Canil de Jaú (SP) está proibido de recolher cães e gatos sadios da rua

Canil de Jaú (SP) está proibido de recolher cães e gatos sadios da rua
Gatos no canil de Jaú: local abriga mais de 180 felinos. (Fotos: Laura Agostinho)

Em rápido passeio por alguns bairros de Jaú é fácil encontrar gatos e cachorros abandonados andando pelas ruas. A situação, apesar de comum, incomoda moradores que defendem o direito dos animais e que buscam alternativas para o caso.

No entanto, há a necessidade de esclarecer como a população deve proceder para auxiliar os animais. A vendedora Valéria Teixeira, de 48 anos, encontrou recentemente uma gata e seus filhotes em mato no Jardim Parati. Na tentativa de resgatá-los, a vendedora acionou o responsável pelo canil municipal de Jaú. “Ele me informou que não havia homens nem equipamentos para realizar o serviço e aconselhou a ligar na Associação Protetora dos Animais (Apaja).” Valéria conta que tentou contato com a responsável pela associação, mas não obteve êxito. Funcionários do Corpo de Bombeiros de Jaú realizaram o resgate dos animais, que estavam arredios.

A história é bastante parecida com a de muitos outros moradores que tentam ajudar animais errantes. Mas, então, a quem recorrer nestes casos?

De acordo com a presidente da Apaja, Danielle Nogueira, a associação age de forma voluntária na tentativa de encontrar lares temporários para animais resgatados. No entanto, por conta de se tratar de iniciativa voluntária, nem sempre é possível ir buscar os animais quando necessário ou retornar o contato de todos instantaneamente. A Apaja não recolhe cães e gatos. “O pessoal acha que se encontra um cachorro na rua já tem que levar para um abrigo, mas não é assim, às vezes, tem muita gente que cuida”, contas Danielle.

Mesmo porque, o canil municipal de Jaú está superlotado.  “Atualmente, temos mais de 300 cães e mais de 180 gatos aqui, onde deveriam ter, no total, até 180 animais”, conta o responsável pelo canil, Rogério Augusto Marcelino. Não há sala de atendimento e cirurgia para os bichos. A área precisa passar por adequações para voltar a prestar o serviço aos animais do canil.

Além disso, a instituição foi recomendada pelo Ministério Público a não receber mais bichos sadios. A determinação foi passada após a Associação de Médicos Veterinários de Jaú (Amveja) protocolar documento junto ao órgão informando as condições precárias de manejo e tratamento dos animais no canil, em novembro de 2017. “Por isso que o castramóvel está lá, para  dar suporte aos animais do canil, já que eles não estavam sendo assistidos”, conta o presidente da Amjeva, o médico-veterinário Giovani Fernando Araújo.

Novos estudos

Araújo informa que há novos estudos que apontam que a melhor alternativa a seguir quando encontrar um animal saudável na rua é não recolhê-lo. “Não tem cabimento você tirar o gato da rua e colocar em uma gaiola com outros animais. Gato odeia companhia. E se vem uma doença mortal, mata todos, como vinha acontecendo no canil”, afirma.

No entanto, a medida só é recomendada caso os animais estejam castrados, para evitar que novos bichos apareçam nas vias públicas.

A Prefeitura disponibiliza o procedimento de castração gratuito no castramóvel, porém, no momento, o equipamento não está funcionando para a população. De acordo com Marcelino, está sendo estudado um local apropriado para instalar o carro, para que possa voltar a atender as demandas.

O presidente da Amjeva avalia que o cachorro de rua, apesar de estar exposto a riscos, pode viver muito melhor do que no canil e receber cuidados e alimento de um grupo de pessoas que moram próximas ao local onde ele fica com frequência. Além disso, Araújo acredita que na rua o animal tem mais chances de ser adotado. “Quando você tira um cachorro da via, você cerceia a chance que ele tinha de ser adotado. É muito mais provável que ele seja adotado na rua do que dentro daquele canil”, completa.

No entanto, o caso é diferente caso o animal abandonado seja encontrado doente. “A Prefeitura tem a obrigação de oferecer atendimento aos animais necessitados. Nestas situações, o cidadão pode acionar o canil e nós o recolhemos”, ressalta o responsável pelo canil. Marcelino ainda explica que é disponibilizado tratamento aos bichos até que se recuperem, os quais, posteriormente, são colocados para adoção.

Rogério Marcelino: gestão canil e castramóvel.
Medicamentos no canil: superlotação.
Fonte: Canil municipal de Jaú.
Fonte: reportagem local.
Fonte: reportagem local.
Funcionária trata cães no canil municipal: há mais de 300 cães no abrigo.

Fonte: Comércio do Jahu 

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