Cães abandonados viram estrelas pelas lentes de um fotógrafo

Cães abandonados viram estrelas pelas lentes de um fotógrafo

Por Daniele Balbinot

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Todos já viraram latas. Apesar de alguns serem “de raça”, os cães e gatos que vivem em abrigos, em algum momento da vida nas ruas, precisaram catar comida no lixo para sobreviver. Mas quando encontram as lentes do fotógrafo Luciano Stabel, 34 anos, se transformam em modelos. Não só de beleza. Também de muita simpatia.

Há dois anos, Luciano assumiu também a alcunha de Fotógrafo Protetor. Ele é conhecido assim no Facebook, onde mantém uma página para divulgar animais abandonados, que estão em abrigos e clínicas do Vale do Sinos. Em maio, faz incursões em Canoas para registrar bichos abrigados no Centro de Bem-Estar Animal, da Prefeitura, e na Associação de Proteção aos Animais de Canoas (Aprocan). Até agora, fotografou cerca de 20 cães. A fanpage do Fotógrafo Protetor já tem 13 mil curtidas.

A inspiração para fazer registros artísticos da bicharada surgiu depois que Luciano percebeu que fotos chocantes, com animais feridos ou sarnosos, mais provocam repulsa do que ajudam numa possível adoção. Teve a ideia, então, de fazer o trabalho, que é voluntário. “A partir dessas fotos diferenciadas, com um tratamento diferente, acredito que as chances de esses animais serem adotados aumentem”, fala o fotógrafo. Dos 400 fotografados, ele calcula que metade já tenha encontrado um lar.

Técnica: paciência

Para conseguir registrar os cães e gatos, Luciano Stabel confessa que é preciso mais paciência do que técnica. Como sempre conviveu com animais, reconhece o temperamento e “faz uma leitura da personalidade”. “Levo, em média, 30 minutos com cada um”, calcula o fotógrafo, que mora e trabalha em São Leopoldo.

Então, pergunta um pouco sobre a história do bicho para escrever o texto que publica junto à imagem. São relatos normalmente tristes, como de um cãozinho de Novo |Hamburgo, que teve uma das patinhas cortada a facão. Histórias de animais desnutridos chocam muito Luciano. Pouca Bóia, um boxer que vive no Centro de Bem-Estar Animal de Canoas, mexeu muito com ele. “Saber que o animal passou muita fome me dói. Lembro do meu cachorro, o Amigo, que resgatei em Torres. Se ele tivesse sido encontrado um ou dois dias depois, provavelmente teria morrido.”

O trabalho de Luciano Stabel como protetor vai além da fotografia. Ele também ajuda com castrações, compra de ração e medicamentos, além de acolher animais como casa de passagem. Atualmente, além dos três cachorros e três gatos próprios, tem dois cães e quatro filhotes de gatos à espera de um lar. Para financiar o projeto do Fotógrafo Protetor, faz books de famílias com seus animais de estimação.

Na sua opinião, o ser humano tem um “dívida evolutiva” com os cães. “Devemos muito do que somos a eles. Nos ajudaram a sobreviver. Os cães são leais. Precisamos respeitá-los e aprender com eles.”

Contato

Quem quiser saber mais sobre os animais (todos estão para adoção) faça contato com a Aprocan ([email protected]) e com o Centro de Bem-Estar Animal ([email protected])

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Fonte: Diário de Canoas 

Nota do Olhar Animal: Entre os principais responsáveis pelo abandono de cães e gatos estão os criadores. Não bastasse tratarem os animais como mercadorias, comercializando-os, ainda geralmente o fazem de forma bastante irresponsável, sem se importarem com as condições em que ficarão ou com o perfil do futuro tutor. Pagou, levou. Não é nada estranho que entre os animais abandonados existam tantos “de raça”, reflexo deste descaso e desta “coisificação” dos animais. Assim como os criadores tratam os animais como objetos, é comum que os compradores também o façam. É um problema intrínseco da mercantilização da tutela de animais. 

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