Câmara de Lisboa acusada de barbaridade por apanhar pombos com rede

Câmara de Lisboa acusada de barbaridade por apanhar pombos com rede

Um vídeo que, alegadamente, mostra os serviços de higiene pública da câmara municipal de Lisboa a apanhar pombos com recurso a uma rede está a gerar críticas. Este ano, o PAN da capital tinha já denunciado que a autarquia “capturou 7.420 pombos para avaliação do estado sanitário, sem prestar quaisquer esclarecimentos quanto ao seu paradeiro.”

Atraídos pelo milho, os pombos são apanhados pela rede lançada por uma máquina enquanto estão a comer. Os animais ficam presos graças a esta técnica da equipa de Higiene Urbana da câmara municipal de Lisboa, que foi registada num vídeo e divulgada nas redes sociais, conta esta quinta-feira o ‘Jornal de Notícias’.

Àquele diário, a associação de bem estar animal Animal Save and Care Portugal considera a técnica “bárbara”, dizendo ser “inaceitável que a câmara continue a promover capturas em série.”

Para o grupo municipal do PAN, as imagens são também “chocantes” e “não se coadunam com uma sociedade evoluída”, cita ainda o jornal.

As terão sido recolhidas na praça das Flores, não muito longe da Assembleia da República, em Lisboa. São visíveis os funcionários da câmara municipal, acompanhados por um agente da polícia municipal da cidade, a capturar os pombos.

Durante o vídeo, a autora interpela o polícia, que explica tratar-se de “um tratamento de pragas”, devendo os pombos ser libertados noutro local, longe da cidade. Os animais bem se tentam libertar das redes, mas, ainda assim, o agente garante que “está tudo bem tratado, aqui ninguém sofre.”

Em respostas ao ‘Observador’, o executivo liderado por Fernando Medina (PS) alerta para as “muitas espécies de bactérias, vírus e protozoários potencialmente patogénicos ara o homem” que os pombos podem transmitir — ainda por cima quando têm “contacto estreito em particular para a faixa mais vulnerável: crianças, idosos e imunodeprimidos.”

A autarquia recusa ainda que o procedimento captado nas imagens se trate de um extermínio, sendo o objetivo “testar o estado higiossanitário da espécie.” Assim, será possível acautelar aquilo que a autarquia diz serem as “consequências para a saúde pública” e dar resposta “Às graves situações de insalubridade e perigo para a saúde pública e ambiente urbano.”

Porém, já em maio o PAN pediu esclarecimentos à câmara, alertando para o desaparecimento de mais de sete mil pombos em apenas um ano. “Num ano, a Câmara Municipal de Lisboa capturou 7.420 pombos para avaliação do estado sanitário, sem prestar quaisquer esclarecimentos quanto ao seu paradeiro”, podia ler-se em comunicado enviado pelo partido às redações.

“Para pôr fim a esta política de captura e abate de pombos, o PAN/Lisboa avançou com uma recomendação, que será discutida e votada amanhã na Assembleia Municipal, para que estes animais deixem de ser considerados pragas e passem para o pelouro do bem-estar animal, deixando de ser incluídos na Higiene Urbana”, dizia ainda o documento.

O Grupo Municipal do PAN propunha também a criação de “um grupo de trabalho específico para a implementação de uma rede de pombais contracetivos, nomeadamente em edifícios já existentes, e para a criação de um Regulamento Municipal sobre esta matéria”.

Quanto aos pombais contracetivos, o PAN refere que estes “são o método mais ético e eficaz de controlo da população de pombos, sendo esta uma luta antiga do PAN na cidade de Lisboa, que data de 2015, ano em que o Grupo Municipal apresentou a primeira de várias recomendações pela implementação destes equipamentos”.

“A autarquia continua a resistir à implementação dos pombais, existindo, ao fim de quase seis anos, apenas cinco que estão a funcionar a meio-gás. Prefere antes continuar com a prática bárbara que é capturar e abater os pombos, encarando-os como uma praga ao invés dos animais sencientes que são”, afirmava o deputado municipal do PAN, Miguel Santos.

“No espaço de um ano foram capturados, que se saiba, 7.420 pombos e, quando confrontada com isso, a Câmara Municipal não responde. Mas todos sabemos que a ausência de resposta também é uma resposta e, neste caso, denota falta de vontade política e de interesse em resolver esta questão de forma empática, como ditam os valores do século XXI”, conclui o deputado, citado nesse comunicado.

Fonte: TV Sapo 24 / mantida a grafia lusitana original 

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