Casos de abandono de animais se multiplicam em Curitiba (PR) e entidades pedem adoção responsável

Casos de abandono de animais se multiplicam em Curitiba (PR) e entidades pedem adoção responsável
A época do abandono vem potencializado com a pandemia (Foto: Franklin de Freitas)

Sai ano, entra ano, é sempre a mesma história. Com a chegada da época de festas e o início do verão, se multiplicam os casos de abandono de animais de estimação. Num dos casos mais chocantes, registrado no São Braz, em Curitiba, no último domingo, um casal foi flagrado abandonando uma cadelinha indefesa. Logo após ser largada na rua, a bichinha, chamada Lola, foi filmada correndo desesperadamente atrás do veículo dos seus antigos “tutores” — que já foram identificados e irão responder por abandono e maus-tratos de animais.

“Entra ano e sai ano e a história se repete, as pessoas não se conscientizam que abandono é crime e que os bichinhos têm sentimentos e eles sofrem”, escreveu a ONG S.O.S. 4 Patas, de Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), que está cuidando da Lola enquanto ela não encontra um novo lar.

Lamentavelmente, este é só um entre diversos casos. Em todo o Brasil, conforme estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), existiriam mais de 30 milhões de cães e gatos em situação de abandono. O período de verão, entre o final de um ano e o começo de outro, costuma ser a época mais crítica, quando as denúncias de abandono de animais de estimação crescem até 65% no Paraná.

“Nessa época, aumenta, infelizmente, o abandono, tanto na própria casa onde o animal mora como o abandono nas ruas, porque as pessoas viajam”, afirmou a presidente da Sociedade Protetora dos Animais de Curitiba (SPAC), Soraia Simon, em entrevista à CBN Curitiba.

A SPAC, inclusive, recebeu recentemente dois cachorros, a Samira e sua filhinha, a Wendy, que havia sido abandonadas amarradas em uma cerca no dia 22 de dezembro. A mãe tem um ano e meio de idade e a filha, dois meses.

“A Samira logo será castrada e poderá passar pelo pós operatório em seu novo lar. Wendy já pode ser adotada sendo que a família terá que fazer acompanhamento junto a SPAC da vacinação e posterior castração. As duas são de tamanho pequeno”, anunciou a Sociedade em seu Facebook.

Na Associação Vida Animal (AVAN), outro episódio. Dois cachorrinhos foram abandonados próximos da chácara da instituição e foram encontrados com muitos espinhos de ouriço. “Foi necessário a sedação e medicação, mas agora, graças a Deus, estão bem”. Como a chácara da AVAN já está lotada, os animaizinhos estão sendo alimentados pela AVAN e ganharam casinhas, mas não puderam ser acolhidos. Ambos aguardam também para serem adotados.

Se ficou interessado em adotar, basta entrar em contato com qualquer uma das ONGs citadas (ou mesmo com outras que acolhem animais) e declarar seu interesse na adoção responsável de um pet. Se não puder adotar, também é possível ajudar as instituições com a doação de ração ou com contribuições financeiras.

Vítima de rojão, Rebeca reage e segue lutando pela vida

Na virada do ano, outro caso que chocou a sociedade curitibana foi o da cadelinha Rebeca, que teve a boca gravemente danificada após a explosão de um rojão. Resgatada pela Delegacia de Polícia do Meio Ambiente (DPMA) e pelo Grupo Força Animal, ela passou nesta semana por uma cirurgia de duas horas e meia, na qual foi retirado metade de sua mandíbula e reparada a sua língua.

De acordo com o Grupo Força Animal, agora a cadelinha já está com um semblante melhor, reagindo, Quando foi encontrada, a cadelinha estava em estado de choque, após cerca de 12 horas sofrendo e agonizando com a boca machucada.

“Cada dia uma pequena vitória, ela passou pela primeira cirurgia ontem, continua sendo muito grave, está comendo por sonda, em tratamento intensivo, sem previsão de alta … Hoje precisamos repetir alguns exames. Passar por tudo isso não é nada fácil, mas ao lado de vocês, por vocês, vamos juntos vencer cada batalha”, escreveu ontem o Força Animal em suas redes sociais.

Tutores irresponsáveis podem ser punidos civil e penalmente

Abandonar o animal de estimação é crime e rende multa. Em Curitiba, o tutor irresponsável pode responder em duas esferas: pela Rede de Proteção Animal, da Prefeitura, temos a via administrativa, com a pessoa sendo notificada e multada, em valores que podem chegar até R$ 200 mil dependendo do caso e da quantidade de animais em situação de risco.

Além disso, uma lei federal, sancionada em setembro de 2020, aumentou a pena para quem comete abuso, maus-tratos, fere ou mutila animais. A punição é reclusão de dois a cinco anos, além de outra multa e a proibição da guarda. Anteriormente, a pena prevista era de três meses a um ano de reclusão, além de multa.

Na capital paranaense, denúncias sobre maus-tratos e abandono de animais podem ser feitas na Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA), pelo telefone 3251-6200, além da Central 156 da Prefeitura de Curitiba e do Disque-Denúncia 181.

Por Rodolfo Luis Kowalski

Fonte: Bem Paraná

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