Caixas misteriosas achadas no litoral nordestino podem ser tóxicas para animais marinhos, diz governo de Pernambuco

Caixas misteriosas achadas no litoral nordestino podem ser tóxicas para animais marinhos, diz governo de Pernambuco
'Caixas misteriosas' reapareceram no litoral pernambucano — Foto: Clemente Coelho Júnior/Reprodução/WhatsApp

As caixas misteriosas que apareceram no litoral nordestino podem ser tóxicas para os animais marinhos, de acordo com o secretário estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco, José Bertotti. O material, que contém látex, foi localizado em praias de Pernambuco em outubro de 2018 e voltou a aparecer no fim de junho e começo de julho.

“Esse material é tóxico para tubarões e tartarugas, por exemplo, porque, em alto-mar, é confundido com alimento. Ele é tóxico para quem vai ingerir, porque quando você faz o processo de beneficiamento do látex, alguns metais pesados são utilizados. Quem ingerir, obviamente, vai se contaminar”, explicou o secretário.
 

No dia 23 de junho, uma caixa misteriosa intrigou pessoas que passaram pela praia do Sossego, em Itamaracá, no Grande Recife. Uma situação semelhante foi registrada em Ipojuca, no Litoral Sul do estado. Segundo a prefeitura local, 14 fardos “do mesmo tipo do material localizado em 2018” foram localizados no município.

De acordo com José Bertotti, o material que compõe os fardos é uma espécie de borracha. As caixas encontradas em Pernambuco foram recolhidas pela Capitania dos Portos.

Pesquisadores do Instituto de Ciências do Mar (Labomar), da Universidade Federal do Ceará (UFC), concluíram que os pacotes eram provenientes de um navio alemão que naufragou no litoral nordestino em 1944.

Pacote localizado em 2018, na Praia do Janga, em Paulista, no Grande Recife — Foto: Paula Costa/ WhatsApp

A Polícia Federal também emitiu um laudo, informando que as caixas não oferecem nenhum risco à população e podem ser utilizadas para reciclagem. 

“A caracterização desses fardos localizados recentemente reforça muito a hipótese de que isso é matéria-prima da indústria que produz materiais derivados do látex. Hoje, há substitutos químicos, mas esse material ainda é utilizado para muitos produtos, como preservativos. O Brasil já foi um grande exportador dessa substância, na Amazônia, mas hoje em dia isso é feito mais por países do Sudeste asiático, como Indonésia e Malásia”, declarou o secretário.
 

O navio ao qual os fardos são atribuídos naufragou entre 1º e 4 de janeiro de 1944, mas só foi descoberto mais de 50 anos depois, em 1996, a cerca de mil quilômetros do litoral. A descoberta ocorreu durante pesquisas para tentar identificar a origem das manchas de óleo que surgiram no litoral do Nordeste.

O navio “SS Rio Grande” utilizava nome brasileiro para se disfarçar dos inimigos de guerra e era carregado com esses fardos de borracha. Ele foi afundado por forças aéreas dos Estados Unidos. Apesar de haver essa hipótese, segundo José Bertotti, ainda não é possível saber o porquê de as caixas reaparecerem tempos depois.
 
“Isso é uma investigação da Polícia Federal, mas não temos nenhuma hipótese plausível para isso. Não sabemos se o navio naufragado ia liberando esse material aos poucos ou se perdeu parte da carga, por exemplo, ainda em trânsito. É mais um mistério do nosso mar”, declarou o secretário.

O material encontrado em Pernambuco foi enviado para centros de tratamento de resíduos, de acordo com recomendação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Por meio de nota, o órgão informou que ficou sabendo dos episódios há algumas semanas, não só em Pernambuco, mais em outros estados do Nordeste.

“Em 2018, encaminhamos ofício a todas as prefeituras dos municípios litorâneos, informando os resultados de perícia técnica realizada pela Policia Federal caracterizando o material como, ‘latex natural’, e quanto à destinação adequada, aterros sanitários ou reciclagem. Considerando o reaparecimento dos fardos, vamos reenviar os ofícios para reforçar as orientações”, disse o Ibama.
 
Vídeo: Caixas misteriosas chamam atenção em praia de Ipojuca, em Pernambuco.

Por Pedro Alves

Fonte: G1

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