Centro de reabilitação de animais silvestres em Campinas (SP) fica no papel

Centro de reabilitação de animais silvestres em Campinas (SP) fica no papel

Por Paulo Planta

Um veado catingueiro morto por atropelamento, uma coruja que levou um tiro de chumbinho, um ouriço vítima de ataque com água fervendo, seis filhotes de gambá órfãos e um gavião carcará atingido por um carro. Esses são apenas alguns exemplos da crueldade humana contra animais silvestres. Eles são os “pacientes” mais recentes que chegam diariamente na clínica particular Planet Vet, no bairro Chácara da Barra, em Campinas.

SP campinas cras3232567

 

 

Na maioria das vezes, os animais são levados pela Polícia Militar Ambiental, que não conta com um local mantido pelo poder público para o socorro. O aumento desses casos evidencia a necessidade de a Prefeitura de Campinas criar um Cras (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres), previsto pela lei que deu origem ao DPBA (Departamento de Proteção e Bem-Estar Animal) este ano.

A lei que instituiu o DPBA, publicada em janeiro, não estipula um prazo para a criação do Cras, o que pode fazer com que a providência seja morosa. A curto prazo, a SVDS (Secretaria Municipal do Verde e do Desenvolvimento Sustentável) estuda fazer parcerias com centros de reabilitação existentes no Estado, em Jundiaí e Assis, para destinação dos animais.

Enquanto a solução definitiva não vem, o poder público vai continuar dependendo da boa vontade de pessoas como o médico veterinário Diogo Siqueira, da Clínica Planet Vet, que não apenas recebe os animais feridos encontrados, mas que também vai ao local da ocorrência para acompanhar a captura.

A presença do profissional e sua atuação imediata podem significar a diferença entre a vida e a morte. Siqueira também faz a soltura dos bichos, nos casos em que eles têm condições de serem devolvidos para a natureza, depois de receberem o tratamento, o que nem sempre acontece.

O veterinário diz que está aumentando muito o número de resgate de animais feridos, por causa da expansão imobiliária, que exige a construção de estradas que fragmentam as matas.
Siqueira conta com uma área na cidade de Holambra para abrigar animais que não podem ser soltos de volta na natureza, mas o lugar já está cheio. Quando vai liberar os animais que não podem ser reintroduzidos em seu habitat, agora, ele avisa a prefeitura, que busca uma colocação em santuários ou zoológicos.

VÍTIMAS

SP campinas cras76743

Atualmente, a clínica está com a ala destinada aso animais silvestres lotada. A maioria dos animais tem como origem a APA (Área de Proteção Ambiental) de Sousas e Joaquim Egídio. Os últimos a chegarem foram os seis filhotes de gambá, ainda minúsculos. Eles foram encontrados por uma mulher ao lado do corpo da mãe, atropelada em uma trilha de Joaquim Egídio.

Ela chamou a PM, que recolheu os bichos e entregou a Siqueira. Os animais recebem uma alimentação especial, uma espécie de mingau de frutas. Em outra jaula, assustada, uma coruja-orelhuda fica toda arrepiada quando alguém se aproxima. Vítima de um tiro de chumbinho, ela vai ter a asa amputada e não poderá voltar para natureza.

O sagui internado na clínica levou um choque em Sousas, onde é muito comum vê-los se locomovendo pelos fio de eletricidade do distrito. O sagui, diferente da coruja, pula no colo de Siqueira sempre que ele abre a porta da gaiola. O animal está recebendo alimento e medicação e deve ganhar a liberdade em breve. O caso mais chocante é de um ouriço, que foi vítima de um ataque cruel, com água fervendo. O animal está com parte do rosto desfigurado e terá que sofrer uma cirurgia no olho.

No fundo da clínica, um gavião carcará, que foi atropelado, observa a tudo bem atento, dando sinais de que já está bem de saúde. Siqueira cuida de todos esses bichos sem nenhum tipo de ajuda financeira do poder público, que tem a obrigação de dar a assistência. Atualmente, ele tenta a isenção do pagamento da conta de água da clínica, mas diz que está difícil. Os animais exigem espaço, tempo, alimentação e medicamento, entre outas coisas.

Apesar da falta do dinheiro, que pode providenciar tudo isso, Siqueira segue recebendo os animais sempre que solicitado. Consultado sobre a criação do Cras, ele diz que não é difícil. Existem muitos locais para isso. A APA de Sousas e Joaquim Egídio, por exemplo, ocupa quase um terço do território de Campinas. Quanto ao dinheiro, segundo ele, uma parceria público-privada poderia resolver a questão.

Fonte: Portal Todo Dia

 

Os comentários abaixo não expressam a opinião da ONG Olhar Animal e são de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.