Bombeiros falam sobre salvamentos de animais

Bombeiros falam sobre salvamentos de animais
‘Difícil é não se envolver’, diz o sargento Marcelo Braga. (Foto: Arquivo Pessoal)

Com uma resposta simples e direta, os dicionários definem o que é ser bombeiro: homem pertencente a uma organização para combater incêndios. As funções, no entanto, não podem ser limitadas a isso. 

Resgatar animais, por exemplo, faz parte desse algo a mais que a profissão exige. Com uma grande repercussão, o Corpo de Bombeiros tem divulgado fotos desses salvamentos em redes sociais. O DIÁRIO conversou com três funcionários da corporação (sargento Braga, cabo Vergari e soldado Soares) para conhecer de perto as histórias vividas por eles. Diferentes,  curiosas e emocionantes, elas mostram um outro lado da função exercida pelos bombeiros.

Um dos grandes questionamentos pode ser: há diferença em salvar um animal? Para os bombeiros, não, apesar de eles não receberem treinamento específico para esse tipo de ocorrência. No entanto, segundo o capitão Marcos Palumbo, a corporação separa os resgates por tipo, quando oferece perigo ou está em situação de risco. A partir disso, o bombeiro traça a estratégia de salvamento.

“É importante destacar que não há um bombeiro específico para essas ocorrências. Quem tem esse tipo de equipe é o CCZ (Centro de Controle de Zoonoses), responsável por resgatar e cuidar desses animais. Os bombeiros usam as mesmas técnicas de um incêndio, por exemplo”, disse.

Em 2015, a corporação fez 38 mil atendimentos relacionadas a animais no estado, uma média de um socorro a animal a cada 49 minutos, ou de mais de 20 salvamentos por dia. Esse intervalo de atendimento só é menor em relação ao de pessoas. Segundo o Corpo de Bombeiros, a cada dois minutos é realizado um resgate de alguém em situação de perigo.

Os bombeiros, no entanto, reclamaram da falta de apoio do CCZ da Prefeitura da capital por não ter para onde levar os animais resgatados. Segundo eles, muitas vezes, o único caminho é deixar o bichinho na rua por falta de vagas no CCZ.

Urgências

Os números de resgates são apenas uma amostra da paixão do sargento Marcelo Braga pelos animais. Ele não esconde sua admiração por esse tipo de ocorrência.

“A gratidão é enorme, quando vejo aquelas carinhas de agradecimento. É muito difícil não se envolver com esses bichinhos”, admitiu.

O sentimento não é diferente para o cabo Leando Vergari. Conhecido como o “cabo dos cachorros”, ele já perdeu as contas do número de resgates de animais que já fez.

‘Estamos aqui para lutar pela vida de qualquer ser’, diz o soldado Soares. (Foto: Arquivo Pessoal)
‘Estamos aqui para lutar pela vida de qualquer ser’, diz o soldado Soares. (Foto: Arquivo Pessoal)

“Muitas pessoas não dão atenção e órgãos que seriam responsáveis também não atendem com qualidade, então fazemos tudo com o maior amor”, contou Vergari.

Conheça algumas das histórias de resgate de animais  vividas e contadas por três bombeiros do estado de São Paulo.

CCZ consegue abrigar somente 500 animais

Questionado pelo DIÁRIO sobre a reclamação dos bombeiros com relação à falta de vagas para abrigar os animais resgatados, o CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) afirmou, por meio de nota, que sua responsabilidade é a remoção de cães e gatos que estão soltos em vias públicas.

Além disso, ressaltou que se trata de um atendimento para casos em que houve “agressão comprovada com laudo médico, invasão a instituições públicas ou locais em situação de risco”.

Em relação ao trabalho conjunto com o Corpo de Bombeiros, o CCZ não se posicionou.

“O órgão tem como missão e atribuição desenvolver ações de vigilância visando a prevenção, proteção e promoção à saúde pública, atuando no controle das zoonoses, agravos causados por animais e doenças transmitidas  por vetores, conforme as diretrizes do SUS”, afirmou.

Questionado sobre o número de vagas e quantos animais abriga, o órgão disse que consegue abrigar cerca de 500 animais.  “Como a rotatividade (entrada e adoções) é grande fica difícil dar um número diário”, justificou.

Além disso, o CCZ informou que realiza remoção de urgência, em que os animais são levados ao centro por apresentarem risco à saúde pública, e em alguns casos pela agressividade ou pelo estado terminal (em sofrimento).

Entrevista: Marcos Palumbo_capitão

‘Precisamos da ajuda do zoonoses nesse trabalho’

Resgatar animais e trabalhar em operações para evitar que eles ofereçam risco à população também são função dos bombeiros, de acordo com o capitão Marcos Palumbo, porta-voz do Corpo de Bombeiros de São Paulo. Ele destaca a importância de haver trabalho conjunto com o CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) nessas situações para o animal que vive na rua ou oferece riscos ser abrigado após o resgate.

DIÁRIO_ Os bombeiros têm treinamento específico para essas ocorrências?

CAPITÃO PALUMBO_ Não há bombeiro especifico, nem treinamento. É importante destacar que quem faz esse tipo de serviço é a equipe do CCZ. O bombeiro que resgata animal é o mesmo que apaga incêndio, com as mesmas técnicas.

Segundo o Corpo de Bombeiros, somente em 2015 foram 38 mil salvamentos. Esse número é só de resgate de animais?

Separamos as demandas em dois tipos: quando o animal oferece risco para alguém ou quando está em situação de perigo. Além disso, sabemos do cuidado que se deve ter ao resgatar um animal, por ele ser, em alguns casos, agressivo.

Após o resgate, que trabalho é feito pelos bombeiros?

Nosso trabalho depois é limitado. A gente tira o animal do risco, sempre com bons olhos, mas não é nosso trabalho tirá-los da rua e não posso usar a mesma unidade de resgate de pessoas para animais. Por isso, precisamos da ajuda da Zoonoses nesse trabalho.

Como a população pode ajudar com essas ocorrências?

O papel da sociedade é ligar para o telefone 193.

Por Ana Paula Bimbati

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