Chega de maltratar animais com a desculpa de fazer arte

Chega de maltratar animais com a desculpa de fazer arte
Corujas acorrentadas na exposição sobre Harry Potter no shopping Eldorado causaram polêmica. (Foto: Reprodução)

Foi com espanto que muita gente soube que corujas vivas ficavam amarradas para entreter o público da exposição “Casa dos Bruxos”, com cenários de “Harry Potter”, no shopping Eldorado, em São Paulo.

A pergunta que não quer calar é: como que ninguém se deu conta de tamanho erro?

Após denúncia feita pela apresentadora e ativista dos animais Luisa Mell, o shopping Eldorado voltou atrás e mandou retirar os animais vivos da mostra.

Mas, precisava o barulho? Ninguém pensou antes nos animais, no quanto ficariam estressados expostos à multidão tal qual em um circo de horrores.

Esta não é a primeira vez que aves são utilizadas para entreter o público com a desculpa de participarem de um trabalho artístico, e que autoridades envolvidas só toma providência após repercussão na imprensa.

Galo usa tênis na peça “4”, do Mirada, em Santos; aves pareciam dopadas em cena. (Foto: Divulgação)

Em 2016, o festival “Mirada”, de Santos, exibiu a peça “4”, do diretor argentino radicado na Espanha Rodrigo García, na qual galos surgiam no palco calçando tênis, mal conseguindo se mover pelo palco.

Em uma cena vista por este colunista um drone voava bem próximos às aves, e elas pareciam estar dopadas, pois não esboçavam nenhuma reação diante das hélices que quase tocavam suas penas.

Muita gente na plateia parecia achar normal ver animais submetidos daquele jeito. Mas, ainda bem, nem todo mundo.

Na épóca, defensores dos animais invadiram o palco em protesto, e o Sesc Santos foi multado em R$ 2.000.

A espanhola Angélica Liddell e o cavalo vivo em cena: alvo de protestos de ativistas em SP. (Foto: Divulgação)

Em 2014, a atriz e dramaturga espanhola Angélica Liddell também teve sua peça interrompida por ativistas em São Paulo durante sua apresentação na 1ª MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo).

Na peça “Eu Não Sou Bonita” ela colocava um cavalo de verdade em cima do palco para retratar os abusos sexuais sofridos na infância.

Na época, ativistas falaram que o fato de ela ter sofrido abuso não lhe dava direito de explorar o animal em cena.

Em 2010, houve outro caso envolvendo uma exposição como o de agora: a obra “Bandeira Branca”, do artista Nuno Ramos, utilizou três urubus na Bienal, em São Paulo. Ativistas protestaram e, na época, a Justiça mandou retirar as aves do local.

Além de Luisa Mell, outros famosos são ferrenhos defensores dos direitos dos bichos, caso de Rita Lee, que sempre faz campanha contra os rodeios, prática onde também os animais são maltratados.

Diante de histórias como estas, fica apenas uma constatação: chega de maltratar animais com a desculpa de fazer arte.

Artistas de verdade deveriam respeitar os bichos e a natureza, e não utilizá-los de forma agressiva para seus delírios cênicos.

Por Miguel Arcanjo Prado 

Fonte: Blog do Arcanjo 


Nota do Olhar Animal: Nada justifica a exploração de animais, e isto inclui o uso para o entretenimento humano, como no caso desta exposição. Pouco importa se amarrar corujas é um procedimento comum na falcoaria. Nos circos, as jaulas são comuns. Nos zoológicos, os recintos são comuns. E, em todos estes casos, confinar os animais é no mínimo um abuso. Falcoaria se justifica única e EXCLUSIVAMENTE para a reabilitação de animais, não para fornecer mão-de-obra escrava para “espetáculos”.

Uma correção: pelo material que foi disponibilizado, as corujas não estavam presas por correntes, como indica a matéria, sim por outro tipo de material, que na verdade pouco importa qual seja, não se justifica neste caso.

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