Cão que esperava tutor morto em UPA ganhará novo lar; protetora denuncia descaso no CCZ em Cuiabá, MT

Cão que esperava tutor morto em UPA ganhará novo lar; protetora denuncia descaso no CCZ em Cuiabá, MT
Cão chegou a ser retirado da unidade, mas voltou para aguardar pelo dono (Foto: Reprodução Internet)

Resgatado pelo Centro de Zoonoses na segunda-feira (13), o cão que aguardava pelo retorno do tutor na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), deverá ganhar um novo lar em alguns dias. O idoso a quem o fiel cachorro aguardava morreu há uma semana, depois de ter sido levado até a unidade do Paschoal Ramos por uma ambulância, seguida pelo cachorro. A repercussão do caso e a espera chamaram a atenção pelas redes sociais, cativando famílias a oferecerem abrigo ao animal.

A situação foi relatada por funcionários da UPA à protetora independente Saula Ouverney. Ela conta que, após a morte do homem,servidores chegaram a tentar retirar o animal de dentro da unidade algumas vezes, no entanto, ele sempre voltava e ficava deitado no local. Comovida com a situação, uma médica proibiu que retirassem o animal dali, iniciando uma campanha entre organizações de proteção aos animais para conseguir um novo tutor para ele.

Saula, que mobiliza por meio de sua página Radar Animal Cuiabá, interessados em contribuir com a causa, explica que o bicho ficará em observação por 10 dias no Centro de Zoonoses, para evitar a disseminação de doenças como a raiva. Sem os investimentos necessários, o órgão receberá doações de medicamentos, já adquiridos, para a aplicação no cão.

De acordo com a protetora no local há outros cinco animais que também precisam de cuidados e que toda ajuda é bem vinda. “Já conseguimos todos os remédios e levarei lá pra ele. Mas fico imaginando o sofrimento do bichinho, a solidão. Embora a Zoonoses faça sua parte com esse trabalho de observação, não há recursos suficientes para o cuidado necessários aos animais, essa é nossa briga.”

Ela afirma que o animal havia apresentado crises de convulsão e que, nesta terça-feira (13), quando uma voluntária procurou a unidade para fornecer o medicamento, os veterinários se recusaram a aceitar a doação e informaram que não fariam a aplicação. A justificativa seria de que o remédios só poderiam ser dados após uma avaliação clínica feita por um profissional, atribuição que não poderia ser realizada pelos servidores da instituição.

No entanto, eles também não teriam permitido que a protetora levasse o animal a uma clínica veterinária, para o atendimento. “É ridículo. Eles são veterinários e não podem medicá-lo, aí você quer levar o bicho a um profissional que possa e eles também não autorizam. Agora tem que esperar acontecer alguma coisa pra eles poderem ligar e levarmos os remédios. É um absurdo.”

Na sequencia o cãozinho deverá seguir para o lar de uma das oito famílias interessadas em sua adoção. A escolha do novo lar acontecerá depois de uma análise feita pelos protetores, que consideram a estrutura da residência, que precisa ter muro e outros fatores que poderão indicar se o cachorro não voltará para rua.

Ela, que abriga 17 bichos em casa explica que o trabalho, feito voluntariamente, é constante e que as demandas tendem a crescer no final do ano, época em que muitas pessoas viajam e abandonam cães e gatos. Membro da Associação Voz Animal (AVA), ela ressalta ainda o trabalho da instituição e da contribuição da protetora Ângela Furtado, com quem divide o mérito de muitos resgates. “Vivemos apagando fogo. A pessoa tem que ter responsabilidade, não é só pegar o bicho e depois largar.”

Assim, diante da recorrência de casos, interessados em contribuir com outras histórias de animais abandonados ou vítimas de maus tratos podem entrar em contato por meio das páginas Radar Animal Cuiabá e Associação Matogrossense Voz Animal. A ajuda pode ser feita por meio de doações de remédios, castrações, abrigos temporários ou lares definitivos oferecidos aos animais, que já são entregues castrados.

“Não é fácil, mas não consigo, por exemplo, passar por uma rua, ver um bicho agonizando e simplesmente seguir sem fazer nada. Posso parecer meio louca, mas pra mim isso contribui para um mundo melhor. Se você quer um mundo diferente, precisa tomar uma iniciativa. Não podemos resolver tudo, mas se salvamos uma vida, isso tem valor”, finaliza.

Outro lado

A Secretaria de Saúde de Cuiabá, responsável pelo Centro de Controle de Zoonoses informou que não tem como função o bem estar animal, ou seja, sua função é vigilância de zoonoses – que significa, observar animais com suspeitas de algum tio de zoonose que possa ser transmitido ao homem. Sendo assim, o órgão não faz atendimento de saúde para animais, uma vez que esta é uma função de hospitais e clínicas veterinárias.

Com relação aos medicamentos foi informado que, se o animal está ainda em observação é porque está ainda sendo avaliado o que significa que os especialistas não chegaram a uma conclusão ou definição sobre que tipo de zoonose que ele possa ou não ter. Não é recomendo a administração de medicamentos que possam até mesmo mascarar sintomas.

No Centro de Controle de Zoonoses há veterinários especializados e eles seguem as condutas preconizadas pelo Ministério da Saúde nesses casos que é observação do animal durante um período de aproximadamente 10 dias.Por meio de nota a Pasta reforçou que seria uma “temeridade” dos profissionais permitir que quem quer que fosse retirasse o animal antes do prazo sendo ele um animal agressor.

“A conduta adequada nesse caso é justamento essa, aguardar o período de observação e após esse período o animal é disponibilizado para doação, caso não se constate nenhum tipo de zoonose. Não é que seja proibida a doação de remédios, o fato é que lá não é hospital ou clinica veterinária, a unidade não tem essa função. Os animais chegam ali, ficam em observação e caso não tenham nenhum problema são disponibilizados para a adoção.”]

Por André Garcia Santana 

Fonte: Olhar Direto

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