Boto-cinza é encontrado morto na praia de Nova Almeida

Boto-cinza é encontrado morto na praia de Nova Almeida
O boto-cinza foi encontrado morto na região conhecida como Costa das Algas, em Nova Almeida. Crédito: Divulgação

Um boto-cinza foi encontrado morto na manhã desta sexta-feira (22), na praia de Nova Almeida, na Serra.

Banhistas encontraram o animal morto na areia da praia e de acordo com populares, o animal estava na região da Área de Proteção Ambiental – APA Costa das Algas. O animal tinha algumas lesões, que pareciam ter sido causadas por rede de pesca.

Segundo Claudiney Rocha, do Instituto Brasileiro de Fauna e Flora (Ibraff) o animal foi recolhido pelo Programa de Monitoramento de Praia, Ambipar e encaminhado para o Instituto Orca, para necropsia.

“É um boto-cinza (Sotalia guianensis). É uma de espécies de cetáceos e sua distribuição é restrita, ocorrendo em apenas águas costeiras, baias, enseadas e estuários do oeste do oceano Atlântico, desde Honduras até o Brasil”, explicou Claudiney.

O biólogo Cláudio Santiago, frisou que o boto-cinza está ameaçado. “Já foram vistas populações desse golfinho na foz do Rio Doce, também foi visto na foz de Santa Cruz e em Nova Almeida. Apesar da tag de ameaçado temos alguns exemplares dessa espécie pela costa capixaba”.

De acordo com Lupércio Barbosa, do Instituto Orca, a Carcaça foi recebida ontem às 12:30 no laboratório de procedimentos em Guarapari, trazido pelo pessoal do PMP/Petrobras.

“Posso dizer pelas imagens observadas, tratar-se de uma carcaça de boto-cinza (Sotalia guianensis), ainda juvenil, apresentando uma extensa lesão incisa de bordas nítidas, regulares e retilíneas, na região ventral esquerda do abdome, semelhantes às provocadas por instrumentos cortantes”.

Lupércio frisou ainda que além da musculatura, a incisão aparenta acometer outros planos profundos da cavidade abdominal.

O biólogo disse ainda que não tem como afirmar se a causa da morte do animal foi por rede de pesca e nem se ocorreu após o animal ser encontrado e retirado morto de uma rede de pesca, por exemplo.

“É comum o dono da rede tentar encobrir a captura “acidental” promovendo cortes profundos na cavidade abdominal para que a carcaça afunde. Por experiência, eu arriscaria dizer que isso seria o mais provável nessa situação, o que é lamentável e revoltante, considerando ser a captura “acidental” a maior causa de morte para essa espécie costeira, descrito pela ciência sem que ocorram ações efetivas para acabar ou amenizar as “CA” ou “bycatch fishing” como é conhecido internacionalmente. Faz-se necessário que providências urgentes e efetivas sejam tomadas… o tempo passa e o risco de sobrevivência da espécie só vai agravando”.

 

 
 
 
 
 
Ver essa foto no Instagram
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

Uma publicação compartilhada por IBRAFF Meio Ambiente (@ibraff)

Por Ana Paula Bonelli

Fonte: Tempo Novo

Os comentários abaixo não expressam a opinião da ONG Olhar Animal e são de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.