Cadela torturada morre em Petrópolis (RJ) e choque psicológico é citado como agravante

Cadela torturada morre em Petrópolis (RJ) e choque psicológico é citado como agravante

“Caso foi o mais chocante da minha vida”, diz veterinária; suspeito é preso. Tortura aconteceu em Petrópolis, na Serra do Rio; homem nega autoria.

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Morreu na noite desta quinta-feira (14) a cadela que foi torturada, tendo uma orelha decepada e quase 40% da pele arrancados, em Petrópolis, na Região Serrana do Rio. As causas da morte, que aconteceu na quinta-feira (14) à noite, segundo a veterinária que atendeu o animal, podem ter sido uma infecção muito extensa, causada pela perda da proteção do corpo, e hipotermia. O choque psicológico seria mais um agravante. “Este caso foi o mais chocante da minha vida”, afirma Rosana Portugal, que atua na área há 24 anos e é chefe da Coordenadoria de Bem-Estar Animal.

O delegado titular da 105ª Delegacia de Polícia, Alexandre Ziehe, acredita que o autor do crime é o ex-marido da mulher que cuidava do animal e de outros 16 cães. O homem negou o crime. Segundo o delegado, a tortura configura ameaça à ex-mulher e foi pedido o mandado de prisão preventiva com base na Lei Maria da Penha. Ele já tinha uma medida restritiva expedida e descumpriu a ordem ao supostamente ir até a residência. O suspeito está preso e será transferido para um presídio na capital na segunda-feira (18).

Caso seja comprovada a autoria do crime de tortura, o ex-marido vai responder por maus-tratos ao animal e terá a pena agravada, com acréscimo de 1/6 pela morte da cadela. Para esses crimes, o agressor pode pegar detenção (regime semi-aberto ou aberto com pagamento de cesta básica e serviços à sociedade) de três meses a um ano e multa, o que será determinado pelo Juizado Especial Criminal.

A veterinária Rosana Portugal, lembrou que o animal era extremamente dócil. “Não sei como um ser humano pode fazer isso. A punição tem que ser exemplar”, definiu ela. Belinha teve a orelha esquerda decepada e picotada de forma muito brutal com uma tesoura ou faca, além de ter sido cruelmente escalpelada.

A comprovação dos maus-tratos também vai influenciar na decisão da Justiça com relação ao risco que o homem oferece para a ex-mulher, que a aproximadamente 20 dias registrou um boletim de ocorrência na 106ª Delegacia de Polícia, em Itaipava, após ser ameaçada de morte. O mandado de prisão preventiva, expedido pelo Juizado Especial da Vara da Violência Doméstica, teve como base o fato dele ter descumprido a ordem de não se aproximar dela.

Senado vai receber projeto que torna punição mais rígida

No útimo dia 29 de abril, foi aprovado na Câmara dos Deputados o projeto de Lei 2833/11, do deputado Ricardo Tripoli (PSDB), que torna mais rígida a punição para crimes de maus-tratos que resultam na morte de animais, incluindo a pena de reclusão (cumprida em regime fechado, semi-aberto ou aberto). O texto será encaminhado ao Senado.

Casal é denunciado por maus-tratos às filhas

Após ter acesso a um vídeo que mostra três filhas do casal, de 4,7 e 9 anos, convivendo com as fezes e urina dos animais, o delegado Alexandre Ziehe abriu um novo inquérito onde aponta que os pais praticam maus-tratos contra as crianças.

Segundo o delegado, o casal não morava mais na casa onde estavam os cachorros e onde foi praticada a tortura. “Provavelmente eles se mudaram muito recentemente, pois os vídeos são de dois meses atrás e o casal se separou há um mês e meio. Essas crianças viviam junto com os animais, em uma situação absurda, em meio às fezes e urina. Só vendo o vídeo para entender o que elas passavam”, pontuou Ziehe.

Segundo ele, a questão das crianças era desconhecida até então e apenas denúncias sobre os animais haviam sido relatadas na unidade policial. O delegado abriu um novo inquérito denunciando os pais por maus-tratos contra as crianças. Ele vai colher depoimentos de familiares e vizinhos para apurar o caso.

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Entenda o caso

A tortura da cachorra Belinha causou comoção e indignou moradores de Petrópolis. O caso foi divulgado nesta quinta-feira por uma entidade que presta assistência aos animais. A vira-lata, com cerca de 3 anos, foi encontrada na quarta, à beira da morte, com uma orelha cortada e quase 40% da pele arrancados. O suposto agressor, o ex-marido da mulher que cuidava de Belinha, foi detido na tarde desta quinta e levado para a 105ª DP para prestar depoimento. O fato foi levado para a Vara da Violência Doméstica e o mandado de prisão temporária foi expedido.

A cachorrinha foi socorrida pela veterinária Rosana Portugal, da Coordenadora de Bem-estar Animal, que foi aciondada pela tutora, que estava em estado de choque. Ela participa ativamente de campanhas para adoção de animais e o terreno onde ficam os cachorros é usado como lar provisório. Há pouco mais de um mês, uma campanha de adoção diminuiu de 47 para 17 o número de cachorros no local. Dentre os que ainda não tinham conseguido uma nova família estava Belinha.

A veterinária acreditava na recuperação do animal, mas havia dito que o processo levaria de 30 a 40 dias, e que, mesmo assim, os danos psicológicos no animal seriam grandes.

Fonte: G1

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