Cães vítimas de maus-tratos são resgatados em Petrópolis, RJ

Cães vítimas de maus-tratos são resgatados em Petrópolis, RJ
Foto: Divulgação

Dois cães foram resgatados na última sexta-feira (28/07) com sinais de maus-tratos no Carangola e na 24 de Maio. Eles foram encontrados pelo vereador Domingos Protetor (PSC), após receber denúncias no gabinete dele. Ambos foram levados para uma clínica veterinária e estão sendo cuidados após sofrerem ferimentos graves. Em um desses casos, ele afirma que recebeu informações de quem é o tutor e que vai denunciar na delegacia. O vereador afirma que casos de maus-tratos vêm aumentando na cidade: só ele tem recebido mais de 100 denúncias e faz pelo menos 30 resgates por mês.

Os casos de sexta-feira ocorreram pela manhã. No primeiro, coletores de lixo encontraram o animal dentro de uma lixeira em frente ao conjunto habitacional do Vicenzo Rivetti. De acordo com Domingos Protetor, um dos coletores tirou o cão da lixeira e outros moradores locais acionaram o vereador. Ele conta que encontrou o cachorro com sinais que indicam sofrimento de alguns dias.

“Rapidamente eu me dirigi ao Carangola, encontrei o cachorro lá em uma situação lastimável, com bicheira, mau cheiro, uma coisa realmente deprimente”, afirmou o vereador. “Bicheira” é nome popular de uma doença chamada miíase, que é um problema de pele causado por larvas de mosca varejeira. Diante do quadro, ele levou o cachorro para uma clínica veterinária parceira dele que fica no Alto Independência. Enquanto fazia esse primeiro socorro, ele foi acionado uma segunda vez.

O outro caso ocorreu na Rua 24 de Maio. Moradores pediram ajuda para resgatar uma cachorra que fugiu da casa da tutora há cerca de um mês. Eles relataram que a tutora prendeu a cachorra com fitilho de amarrar caixas e embalagens, ou seja, um material que não arrebenta facilmente, porque “ela estava dando muito trabalho”, segundo contou o vereador.

“Só que a cachorra filhote fugiu com o fitilho pendurado no pescoço, o pessoal tentava pegar, mas ela fugia, ela é muito arisca. E aí conforme ela foi crescendo, o fitilho do pescoço dela foi rasgando a carne”, disse Protetor.

Essa cachorrinha se escondeu em um buraco. Para conseguir fazer o resgate, ele precisou usar uma gaiola. Os ferimentos foram observados assim que ela foi capturada e também foi levada para a clínica veterinária do Alto Independência. “Está internada, com o pescoço todo dilacerado, a cara inchada por causa de uma infecção”, explicou o vereador.

Vereador diz que vai denunciar tutor de cão resgatado na 24 de Maio

Nesse segundo caso, os moradores da 24 de Maio que fizeram contato informaram ao vereador que sabem que é o tutor. Por isso, Domingos disse que vai pegar o laudo veterinário para registrar um Boletim de Ocorrência na delegacia e procurar testemunhas.

“Segundo testemunhas, a segunda (cachorra) tem dona. A dona negligenciou o cachorro, mas como não temos provas, primeiro vou pegar o laudo do médico veterinário e pegar duas ou três testemunhas de que a mulher era dona do cachorro para fazer o boletim de ocorrência para ela ser criminalizada”, garante o vereador.

Desde 2020, a pena para maus-tratos foi ampliada: o crime agora é punido com prisão de dois a cinco anos, multa e proibição da guarda do animal. Antes, a pena era de detenção de três meses a um ano, além de multa. Essa alteração foi possível depois da aprovação da “Lei Sansão”, que agravou o que previa a Lei de Crimes Ambientais, em vigor no país desde 1998. A Lei Sansão foi criada depois de um caso em Minas Gerais, quando um pitbull teve duas patas cortadas por um homem com um facão.

Aumento de casos e de crueldade

Segundo o vereador, só ele recebe mais de 100 denúncias de casos de maus-tratos todos os meses. Ele diz que a maior parte são de denúncias falsas ou que ele consegue resolver com orientações aos tutores sobre como devem se comportar e mudar o tratamento com os animais. Ainda assim, ele conta que tem feito cerca de 30 resgates por mês.

“Antes era pouco divulgado. Já tinha essa quantidade de situações de maus-tratos com os animais, só que não era divulgado tanto porque a gente não tinha rede social. De um tempo para cá, começou a formar vários grupos em redes sociais e esses grupos postam muito essas situações. Então se tornou uma coisa mais visível e a gente tem visto que realmente infelizmente tem aumentado o número de animais sofrendo maus-tratos”, analisa.

Domingos ainda chama a atenção que, além do aumento de casos, também tem percebido que eles estão mais cruéis.

“Não sei se é uma falta de esclarecimento da população, falta de conscientização, uma falta de estar mostrando a lei que agora é mais rígida no caso de cães e gatos para que maltrata. Acho que tem pouca divulgação da lei, pouco esclarecimento das pessoas para que elas estejam a par dessas leis, para que elas possam estar sendo proibidas ou intimidadas pelo menos a não fazer esse tipo de crueldade com os bichos”, coloca.

Ele acredita que a ampliação da política de castração pode ter um papel importante e também cita a necessidade de expandir o que está previsto em uma lei de autoria dele que permite a microchipagem de animais, mas que atualmente só é feito efetivamente naqueles que são castrados e tratados por esporotricose (micose que atinge principalmente os felinos).

“Temos que ver como vamos viabilizar isso para poder chipar os animais, porque, por exemplo, nesses dois casos, se tivesse os animais chipados, a gente poderia descobrir realmente quem é o tutor e criminalizar ele por questão de abandono e maus-tratos”, comenta.

Por Rômulo Barroso

Fonte: Diário de Petrópolis

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