‘Cachorreiras’ lutam por animais abandonados nas rua em Franca, SP

‘Cachorreiras’ lutam por animais abandonados nas rua em Franca, SP
A protetora Aleni Papasídero com Juquinha e Joãozinho: ambos foram abandonados na porta da sua casa após maus-tratos (Foto de: Divaldo Moreira/Comércio da Franca)

Cego, com sarna e muito magro. Foi assim que, com 15 anos de vida, o poodle Juquinha foi deixado na porta da casa da protetora Aleni Papasídero, em julho do ano passado. Na véspera do último Natal foi a vez do pinscher Joãozinho, com o maxilar quebrado e muito desnutrido, ele foi abandonado nas proximidades da casa da protetora. Há 16 anos realizando o trabalho de resgatar animais nas ruas e em situação de maus-tratos na cidade, a “cachorreira”, termo como são conhecidas as mulheres que trabalham com a proteção de animais, afirma ter recuperado cães e gatos em situações bem piores.

“Encontramos pelo caminho casos horríveis. Muitos abandonam, cansam de cuidar e provocam maus-tratos. É um trabalho árduo, que nunca tem fim, mas que mexe com o coração e é maravilhoso quando conseguimos recuperar um deles, como aconteceu no caso do Juquinha e do Joãozinho”, disse Aleni.

Com a Associação “É o bicho”, a protetora consegue manter os cuidados dos cerca de 20 animais que estão sob a sua proteção neste momento, mesmo sem a ajuda de terceiros. “Eu consigo, com o serviço de castrações, manter meus animais, mas vejo a dificuldade enfrentada por todas as protetoras”, completou.

“Ninguém vira protetor, a pessoa nasce protetor.” Foi assim que a protetora Lindsay Cardoso, de 30 anos, começou a conversa com a equipe de reportagem do Comércio. Há três anos resgatando cães e gatos, a integrante do grupo “Só patinhas de rua” afirma que já se deparou com situações desafiadoras. “Por mês, somente com ração gasto R$ 1,5 mil. Hoje 68 animais estão sob os cuidados do meu grupo, que conta com quatro colaboradores”, disse. “O mais triste é ver como algumas pessoas simplesmente fecham os olhos para o problema que se multiplica diariamente. Não somos depósito de animais, é preciso um trabalho efetivo por parte dos governantes para mudar essa realidade”, completou.

Solução

Para as protetoras, a única solução para diminuir os animais de rua é a intensificação nas castrações. Atualmente, a Prefeitura fornece gratuitamente 225 cirurgias dessa natureza por mês. O número, porém, está bem longe do ideal.

“O mínimo que deveria ser oferecido hoje para ajudar a controlar o problema seriam 2 mil castrações mensais. Um macho pode cruzar com várias fêmeas e o número de filhotes que podem fazer é imensa. Enquanto uma ação eficiente de castração não for realizada, continuaremos vendo o problema crescer”, disse Aleni.

Outro lado

Em nota, a assessoria de imprensa da Prefeitura informou que aguarda a abertura de edital de recebimento de propostas de projetos do Fundo Municipal do Meio Ambiente para solicitar recursos financeiros para o Projeto de Controle de Natalidade de Cães e Gatos, porém, não informou o prazo para que a medida seja efetivada.

Por Carolina Ribeiro

Fonte: GCN

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