Centro de Triagem em Juiz de Fora (MG) reabilita animais silvestres feridos ou abandonados

Centro de Triagem em Juiz de Fora (MG) reabilita animais silvestres feridos ou abandonados
O periquitão-maracanã é chamado popularmente de “maritaca” — Foto: Paulo Andrade/VC no TG

Nos primeiros seis meses de 2020, 52 animais silvestres foram entregues de forma voluntária no Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) em Juiz de Fora. Entre eles, estão maritacas, gambás, jabutis, tucanos, corujas e outras espécies que foram encontrados feridos na área urbana ou abandonados.

O trabalho do Cetas, que é coordenado pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF) e Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), é realizar a reabilitação destes animais e devolve-los para a natureza.

Além de receber animais que são oriundos de tráfico e venda ilegal, o Cetas recebe diversas espécies silvestres e exóticas que eram criadas de forma irregular dentro de residências.

O G1 conversou com o analista ambiental e biólogo do IEF, Glauber Barino, para entender como funciona esse processo.

“A entrega voluntária é realizada por pessoas que encontram os animais feridos, principalmente em vias públicas, ou filhotes abandonados. Algumas entregas também são realizadas por pessoas que possuíam a posse ilegal do animal e resolvem fazer a entrega, muitas vezes pelo falecimento do tutor, ou pelo adoecimento do animal e a não condição financeira de levá-lo ao veterinário, ou pelo medo de ser fiscalizado”, explicou o profissional. 

Assim que chegam ao Cetas, esses animais passam por avaliação, triagem e reabilitação e, depois, a maior parte é solta na natureza.

De acordo com Glauber, a reabilitação varia de acordo com a espécies. “Passa por uma alimentação correta, treinamento de voo no caso das aves, melhora do bem-estar, mudança de comportamentos muitas vezes vinculados ao homem”, afirmou o biólogo.

Espécies 

trinca-ferro-verdadeiro. — Foto: Rudimar Narciso Cipriani/TG

De acordo com dados do IEF, em 2019, foram entregues de forma voluntária 226 animais silvestres e um exótico. As aves mais entregues no ano passado foram maritacas, trinca-ferro, coleiro papa-capim, canário da terra, papagaio verdadeiro e tucano toco.

Barino explicou que, durante os meses de junho e julho, é comum a chegada de aves rapinantes, como carcarás, gaviões e corujas. É uma época mais comum para soltar pipas e estes animais chegam com com asas dilaceradas pelo corte das linhas de cerol.

gambás — Foto: Reprodução/RBS TV

Outro animal que também é entregue no Centro de Triagem é o gambá de orelha preta. O biólogo explicou que essa espécie é adaptada ao ambiente urbano, porém sofre com a violência humana.

“É muito comum também chegarem gambás feridos por humanos, pois ainda existem pessoas que maltratam e até matam esses animais que possuem uma função importantíssima na natureza, pois se alimentam de escorpiões e carrapatos, controlando a população desses aracnídeos”.

Glauber afirmou que muitos animais que são entregues de forma voluntária chegam machucados e com indícios de maus-tratos.

“Exemplo disso são aves com as penas das asas cortadas, com deficiências nutricionais que variam desde a obesidade pela má alimentação ou extrema magreza. Outros animais ainda chegam doentes, pois o tutor não tem condição de levá-lo ao veterinário e quando adoece faz a entrega voluntária no Cetas. Alguns animais ainda chegam em gaiolas extremamente sujas, sem água limpa e alimento disponível. O comportamento natural alterado também é outro fator importante que demonstra os maus-tratos aos quais o animal estava sujeito”.

Entrega

Jabutis. — Foto: Reprodução / TV Integração

Caso a pessoa tenha um animal silvestre em casa ou encontre em área urbana, pode fazer a entrega diretamente no Cetas, localizado na Avenida Prefeito Mello Reis, nº 1500, Bairro Aeroporto. O telefone para contato é: (32) 3233-1269.

O Cetas não realiza o resgate na residência na pessoa. Os casos de resgate são atendidos pela Polícia Militar do Meio Ambiente, Guarda Municipal ou Bombeiros, sendo esse último apenas nos casos de animais que ofereçam riscos a saúde da população, como serpentes peçonhentas.

A legislação brasileira prevê penalidades para quem comercializa, mantém ou guarda animais silvestres sem autorização ambiental e existem punições específicas para quem introduz espécies exóticas no país.

A Lei de Crimes Ambientais prevê detenção de seis meses a um ano e multa para quem captura, vende e tem em depósito fauna silvestre sem autorização ambiental, e detenção de três meses a um ano e multa para quem introduzir fauna exótica.

A manutenção de animais silvestres e exóticos é autorizada desde que sejam respeitadas as legislações. Antes de adquirir uma espécie de um criadouro comercial ou comerciante de animais vivos é importante verificar a regularidade do empreendimento.

Por Amanda Andrade

Fonte: G1


Nota do Olhar Animal: Um bom caminho para a transformação dos zoológicos é convertê-los em centros de triagem de animais silvestres e, portanto, responsáveis não por explorar os animais e submetê-los a situações de maus-tratos e abusos, mas por receber animais do tráfico e de outras situações criminosas, como também ajudar animais na natureza necessitados de algum apoio.

Os comentários abaixo não expressam a opinião da ONG Olhar Animal e são de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.