Centro de Conservação resgata animais das obras de transposição

Centro de Conservação resgata animais das obras de transposição

Cerca de 70 mil animais já foram resgatados pelo Centro. 80% dos animais capturados são devolvidos para a natureza.

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Atuar no resgate dos animais que vivem no Projeto de Integração do Rio São Francisco é a função do Centro de Conservação e Manejo de Fauna da Caatinga (Cemafauna-Caatinga) localizado em Petrolina, no Sertão pernambucano. Cerca de 70 mil animais já foram resgatados pelo Centro.

O projeto existe desde junho de 2008 e foi criado por um grupo de professores da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf). As atividades são concentradas em atuar contra o comércio e tráfico de animais silvestres, apreensão e reabilitação de animais. Na unidade de reabilitação cerca de 80% dos animais capturados são devolvidos para a natureza. Os outros 20% são encontrados em situação de risco e são reabilitados, 15% destes são devolvidos à natureza. Os outros 5% são de espécies raras que permanecem na coleção científica do Centro.

São cerca de 220 funcionários, entre professores da universidade, Biólogos, Veterinários, Zootecnólogos e uma equipe administrativa, além de motorista, auxiliar de campo, entre outros. Neste número não estão inseridos os estudantes que fazem parte do projeto, mas que também contribuem com a sua formação.

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A professora, coordenadora administrativa do projeto, Patricia Nicola, explica como a comunidade participa direta e indiretamente do Centro. “Realizamos ações de educação ambiental, semanalmente em escolas da rede municipal e estadual para conscientizar os jovens sobre a importância de manter os animais silvestres na natureza. Sempre que a comunidade está presente é em ações de extenção. Alguns empresários também ajudam com doações mensais de frutas para a alimentação dos animais, por exemplo. Essas são pessoas que assumem a causa da conservação da natureza”, conta.

As ações do projeto, em sua maioria, não são de risco, mas exigem cuidados, pois muitos são animais peçonhetos. Outras ações são de pequenos animais e fácil captura. Patricia Nicola conta que alguns animais diferentes são encontrados e pernacem no Centro para estudo.

“Encontramos algumas cobras de duas cabeças, que é um animal de difícil acesso no Semiárido, principalmente porque ficam enterradas. Também já foram resgatadas borboletas de uma espécie nova, não tão conhecida pela ciência. Analisamos esses animais e tentamos compreender como eles se distribuem. Outros animais ficam no Centro por necessidade, como o caso de um mico que se perdeu da mãe e desde bebê cresceu no Centro. Como recebemos outros macacos, hoje ele formou uma família e foram retornados para a natureza”, conta.

O trabalho do Cemafauna acontece em parceria com os funcionários da obra da transposição do São Francisco, campo de resgate do projeto. “Temos contato direto com as pessoas que atuam na obra, nos informando quando encontram alguma espécie. Em alguns casos, o Centro também recebe ligações de moradores denunciando o aparecimento de alguns bichos em sua residência, como macacos, por exemplo. Nestes casos, nós pedimos que entrem em contato com outros órgãos como o Corpo de Bombeiros, Ibama ou Polícia. Nós só temos autorização para atuar na área da transposição”, explica.

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A coordenadora também conta que a maioria dos animais encontrados no Brasil são provenientes do Semiárido da Caatinga. “O Centro é uma unidade importante na região do Semiárido, pois outros biomas ainda têm pouco conhecimento do que acontece na Caatinga. Todas as ações por menores que sejam são extremamente grandes no bioma que estamos inseridos. Nossa ação acontece para coibir esse tipo de comércio, degradante para o meio ambiente. Também realizamos um trabalho de conservação da natureza, complexo que exige não só a nossa habilidade, mas uma ação conjunta, de instituições, imprensa e empresas para manter diversidade e conscientizar as pessoas”, conta.

O Cemafauna também contribui com o Ministério da Integração, Ibama e Ministério Público. O Centro fica localizado no campus de ciências agrária da Univasf, na Rodovia BR-407, KM 12 Lote 543, Projeto de Irrigação Nilo Coelho, S/N C1.

Fonte: G1 

Nota do Olhar Animal: Desconhecemos detalhes do resgate dos animais no caso específico da transposição do Rio São Francisco além dos publicados neste artigo, mas experiências anteriores similares mostram que o número de animais salvos nestas operações é mínimo diante do total da população das áreas afetadas. As estruturas montadas para este resgates são incapazes de absorver a grande demanda. Setenta mil animais é um número importante, mas referem-se a animais resgatados destas áreas ou ao total incluindo animais resgatados do tráfico, etc.? E resultam de quanto tempo de atuação? Qual a população estimada nestas áreas? A reintrodução de animais em ambientes distintos daqueles em que se encontravam originalmente os animais pode ser bastante danosa, resultando em desequilíbrios e no incremento das mortes. As ações deste tipo, de forma geral, resumem-se a medidas de marketing que ocultam os desastres causados por tais obras. Ouça matéria com a veterinária Fernanda Vinci sobre ações semelhantes realizadas em barragens. Clique aqui.

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