espaço cedido, mas o proprietário pediu o imóvel e os voluntários não conseguem mais desenvolver os trabalhos.

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“É muito triste. Os voluntários pagam uma taxa para manter os serviços do Biota, mas isso não é suficiente para todos os gastos que temos. Infelizmente, perdemos a nossa sede”, afirma o diretor executivo do Biota, Bruno Stéfanis.

O projeto da ONG teve início ainda na faculdade, há cinco anos. Além dos atendimentos aos animais, eles realizavam atividades voltadas para a comunidade de Riacho Doce, onde ficava a antiga sede.

O Instituto é conhecido por fazer solturas de animais e devolver ao mar os que foram resgatados debilitados. O problema é que a falta de estrutura adequada é um risco à vida do animal. “Nós fazemos o registro do encalhe por foto. Mas não temos como coletar material”, diz o diretor executivo da ONG.

“Nós fazemos o impossível para salvar os animais. Nos revezamos, já ficamos noites sem dormir só para mantê-los vivos. É um prazer enorme devolver um animal para o mar. Ficamos muitos felizes e chamamos a população para participar da solturas das tartarugas. Mas há meses que isso não corre mais”, lamenta Bruno Stéfanis.

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No último final de semana, uma tartaruga foi encontrada morta por ciclistas na Praia de Ipioca. A população ligou para o Biota, mas os voluntários não tiveram condições de buscar o animal.

“Não tínhamos como atender à ocorrência. O animal ficou três dias na praia até que o Batalhão Ambiental foi recolher”, diz.

Sensibilizada com a situação da ONG, a proprietária de um posto de combustíveis localizado em Riacho Doce emprestou uma sala para que os voluntários pudessem guardar os materiais de trabalho.

“Acompanho o trabalho deles, já fui madrinha de ninhos de tartarugas e doei combustível para que eles possam trabalhar. Fiquei muito triste quando ele [Bruno] disse que estava sem teto, por isso, emprestei um quartinho nos fundos para que eles possam guardar as coisinhas deles. É uma forma de ajudar”, afirma a proprietária do posto de combustíveis, Eloísa Almeida.

Stéfanis diz ainda que os voluntários recebem ligações diariamente sobre encalhe e resgate de animais. “As pessoas não entendem e ficam nos xingando. Elas acham que nós somos pagos para isso, mas pelo contrário, nós pagamos para trabalhar”, lamenta.

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Mas uma boa notícia pode estar por vir. Alguns empresários se reuniram para fazer um projeto para a construção de uma sede própria da ONG às margens da rodovia AL-101 Norte, no mesmo bairro onde ficava a antiga sede.

“Nós estamos torcendo para que isso dê certo. Vamos levar o projeto para os órgãos competentes da prefeitura e do Estado para ver se aprovam a construção da nossa sede. É um local bastante estratégico, porque aqui [e Riacho Doce] é ponto de desova de tartarugas”, ressalta Stéfanis.

Enquanto isso não acontece, os voluntários ainda precisam de ajuda para manter os trabalhos da ONG. Quem tiver interesse, pode se tornar sócio contribuinte e doar uma quantia de R$ 100 por ano. Para mais informações, basta acessar o site do Biota (clique aqui).

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Fonte: G1

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