Casal enfrenta dificuldades em socorrer sagui em Mogi, SP

Casal enfrenta dificuldades em socorrer sagui em Mogi, SP
Sagui-da-serra-escuro será operado nesta sexta-feira (Foto: Divulgação)

Terça-feira última, quando passava pela Estrada do Nagao, o casal Silvia e João Donizete avistou um sagui caído no asfalto. Eles viram o pequeno animal machucado, vítima de uma queda ou de um acidente automobilístico. A partir daí, começaram a viver as dificuldades que podem ser enfrentadas por quem se dispõe a socorrer uma espécie silvestre como um sagui-da-serra-escuro, conhecido dos mogianos por ter conseguido impedir a construção do primeiro aterro sanitário projetado para o Taboão, em uma das administrações do ex-prefeito Waldemar Costa Filho (1923-2001).

Silvia e João começaram a procurar ajuda na Polícia Ambiental, depois, no Centro Municipal de Controle de Zoonoses, até chegarem ao veterinário Jefferson Leite, que tem atuado no atendimento de animais silvestres, na clínica particular que possui.

“Estranhamos porque o policial disse para procurarmos um veterinário particular. Como assim? Não somos pobres, mas não temos condições de pagar um veterinário. Porém temos coração e não iríamos deixar o ‘macaquinho’ na estrada”, disse Silvia.

À falta de um serviço especializado no atendimento a animais silvestres, situações como a vivida por esse casal são comuns e arriscadas. “Um animal como esse pode transmitir doenças como a raiva e as pessoas que fazem o socorro estão expostas a esse e a outros vírus ao manipular a espécie”.

Aos leigos, não é recomendado o socorro aos animais silvestres, hospedeiros de vírus de doenças como a raiva. A sugestão é acionar os serviços públicos disponíveis, como a Polícia Ambiental, para o recebimento de orientações e o encaminhamento correto dessas ocorrências.

O veterinário socorreu a fêmea adulta do Callithrix aurita que apresentava escoriações e um trauma em uma das patas. O sagui seria submetido a uma cirurgia, ontem à noite, e está com parte do corpo imobilizada. Após a recuperação deve ser encaminhado para um serviço especializado até a completa recuperação.

Ao casal, foi recomendada a adoção de medidas de proteção contra a raiva.

Leite afirma que as cidades da Região estão desprovidas de instrumentos para o acompanhamento dos acidentes registrados por causa da diminuição das áreas verdes, o que pressiona os animais a circularem na zona urbana em busca de abrigo e alimento. Ele e o vereador Claudio Miyake (PSDB) têm demonstrado a autoridades municipais e ao Estado a importância de criar o Cetas (Centro de Triagem de Animais Silvestres). O serviço é especializado no atendimento a esses animais e também no acompanhamento da convivência entre eles e o homem.

O Diário encaminhou questionamentos à Assessoria de Imprensa da Polícia Militar sobre a ocorrência, e não obteve respostas até o fechamento desta edição.

Por Eliane José 

Fonte: Diário de Mogi

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