Cão espancado é salvo após ganir três dias numa caixa, em Campinas, SP

Cão espancado é salvo após ganir três dias numa caixa, em Campinas, SP

Um cachorro que passou três dias ganindo em uma caixa, no Jardim Campos Elíseos, em Campinas, foi encaminhado a um hospital veterinário, em Hortolândia, onde segue internado. Bob foi espancado e corre o risco de ficar paralítico. O cão foi resgatado por uma moradora do bairro campineiro, que prefere não se identificar, e que se compadeceu do animal, levando-o para casa.

A mulher, entretanto, não tinha condições financeiras de levá-lo ao veterinário. “Eu não tinha a mínima condição de ajudar, mas como eu iria conseguir dormir com aqueles gritos de dor na minha cabeça? Realmente foi paulada, como haviam relatado. Mas como pode uma pessoa ter coragem de fazer isso? Ele corria atrás de moto porque cachorros são como crianças”.

Diante da situação, a moradora que resgatou o bichinho, decidiu pedir ajuda por meio de uma postagem em uma rede social. Não demorou muito tempo, a protetora Eliane de Souza, de Hortolândia, viu o post na internet e resolveu arregaçar as mangas e agir.

Bob passou por exames que detectaram: doença do carrapato, infecção, anemia e coágulos de sangue na urina. Um RX de coluna também foi feito, mas não detectou nenhuma lesão. Mas, como ele não consegue levantar-se, nem tampouco andar, um exame mais detalhado será feito para verificar a cervical. Entretanto, como necessita de sedação, é preciso que o cachorro seja estabilizado antes de poder fazê-lo. Do contrário, corre risco de morrer, debilitado do jeito que está. O cachorro está tomando antibióticos, anti-inflamatórios e remédios para dor.

“Tentei muito alguém que pudesse assumi-lo, mas não consegui. Eu não poderia nem sonhar em assumir esse caso. Mal estou conseguindo cuidar de todos que já peguei, e que não sou poucos”, afirma a protetora, que tem hoje, sob responsabilidade mais de 70 cães. Eliane tem dois abrigos cheios de cachorros distribuídos por lares temporários.

Sobrevive do “Bazar e Papelaria da Lih” – microempresa que possui e onde trabalha. Não conta com nenhum tipo de ajuda governamental, e só consegue cuidar dessa quantidade de cães devido a doações. Precisa constantemente de ração, vermífugos, remédios, entre outros produtos veterinários. “Já não estou aguentando mais física e psicologicamente”, desabafa. A conta de Bob já alcançou R$ 1 mil.

“Mas como pode uma pessoa ter coragem de fazer isso? Ele corria atrás de moto porque cachorros são como crianças”, moradora do Jardim Campos Elíseos, que encontrou o cachorro.

Abandono

Embora não haja estatísticas oficiais, uma estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que mais de 30 milhões de cães e gatos estejam abandonados nas ruas do Brasil.

Mas, abandonar ou maltratar animais é crime previsto pela Lei Federal nº 9.605/98. Além disso, uma nova legislação, sancionada em setembro do ano passado, aumentou a pena de detenção para quem cometer o crime. Antes, a prisão prevista era de até um ano. Hoje, de até cinco anos. Essa é a Lei Federal nº 14.064/20, que ficou popularmente conhecida como Lei Sansão (em homenagem ao cachorro que teve duas patas amputadas por um facão, mas cujo caso culminou na mudança da legislação).

Além de causar sofrimento aos pets, deixá-los nas ruas traz problemas à população. “O abandono impacta diretamente na vida das pessoas, pois animais nas ruas causam acidentes de trânsito, prejudicam o turismo e afetam a saúde pública”, afirma a médica-veterinária Rosangela Gebara, do Conselho Regional de Medicina Veterinária de São Paulo (CRMV-SP).

O conselho orienta que os interessados devem fazer os seguintes questionamentos antes de adotar ou comprar um pet: todos na família estão de acordo com a presença do animal? Ele terá onde ou com quem ficar quando o tutor for viajar? O animal terá um espaço adequado para dormir e brincar? O tutor terá tempo para fazer passeios e dar a atenção diária que o animal requer? Haverá condições de levar o animal regularmente ao médico-veterinário?

O CRMV-SP orienta ainda como denunciar o abandono e maus-tratos aos animais: reúna provas (como fotos, vídeos, imagens de circuitos de condomínios, áudios), e, com o material em mãos, registre um boletim de ocorrência em uma delegacia. O procedimento pode ser feito pela internet: http://www.ssp.sp.gov.br/depa .

O canal é da Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Estado de São Paulo, e pode ser utilizado anonimamente.

CONTATO DA PROTETORA

WhatsApp: (19) 9-9307-6024
Face: www.facebook.com/eliane.desouza.1069/
Instagram: adote_com_a_eliane

Por Raquel Valli

Fonte: Correio Popular

Os comentários abaixo não expressam a opinião da ONG Olhar Animal e são de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.