Casal que cria 120 cães achados na rua, em Santa Isabel (SP), reclama de falta de assistência da Prefeitura

Casal que cria 120 cães achados na rua, em Santa Isabel (SP), reclama de falta de assistência da Prefeitura

Um casal que cria 120 cães achados na rua em Santa Isabel reclama da falta de assistência da Prefeitura no cuidado aos animais abandonados. Eles contam que dependem de doações para manterem os pets e que enfrentam dificuldades para castrá-los na rede pública. A situação também é motivo de descontentamento entre outros moradores, que observam o excesso de animais nas ruas da cidade.

Vídeo: Casal que cria 120 cães achados na rua, em Santa Isabel, reclama de falta de ajuda.

Não é difícil encontrar cachorros de rua em Santa Isabel. A Praça da Bandeira é um dos pontos com concentração. “Está cheio de cachorro na rua. Defecam tudo na rua, a pessoa pisa em cima do cocô de cachorro, sai marcando a rua inteira. É um problema muito grave”, diz o corretor de imóveis Anésio Inácio de Paula.

Para tentar evitar a procriação descontrolada e ajudar a prevenir doenças, a castração é importante. No entanto, a população reclama da falta dessa assistência na cidade.

O mecânico Idraci de Paula Ferreira, por exemplo, conta que um dos três cachorros que possui estava doente e precisava ser castrado, mas a fila para conseguir o serviço era longa.

“Infelizmente, ainda é lento aqui. É demorada a castração, é fila. Às vezes você fica esperando com uma coisa que pode até levar o cachorro à morte, que seria um câncer. No caso da minha cachorra foi um câncer de útero. Se eu não tiro, se eu não faço a castração dela com urgência, de imediato, eu estaria sem a cachorra”, lamenta.

A situação, que é difícil para quem tem alguns cães em casa, é ainda pior para o Vitor Hugo Soares. Na chácara em que ele mora com a esposa são 120 cachorros. Ele conta que, para conseguir cuidar de todos, recebe doações.

“A Prefeitura me fornece a vacina antirrábica que, sem ela, não tem como manter. O restante é a Deus dará. A gente tem alguns colaboradores. Eu tenho um colaborador que faz cinco anos ele me manda, todo mês, 10 sacos de ração. Então, o que eu faço: eu vou na casa de ração e em vez deles me entregarem o saco de ração, eu pego em remédio, pego em produto de limpeza e assim vai”.

O Vitor diz que a maioria dos cachorros foi castrada em clínicas particulares, pois não recebe muita ajuda da Prefeitura.

“Na área da saúde a pessoa tem que escolher ou o comprimido, ou o ser humano ou o cachorro. Então a verba que sobra pra Prefeitura aqui é pouca. Eles não têm estrutura. Não tem lei específica para cuidar de animal ou de mim”.

Questionada sobre a castração na cidade, a secretária de Saúde, Estela Santana, diz que o município conta sim com o serviço.

“Há muitos anos existe o serviço de castração em Santa Isabel. Previamente, é realizado um agendamento, onde os munícipes podem procurar a Secretaria da Saúde, o setor de zoonoses. É realizado um cadastro, onde tem que comprovar a residência no município, então é uma ação exclusiva para os munícipes que possuem animais. É feito um cadastro, onde definem o porte do animal e através desse cadastro a veterinária, aos poucos, vai chamando da lista de espera”.

Ela ainda diz que a zoonose sempre ajuda o Vitor com os cuidados dos cães. “Não específico a esse casal, mas a todos os moradores da cidade que são acumuladores ou que têm, realmente, um número expressivo de animais mesmo prestando todos os cuidados. A secretaria oferta a vacina antirrábica, sempre quando disponível”, diz.

Estela lembra, no entanto, que em 2019 houve falta da vacina de combate à raiva em todo o país e que, por isso, a cidade também não recebeu doses.

A promotora de justiça Vânia Maria Tuglio, que é especialista em combate aos crimes relacionados aos animais, diz que manter os cuidados adequados aos animais é uma questão de saúde pública.

“Independentemente do número de animais que a pessoa possua, ele tem que estar em condições de higiene adequadas. Essa condição de higiene tem a ver com saúde pública, pois um lugar que não tem higiene adequada vai atrair vetores e esses vetores podem afetar todas as residências do entorno daquele local.”

De acordo com a promotora, o tutor tem que garantir o bem-estar do animal.

“O conceito de maus-tratos está intimamente atrelado à ausência de bem-estar. O conceito de bem-estar envolve o que se chama hoje pela ciência de ‘Cinco Liberdades’. Então o animal, para estar em bem-estar, tem que estar livre de fome e sede, de desconforto, de dor, doença, injúria, de medo, de estresse e tem que ter espaço suficiente para exibir seu comportamento natural. A análise dessas ‘Cinco Liberdades’, dessas cinco circunstâncias, é que vai dizer se o animal está em condição de bem-estar”

Enquanto a situação não melhora para Vitor, ele e a esposa continuam cuidando dos cães do jeito que podem, mas sem deixar de lado o amor por eles. “Eu estou com 63 anos. Já trabalhei o quanto tinha que trabalhar, fiz o que tinha que fazer, tenho três filhos. Tudo formadão, bonitão. Já sou avô. Então, numa área de 4 mil metros, em vez de eu plantar maçã, verdura, alguma coisa pra ganhar dinheiro, eu resolvi criar animal.”

O telefone do Departamento de Zoonoses de Santa Isabel para informações é (11) 4656-4444.

Por Débora Carvalho 

Fonte: G1

Os comentários abaixo não expressam a opinião do Olhar Animal e são de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.