Casos de leishmaniose aumentam em Votorantim (SP) e preocupam moradores e especialistas

Casos de leishmaniose aumentam em Votorantim (SP) e preocupam moradores e especialistas
Cachorrinha Neguinha está na família da dona Lucilene há dois anos — Foto: Reprodução/TV TEM

De janeiro até outubro deste ano, os casos de leishmaniose cresceram em Votorantim (SP). De acordo com o Centro de Controle de Zoonoses, da Secretaria da Saúde (Sesa), até o momento foram confirmados 29 animais contaminados. Em julho eram oito, mas, em três meses, o número disparou e atingiu o atual registro.

O volume deixa os especialistas em alerta já que a doença pode ser transmitida aos seres humanos por meio da picada do mosquito Palha, responsável por carregar a bactéria. Em 2017, o Ministério da Saúde identificou o mosquito no município e considerou a cidade como transmissora da doença.

VÍDEO: Votorantim está em alerta contra a leishmaniose em cães

A cachorrinha de estimação da aposentada Lucilene Pereira foi um dos animais contaminados. Neguinha, como é chamada, está com a família há dois anos e a dona percebeu quando ela ficou doente.

“Conforme ela andava, puxava a pata traseira. Eu soube que não estava normal. Como Votorantim estava com surto de leishmaniose, o veterinário pediu um exame de sorologia. Sete dias depois veio o resultado como reagente.”

Lucilene conta que se dedica a cuidar da cachorra. Além de receber os remédios necessários, a cadela está sempre de coleira repelente para manter bem longe o mosquito e a dona sabe que o acompanhamento veterinário será para a vida toda.

Cachorrinha faz tratamento depois de ser diagnosticada com leishmaniose — Foto: Reprodução/TV TEM

O veterinário José Carlos de Melo Junior destaca que a leishmaniose não tem cura, por isso alguns donos de cães acabam fazendo a opção da eutanásia, mas o tratamento existe e o veterinário diz que é seguro quando feito com acompanhamento.

O especialista conta que somente na clínica onde atua foram diagnosticados pelo menos 15 casos de leishmaniose canina. Dois animais morreram.

A contaminação ocorre quando o mosquito pica o cão infectado e depois outro animal ou uma pessoa. Alguns sintomas em cães são emagrecimento, lesão nos olhos e na pele e crescimento exagerado das unhas.

Veterinários de clínicas particulares da cidade precisam notificar todos os casos suspeitos para o Centro de Zoonoses. Quando o resultado é positivo, as equipes de controle de vetores percorrem a área onde o animal doente estava e coletam sangue de outros cachorros para exame e alerta aos moradores.

No entanto, o veterinário diz que as pessoas precisam ter cuidado para ajudar a combater o mosquito e a doença.

“Terrenos e folha…tudo que tem umidade serve para o mosquito depositar os ovos lá e se prolifera. Então, se a população tiver consciência de que todos os animais, sem exceção, eles têm que estar com repelente, a gente consegue controlar bastante isso”, completa.

Fonte: G1


Nota do Olhar Animal: Matar cães é um erro grotesco. Novas ideias e técnicas estão surgindo, como o encoleiramento de animais com a doença, evitando que o mosquito o pique e transmita a doença. Com investimento e boa fé poderão ser desenvolvidas formas éticas de combate à leishmaniose.

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