Candidato à prefeitura propõe transição para acabar com veículos de tração animal em Belo Horizonte, MG

Candidato à prefeitura propõe transição para acabar com veículos de tração animal em Belo Horizonte, MG
JoaoVitor_protecaoanimal.jpeg Candidato diz que vai oferecer alternativas aos carroceiros antes da proibição do modelo atual na cidade. - Foto: Uarlen Valério / O TEMPO

Candidato à Prefeitura de Belo Horizonte, o deputado estadual João Vítor Xavier (Cidadania) defende uma transição para acabar com os veículos de tração animal na cidade. A ideia do postulante é conciliar os interesses dos carroceiros que circulam na capital, dando alternativas para que eles continuem desempenhando o trabalho, com o das entidades protetoras dos animais, já que o modelo atual é bastante criticado sob a alegação de maus-tratos.

“A gente não quer que nenhum pai de família fique desamparado. A gente sabe da importância desses profissionais; são pessoas que criam sua família para isso, mas está na hora de a gente dar estrutura como poder público”, disse o candidato, após participar de um encontro com protetores dos animais nesta sexta-feira (6) na Lagoa da Pampulha.

Para viabilizar essa transição, João Vítor pretende oferecer linhas de crédito e financiamento para que os trabalhadores possam substituir os veículos de tração animal. “Está na hora de a gente dar estrutura como poder público, buscar linhas de crédito e financiamento, de complemento com uma bolsa por parte da prefeitura para que essa transição seja feita. Para que eles troquem a tração animal pela motora”, disse, sem entrar em detalhes de como o subsídio funcionaria na prática.

O candidato do Cidadania afirmou que a medida é viável em quatro anos. “Querendo, é possível. Quatro anos é muito tempo. É possível sentar com esses profissionais, discutir as necessidades, o equipamento e a condição adequada (para continuarem trabalhando)”. Ele ainda reforçou que não se pode proibir o uso de animais sem oferecer uma alternativa aos profissionais. “Pra você poder dizer que está proibido, tem que estender a mão para essas pessoas, para que tenham condição de viver, de pagar suas contas, porque amamos os animais, mas também os seres humanos”, complementou.

O parlamentar também quer colocar em funcionamento o Hospital Público Veterinário. A previsão inicial era de que o equipamento passasse a funcionar em outubro do ano passado, mas ela não foi concretizada. João Vítor reforçou a necessidade de parcerias com vereadores, deputados estaduais e federais que defendem a causa animal para a manutenção da estrutura.

“Há, hoje, condição de abrir (o hospital) com pouco de recurso da prefeitura que já foi aplicado. Conversei com um deputado federal que me disse que tem condição de colocar cerca de R$ 12 milhões por ano para essa causa em Belo Horizonte. Então, há dinheiro para isso. Já foram colocados recursos de emendas de deputados para fazer o hospital e aí vamos buscar essas parcerias para a manutenção”, explicou.

Ainda em seu plano de governo, João Vítor defende a implementação de uma política de acolhimento e esterilização animal. Uma das ideias que foram levadas pelos protetores de animais é a ampliação das unidades móveis de castração, sendo uma por regional. O parlamentar afirmou que a medida já é uma realidade em outras cidades e defendeu a ampliação na capital. “Como somos uma cidade muito grande, na hora de se fazer aqui tem que que ser feito com o volume e a abrangência de uma cidade do tamanho de BH”.

Por Sávio Gabriel 

Fonte: O Tempo


Nota do Olhar Animal: Se o candidato cumprirá a promessa caso se eleja o tempo dirá. Mas merece destaque que ele tenha trazido esta pauta para a campanha. Lamentavelmente, quando candidatos incluem os animais em seus discursos/programas é comum que restrinjam suas propostas a ações relacionadas a cães e gatos. O sofrimento imposto aos equinos explorados para tração é terrível e quase sempre negligenciado pelos gestores públicos. Os ganhos obtidos com a escravidão deles nunca é suficiente para garantir que os animais recebam os devidos cuidados dos carroceiros (atendimento veterinário, alimentação, suplementos, etc.). Boa parte dos danos são inerentes à utilização dos animais para tracionar carroças, ou seja, não há como evitá-los sem cessar a atividade. Por outro lado, não há como efetivar uma transição sem incluir neste processo a capacitação dos carroceiros para um novo tipo de tração e mesmo lhes dar apoio financeiro para a mudança. A experiência em Paquetá (RJ) mostrou que a qualidade de vida dos ex-charreteiros, que hoje são condutores de carrinhos elétricos, MELHOROU significativamente conforme depoimento deles próprios. Enfim, que a ideia de libertação dos cavalos prospere em BH, com este ou outro candidato que venha a assumir a Prefeitura nas próximas eleições.

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