Campanha para população não alimentar pombos causa polêmica no Rio

Campanha para população não alimentar pombos causa polêmica no Rio

ONG vai denunciar caso ao MP. Entre as doenças provocadas pela ave está a criptococose.

Por Simone Candida

A prefeitura do Rio lança nesta terça-feira uma campanha com objetivo de orientar cariocas a não alimentarem os pombos da cidade. Batizada de “Criptococose: não seja cúmplice”, a ação, organizada pela Vigilância Sanitária do município, tenta informar sobre os riscos que a superpopulação dessas aves pode provocar à saúde, além de oferecer alternativas para afastá-las e diminuir os riscos. A decisão de incentivar a população a não dar comida às aves, no entanto, foi alvo de críticas. A ONG SOS Aves e Cia acusa a prefeitura de crime ambiental e pretende denunciar o caso ao Ministério Público Estadual.

— Estou estarrecido. Não posso acreditar que isso seja verdade. É um absurdo porque, na verdade, nas entrelinhas, eles vão levar a ave à morte. O pombo é animal domesticado, que não sabe se alimentar sozinho. Está sendo cometido um crime ambiental. Há outras formas de controle populacional — afirmou Paulo Maia, da ONG SOS Aves e Cia.

De acordo com a Vigilância Sanitária, entre as principais zoonoses que o pombo provoca está a criptococose. A doença é considerada a mais grave porque ataca as vias respiratórias: o ser humano inala a poeira das fezes ressecadas do pombo, que são carregadas de fungos prejudiciais à saúde. As outras doenças provocadas pelo contato com as fezes são histoplasmose, clamidiose, salmonelose, dermatites e alergias. A Secretaria Municipal de Saúde informa que não tem estatística de contaminação, pois as doenças não são de notificação compulsória.

— A critococose é causada por um fungom, cryptococcus neoformans, encontrado nas fezes do pombo. Quando estas fezes ressecam e as partículas ficam suspensas, há risco de contaminação. O ser humano que inalar estas partículas pode desenvolver meningite por fungo ou problemas pulmonares graves — alerta o veterinário da Vigilância Sanitária Silvio Pimentel.

Apesar de alimentar pombos não ser proibido por lei, a campanha quer que a população deixe de dar comida e abrigo às aves. Segundo o órgão, a “abundância de alimentos e a facilidade de acomodação” fazem com que os animais se reproduzam rapidamente, levando a um descontrole e ao surgimento de zoonoses (doenças que os animais transmitem aos homens).

Segundo a Vigilância, a campanha “Criptococose: não seja cúmplice” também orienta a não maltratar os animais e dá dicas para afastá-los sem machucá-los, como, por exemplo, manter os locais em que eles pousam inclinados, instalar produtos para dificultar o pouso (como graxas) e fechar com tela os espaços usados como abrigos.

O presidente da ONG SOS Aves e Cia, Paulo Maia, afirmou estar chocado com a estratégia adotada pela prefeitura. Ele afirma que há outras formar de controle populacional da ave, como a instalação de pombais em praças públicas.

— Além disso, a prefeitura esquece de dizer à população que todas estas doenças não são causadas apenas por pombos. O fungo da Criptococose, por exemplo, pode estar em frutas podres ou em chão de serrarias — afirmou.

Paulo Maia critica o fato de a prefeitura não ter procurado especialistas para pedir sugestões para o problema.

— A exemplo do que acontece em cidades como Paris e Berlim, nossa ONG implantou um projeto-piloto de um pombal na Fonte da Saudade há cerca de três anos. Foi um sucesso: reduzimos a população daquela praça de 600 para 100 pombos. Todos os dias higienizávamos e recolhíamos os ovos excedentes nos ninhos, o que levou a um controle da colônia. Infelizmente, o pombal foi roubado e a prefeitura abandonou o projeto. Porque não nos pediram ajuda e retomaram a ideia? — indagou.

Casos de superpopulação de pombos podem ser informados à prefeitura, que providenciará a ida de técnicos da Vigilância Sanitária ao local. A visita pode ser solicitada pela central de atendimento 1746. Somente em 2016, os técnicos já atenderam 257 denúncias. Em 2015 foram 778.

De acordo com a Vigilânia Sanitária, o problema da superpopulação de pombos atinge todo o município.

— Há uns três anos, tínhamos cinco bairros em que havia maior concentração: Botafogo, Copacabana, Flamengo, Méier e Jacarepaguá. Hoje, a realidade é que em toda a cidade houve um crescimento desordenado da população de pombos — afirma o veterinário, ressaltando que a prefeitura condena o extermínio das aves.

Fonte: O Globo

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