Capivaras do Rio Pinheiros poderão ser esterilizadas para controle populacional, diz prefeitura

Capivaras do Rio Pinheiros poderão ser esterilizadas para controle populacional, diz prefeitura
Capivara tranquila no Rio Pinheiros — Foto: Carlos Henrique Dias/g1

Em meio ao caos da Marginal da Pinheiros, a presença das capivaras paulistanas dá outro clima à margem do rio. Com aparência tranquila, elas já inspiraram um monumento na ciclovia do Pinheiros. A Prefeitura estuda esterilizar os animais para garantir o controle populacional.

Atualmente, o bicho está no foco de um debate nacional com a capivara Filó, do Amazonas, criada pelo influencer Agenor Tupinambá. Segundo o Ibama, o influencer foi multado por práticas relacionadas à exploração indevida de animais silvestres para a geração de conteúdo em redes sociais, e o caso foi parar na Justiça.

Na selva de pedra, a capivara Judith e seus filhotes, entre eles a Duda, passeiam “de boa” pelas margens do Rio, prática chamada “deboísmo”, típica dos bichos-preguiça, girafas e das capivaras, os maiores roedores do mundo.

As capivaras no Pinheiros atualmente chegam a ao menos 120 ao longo dos 20 quilômetros do rio na capital. Elas registraram um pequeno aumento e, apesar de hoje não serem consideradas um problema, podem vir a ser. Por isso, a prefeitura, pela Divisão da Fauna Silvestre, afirmou ao g1 que estuda com o Projeto CAPA (Centro de Apoio e Proteção Animal) esterilizá-las a fim de controlar a população nos próximos anos.

“Apoiamos que sejam todas esterilizadas, porque hoje não são um problema, mas podem vir a ser se houver um grande aumento populacional. Atualmente, monitoramos 120. Se esse número aumentar em cerca de 50%, pode começar a ter briga por território, por exemplo”, explica Mariana Aidar, presidente ONG Projeto CAPA.

Capivaras bebês à margem do Rio Pinheiro — Foto: Carlos Henrique Dias/g1
Capivaras bebês à margem do Rio Pinheiro — Foto: Carlos Henrique Dias/g1

Segundo a ativista, o procedimento custa cerca de R$ 2,5 mil por cada animal, e a meta é colocar a medida em prática até o fim do ano.

Atualmente, a ONG acompanha cerca de 10 famílias semanalmente. São coletadas amostras de sangue e dos carrapatos para verificar a presença de febre maculosa.

“Nunca tivemos um carrapato transmissor da febre maculosa nas margens do Rio Pinheiros”, afirma Mariana, que aconselha que a população não tente se aproximar das capivaras, apesar de serem tranquilas.

“Vivem super bem, melhorou muito a qualidade de vida nos últimos 5 anos, mas são animais silvestres. Elas são tranquilas, mas podem querer se proteger a qualquer momento.”

Mariana Aidar, empresária e ativista animal, do Projeto CAPA (Centro de Apoio e Proteção Animal) — Foto: Reprodução
Mariana Aidar, empresária e ativista animal, do Projeto CAPA (Centro de Apoio e Proteção Animal) — Foto: Reprodução

De acordo com a prefeitura, a Guarda Civil Metropolitana orienta que as pessoas não se aproximem dos animais e respeitem o habitat do animal. Em caso de animais na via, as pessoas podem ligar para a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) pela Central 156 ou a Central de Monitoramento da GCM, por meio do número 153.

Ainda segundo a prefeitura, não deve ser feita a retirada e transferência de capivaras nas marginais para outras áreas “pois pode prejudicar o convívio com populações existentes, gerar desequilíbrios e conflitos entre os grupos”.

O g1 pedalou na tarde de segunda-feira (1º) do trecho da estação da Vila Olímpia até a estação da Cidade Universitária. Em cerca de 20 minutos, a reportagem viu cerca de 15 animais divididos em três famílias.

Outros ciclistas também fotografaram as capivaras, que pareciam só preocupadas com a grama verde.

Segundo uma pesquisa da bióloga Beatriz Lopes, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado (Fapesp), as capivaras de São Paulo são dóceis e mais ativas antes do nascer do sol, entre 4h e 5h da manhã, e depois do pôr do sol, até cerca de 21h, com maior risco de sofrerem ou causarem acidentes quando cruzam ruas ou estradas.

Estátua de Capivara na margem do Rio Pinheiros — Foto: Carlos Henrique Dias/g1
Estátua de Capivara na margem do Rio Pinheiros — Foto: Carlos Henrique Dias/g1

Melhora na poluição do rio

O Projeto CAPA não monitora o Rio Tietê, mas recebe informações sobre os animais que lá vivem e não há um “censo” sobre os grupos da espécie. No entanto, os atropelamentos na marginal são uma preocupação.

“Tanto no Pinheiros quanto no Tietê, mesmo com poluição, elas vivem bem e são bem tratadas. Elas têm alimentos e, ainda, muito espaço”, diz Mariana.

Segundo o relatório da Fundação SOS Mata Atlântica Observando os Rios 2023, de março, que retrata a qualidade da água de todos os rios das Bacias Hidrográficas da Mata Atlântica, o resultado dos 106 pontos de análise comparáveis entre 2021 e 2022 apontou estabilidade da média da qualidade da água, com indicativo de pequena melhora.

Oito pontos das bacias tiveram qualidade considerada boa (antes eram sete), 80 com qualidade regular (em 2021, eram 75) e 15 ruins (21, em 2021). Os três pontos considerados péssimos são do Rio Pinheiros, em São Paulo. Apesar disso, nos últimos anos, o projeto de despoluição do rio trouxe algumas melhorias.

Capivara comendo grama — Foto: Carlos Henrique Dias/g1
Capivara comendo grama — Foto: Carlos Henrique Dias/g1

O que diz a prefeitura

“A Prefeitura de São Paulo, por meio da Divisão da Fauna Silvestre (DFS) da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente (SVMA), reforça que a retirada e transferência de capivaras residentes nas Marginais para outras áreas de ocorrência da espécie não é recomendada, pois pode prejudicar o convívio com populações existentes, gerar desequilíbrios e conflitos entre os grupos que convivem nesses ambientes.

A SVMA atuou junto ao governo do Estado quando da implantação do Parque Bruno Covas, realizando o levantamento de fauna na área. A população de capivaras presente tanto no Parque, quanto na ciclovia da Marginal Pinheiros é acompanhada pelo Projeto CAPA (Centro de Apoio e Proteção Animal).

Além disso, estão em andamento tratativas com o projeto para, em conjunto com a DFS, estudar a possibilidade de esterilizar esses animais a fim de controlar a população ao longo dos anos.

Resgate de animais

A DFS recebe os animais feridos, incluindo os atropelados nessas áreas da Marginal Pinheiros, para atendimento e reabilitação no CeMaCAS – Centro de Manejo e Conservação de Animais Silvestres, a fim de que voltem ao seu habitat.

A Guarda Civil Metropolitana orienta os munícipes a não se aproximarem dos animais por conta de risco de ataque (mordedura), respeitando o habitat do animal. Em caso de animais na via, os munícipes podem acionar a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) pela Central 156 ou a Central de Monitoramento da GCM, por meio do número 153.”

Por Carlos Henrique Dias

Fonte: g1

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