Carro da PM invade calçada, atropela e mata cachorra em Curitiba; VÍDEO

Carro da PM invade calçada, atropela e mata cachorra em Curitiba; VÍDEO
Carro da PM passou pela calçada, atropelou a cadela e os policiais não prestaram socorro. — Foto: Reprodução/Câmera de Segurança.

Maria era uma cadela vira-lata e companheira de um morador de rua que vivia pela Travessa Nestor de Castro, no Centro de Curitiba. No domingo (28), a cachorrinha dormia na calçada, em cima de uma sacola com suas roupinhas, quando foi atropelada por um carro da Polícia Militar (PM), que invadiu a calçada.

Os policiais foram embora sem prestar socorro ao animal, que agonizou até a morte. O atropelamento foi flagrado por uma câmera de segurança.

O barbeiro Eduardo Moreira, 32 anos, que mora num prédio em frente ao ponto, disse que se assustou com os gritos da cadela. “Escutei os gritos horríveis da cachorra, de sofrimento mesmo. Até pensei que poderia ser algum cachorro brigando na rua, mas desci correndo e vi o desespero do morador de rua”.

Quando Eduardo chegou, o carro da PM já tinha saído. “A cachorrinha estava no chão, agonizando, e o tutor em pânico. Ela tinha coleira, roupinhas, era bem cuidada, sabe? Foi desumano, foi horrível. Não acreditei que a polícia fez isso na calçada”.

Revoltado, o barbeiro tirou fotos da cadela morta na calçada e postou nas redes sociais, contando o que havia acontecido. “Não tínhamos mais como salvá-la, então resolvi denunciar, porque um caso desses não pode ficar impune”.

“O que eu senti foi um aperto no coração em não poder ajudar muito, não conseguir pensar no que fazer. Para mim, foi muita sujeira mesmo”, comentou Eduardo. 

Delegacia do Meio Ambiente investigou
 
A postagem repercutiu e chegou até a Delegacia do Meio Ambiente. “O delegado pediu meu depoimento, fui até a delegacia e as investigações começaram por lá. As imagens da câmera de segurança são muito claras, nem tem o que confrontar”, comentou Eduardo.

Segundo o delegado Matheus Laiola, a testemunha foi ouvida e o inquérito aberto, mas a Polícia Civil não teve como continuar com as investigações. “Encaminhamos o procedimento à corporação, porque os policiais estavam em serviço, então cabe à PM apurar a conduta dos policiais”, explicou.

Procurada, a Polícia Militar informou que abriu um procedimento administrativo para apurar a atuação e a conduta dos policiais envolvidos na situação.

Logo após atropelamento, morador de rua e tutor da cadela se desesperou, mas não conseguiu salvar o animal. — Foto: Reprodução/Câmera de Segurança.

Indignação
 
Para o barbeiro que denunciou o caso à polícia, o atropelamento de Maria não pode ficar impune. Principalmente porque os policiais estavam em serviço.

“A atitude humana seria de, pelo menos, pedir que o tutor tirasse a cadela dali para que passassem com o carro. Para a polícia não restou provas do que aconteceu, mas agora como está com a PM, a sociedade também tem que se revoltar e cobrar que a Justiça seja feita, que a lei seja cumprida”, desabafou Eduardo.

Desde o dia do atropelamento, o tutor da cadela sumiu. “Ele pegou o corpo da cachorrinha e levou com ele. Sumiu. Não sabemos nem o que passou pela cabeça depois, de tanta dor. Moradores de rua cuidam melhor dos bichos do que muita gente, pois são seus companheiros, estes policiais não tinham o direito de fazer isso”.

Buscando que a lei seja cumprida, como disse Eduardo, o barbeiro destacou que não se pode generalizar. “Não é o que todos os policiais fariam. Mas estes PMs deviam ter pensado, pois eles podem ter cachorro em casa. E se fosse com eles? Aceitariam?”.

Por Lucas Sarzi

Fone: G1

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