Casos de maus-tratos a animais domésticos no RJ sobem 42%, diz polícia

Casos de maus-tratos a animais domésticos no RJ sobem 42%, diz polícia
Darlene foi levada para a Suipa depois de sofrer maus-tratos — Foto: Reprodução/TV Globo

Dados da Polícia Civil mostram que, no primeiro semestre desse ano, houve o registro de 133 casos de maus-tratos a animais domésticos no estado do Rio. No mesmo período, em 2020, foram 94 — um aumento de 41,8%.

O número de animais abandonados também cresceu no estado nos últimos meses. Vários deles chegam nos abrigos muito machucados.

É o caso de Darlene, uma filhotinha que foi levada para a ONG Sociedade União Internacional dos Animais (Suipa), no Jacarezinho, na Zona Norte do Rio.

“Assim que cheguei hoje, às 7h da manhã, um morador em situação de rua se encontrava no pátio da Suipa, com um filhotinho. Entrei com o animal que era uma emergência. Ao avaliá-lo, vi que o animal teve histórico de atropelamento e estava com a pata fraturada. Ele falou que encontrou o animal na rua e provavelmente, por ele gostar de animais, trouxe o animal pra ser socorrido”, conta coordenador veterinário do espaço, João Wassita.

Em média, 60 cães chegam ao local todos os meses.

Dos 2.200 animais que estão atualmente na Suipa, a maioria carrega marcas do abandono e da maldade humana.

“O que eu fico impressionado como as pessoas abandonam os animais aqui na Suipa, o nível de crueldade, a falta de amor, de compaixão, eu não sei como o cidadão consegue olhar no fundo do olho de um animal e não sentir amor”, diz Marcelo Marques, presidente da Suipa.

Uma cachorrinha foi largada na porta da Suipa em estado grave, muito machucada. Ela teve que amputar as duas patas e quase morreu.

Hoje está recuperada e adaptada.

“Com o amor que a gente tem o carinho, a assistência aqui da Suipa, todos os cuidados, ela sobreviveu. Quando eu comento ninguém acredita. Sobe escada, sobe no sofá, tem uma vida normal”, conta João, que adotou a cadela.

Mas não é o que acontece com a maioria dos animais que chegam na Suipa. O número de adoções por mês caiu de 35 para, uma média, de 20 — uma queda de quase 43%.

“Eu acredito que é uma questão financeira porque pegou pra todo mundo a questão da pandemia. E ter um pet tem custos: alimentação, levar para o veterinário. Eu acredito que muita gente não está conseguindo”, diz Marcelo.

Menos adoções e doações

Financeiramente, a Suipa vive seu pior momento em 78 anos de existência.

“Hoje a Suipa tá passando por uma crise financeira muito grande porque a pandemia pegou pra todo mundo. E a Suipa, como vive de doações, as nossas contribuições caíram muito. O consumo de ração diário é de quase uma tonelada, só pra cães adultos. Olhem pela gente”, pede Marcelo.

Apesar das dificuldades, há sempre espaço para quem chega.

Abandonar ou maltratar animais é crime. A pena pode chegar a 5 anos de prisão, além do pagamento de multa. Quem quiser denunciar pode ligar para 2253-1177.

Por Alexandre Henderson e Marcus Vincax

Fonte: G1

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