Campanha alerta sobre o risco de atropelamento de animais na estrada em Águas da Prata, SP

Campanha alerta sobre o risco de atropelamento de animais na estrada em Águas da Prata, SP

A ONG Guará distribuiu panfletos em Águas da Prata (SP) no domingo (13) para alertar sobre o risco de atropelamento de animais nas estradas. O evento foi realizado durante o Dia Nacional Urubuzar para alertar motoristas e a população sobre esse tipo de acidente.

No bosque, um dos pontos turísticos da cidade, os visitantes receberam os panfletos que alertam sobre o grande número de animais atropelados em rodovias. Os voluntários da ONG Guará, de defesa dos animais, querem mobilizar a sociedade para que sejam criados passarelas e túneis subterrâneos que permitam a travessia dos bichos sem que eles tenham que passar pela pista.

Macacos atravessam constantemente a rodovia em Águas da Prata (Foto: Éder Ribeiro/EPTV)
Macacos atravessam constantemente a rodovia em Águas da Prata (Foto: Éder Ribeiro/EPTV)

Melhorias no trecho

“Tem que ter mais sinalização, tem que ter mais lombadas, aqui é uma área de proteção ambiental, um corredor de nossa biodiversidade de fauna. Então há necessidade de mecanismos de passagem de fauna”, afirmou a membro da ONG Guará, Elaine Cristina da Silva.

A mobilização é parte de uma campanha nacional organizada pelo Sistema Urubu, uma rede social que reúne dados sobre a morte de animais selvagens em rodovias e ferrovias. As informações podem servir de apoio para o governo e as concessionárias criarem medidas de proteção aos animais.

Aplicativo

No aplicativo para smartphone “Sistema Urubu”, a pessoa quem encontra um animal morto na pista tira uma foto do bicho e envia. Os dados são avaliados por pesquisadores e especialistas em identificação de espécies. “A gente viaja todo o Estado de São Paulo e Minas Gerais, então você vê muitos animais atropelados nas rodovias”, disse o eletricista Diones Lopes.

Aplicativo ajuda pesquisadores a terem dados sobre atropelamentos (Foto: Eder Ribeiro/EPTV)
Aplicativo ajuda pesquisadores a terem dados sobre atropelamentos (Foto: Eder Ribeiro/EPTV)

“Então tem como ver os locais com maiores índices de atropelamentos e então discutir com as esferas do governo federal, estadual e as concessionárias das estradas, quais as medidas para evitar esses atropelamentos”, contou a voluntária Teicianne Freitas.

Atropelamentos

Segundo o Sistema Urubu, 465 milhões de animais silvestres são atropelados por ano em todo o Brasil. O produtor rural Edson Ricci, recebeu o panfleto e apoia a iniciativa para reduzir essa matança.

“Eles não têm consciência do que eles estão fazendo, que eles vão atravessar a pista, mas a gente, com essa ONG, está tendo consciência de fazer algo por eles, eu acho muito válido”, disse Ricci.

Travessias

A dona de casa Edna Ricci lembra que a travessia de animais na pista também é um risco para quem trafega nas rodovias. “A sobrinha estava indo da nossa chácara para Pinhal e ela se deparou com capivaras, que naquela região tem muitas capivaras, e para não atropelar as capivaras, ela se assustou quando viu aquele bando de capivaras passando, nisso ela sofreu um acidente, ela subiu no barranco, capotou, o carro ficou destruído”, disse.

Os macacos que vivem no bosque também são vítimas de atropelamentos na rodovia que passa ao lado. No ano passado o Jornal da EPTV mostrou o problema. Os ambientalistas denunciaram a falta de sinalização que alerta os motoristas sobre a presença de animais silvestres e pediam a criação de uma passarela para os macacos, que até hoje não foi criada.

Abaixo-assinado

Durante a mobilização foi feito um abaixo assinado para pedir de novo que a passarela seja feita. A comerciante Amanda Rocha é uma das que assinaram. Ela trabalha em uma das barracas de comida do bosque e diz que já viu vários macacos serem atropelados. “E com certeza essa passarela vai ser muito bem vinda para eles, evitar atropelamentos, evitar qualquer tipo de dano aos animais”.

A reportagem entrou em contato com a concessionária que administra o trecho entre Águas da Prata e São João da Boa Vista para perguntar sobre a construção da passarela, mas por causa do feriado, não teve retorno.

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