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Cavalo morre por causa de maus-tratos e abandono em Garça, SP

Amarílis foi resgatada com a ajuda da Secretaria de Serviços Urbanos e levada ao Hospital Veterinário da Faef.

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Na última quarta-feira (17) à tarde, o presidente da Ong S.O.S Totó, Mauro Rosa, e o vereador Francisco Christóforo Júnior receberam um chamado para resgatar uma égua que estava caída próxima à antiga estação ferroviária (estrada Castelo D’Agua). Mais um dos vários quadros registrados de maus-tratos e abandono.

A eguinha, batizada por seus salvadores como Amarílis, estava deitada, sem água e sem comida (e ao que tudo indica, sem água e sem alimentação há dias, dado seu estado visível de desnutrição e desidratação): “Ela estava ao sol, totalmente desidratada, anêmica, magra e com um dos olhos perfurados já há algum tempo”, descreve o vereador em rede social.

Com a ajuda da Secretaria de Serviços Urbanos, Amarílis foi levada até o Hospital Veterinário da Faef, onde recebeu pronto-atendimento e ficou em tratamento intensivo, porém o animal não resistiu e faleceu poucas horas depois.

O caso de Amarílis, assim como de outros cavalos que foram vítimas de seus “tutores” por maus tratos, negligência e abandono só engrossa o coro dos cidadãos preocupados com o bem estar dos animais e exigem que esses “donos” não saiam mais impunes – afinal, manter um animal sob tais condições, é tido como crime ambiental.

Entretanto, conforme o vereador Christóforo afirmou, ainda não se sabe quem é o dono de Amarílis – ninguém apareceu para reclamar o animal, e nem poderia, afinal a égua foi, sem dúvida, largada para morrer na estrada: “Não sabemos quem é o dono ainda, mas fiz o Boletim de Ocorrência de Preservação de Direitos, pois pegamos o animal sem consentimento do proprietário”, explica.

Além dela, cavalos como Gaúcho e Trovão também foram resgatados na mesma situação e reforçam o pedido de que o tratamento dispensado a esses animais usados como meio de transporte e trabalho, sejam rapidamente revistos.

Principais pontos do projeto que proíbe uso de veículos com tração animal

Prestando serviços junto aos voluntários da Ong S.O.S Totó, o vereador Francisco Christóforo Júnior foi testemunha de diversos casos de abandono e maus tratos não somente praticados contra cães ou gatos, mas ultimamente também contra cavalos. A entidade já realizou o resgate de vários deles, deixados “à própria sorte” em terrenos, amarrados sob o sol, sem água e visivelmente desnutridos. Há ainda os casos dos cavalos que são displicentemente soltos por seus donos e que vagam pelas ruas e estradas, correndo o risco de causar acidentes.

Desta forma, no dia 9 de junho o vereador propôs em sessão camarária o projeto de lei que visa proibir o uso de veículos de tração animal pelas ruas de Garça – projeto que ainda precisa passar por votação. O projeto, desde sua apresentação, tem levantado diversas opiniões – de um lado há os que dizem que o projeto é muito radical, pois há muitas famílias na cidade e na zona rural que dependem das carroças como meio de locomoção e trabalho, mas de outro lado há aqueles que querem ver o fim do abuso (e mortes) contra os animais.

O vereador destacou que seu projeto tem a intenção de proteger os animais, mas oferecer aos charreteiros apoio para que permaneçam no mercado de trabalho através de cursos de capacitação. Para ele, não debater este tema seria como ser conivente com os quadros de mortes e abandonos que os cavalos em nossa cidade vêm sofrendo: “A lógica do lucro acaba falando mais alto, o que provoca um trabalho excessivo e desgastante, além do excesso de carga, alimentação insuficiente e de má qualidade, ausência de permanente acompanhamento veterinário, baias inadequadas e insalubres para pernoite, dentre outros”, descreve em seu projeto, alertando que é preciso encontrar uma substituição no modo como esse trabalho de tração é feito.

Além disso, há as zoonoses que podem ser transmitidas; entre os equinos as mais recorrentes são: a actinobacilose, transmitida por contato ou mordida e que provoca abscessos nas mãos e braços; encefalomielite equina, que provoca infecção do sistema nervoso; o antrax, causado pelo patógeno Bacillusanthracis, e que no homem causa lanfadenite e linfangite; Influenza A, que pode causar febre e sinais respiratórios, com risco de facilitar as infecções bacterianas oportunistas; leptospirose, causada pelo agente etiológico Leptospirainterroganse que provoca febre alta, dores de cabeça, sinais de irritação das meninges, tosse seca, dores musculares, hemorragias e conjuntivite; febre maculosa, transmitida por carrapatos e que provoca febre alta, dores de cabeça, dores musculares, manchas vermelhas pelo corpo; doença de Lyme, também transmitida pela picada do carrapato que em sua fase crônica pode causar artrites, tendinites, cardiopatias ou neuropatias; raiva, que em humanos causa febre, dores de cabeça, paralisia, danos neurológicos permanentes e morte; salmonelose, causado pela Salmonellaentericae que é transmitida aos humanos por meio do contato com as fezes dos equinos, causando náusea, vômito, diarreia, desidratação e febre; sarna, cuja lesão causa inflamação cutânea e hiperqueratose; verminoses, cujos sintomas são dores abdominais, diarreia, náusea, febre, dores musculares; estomatite vesicular, que em humanos provoca fortes dores de cabeça e musculares, dores nas articulações, olhos e náusea.

Francisco Christóforo explicou, também na sessão do dia 9 de junho, que o projeto pretende vetar a presença de animais soltos ou atados por cordas nas ruas, sejam elas pavimentadas ou não; carroças ficarão sujeitas à remoção, podendo ser resgatadas num período de até trinta dias – passado este prazo, os veículos serão desmontados podendo ser leiloados ou doados às entidades inscritas na Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social. Já os animais serão retidos por fiscal, que acionará o orgão controlador de zoonoses que o transportará e “fichará”, podendo ser posteriormente resgatado pelo dono ou doado a associações civis sem fins lucrativos que protejam esse animal. O resgate do animal por parte do dono poderá ser vetado em caso de reincidência. Por fim, o projeto prevê que as famílias cuja renda venha do trabalho de tração animal terão prioridade nos cursos de qualificação e capacitação oferecidos pela Prefeitura.

Fonte: Jornal da Comarca

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