Chimpanzé Black já tem companheira no Santuário de Grandes Primatas de Sorocaba, SP

Quatro meses depois da transferência do zoológico “Quinzinho de Barros”, em Sorocaba, para o Santuário de Grandes Primatas, afiliado ao Projeto GAP, o chimpanzé Black não poderia estar melhor. Ele está totalmente adaptado à rotina do santuário e não apresenta nenhum problema de saúde, apesar de seus estimados 50 anos e de ter chegado obeso e com alguns dentes quebrados.

Mas a grande notícia é que agora Black não vive mais sozinho. Depois de um período de aproximação, ele está dividindo seu recinto com a fêmea Dolores, de 23 anos. Além de usufruir da companhia de outro chimpanzé depois de viver tantos anos só, ele vem desde então se demonstrando mais ativo, o que fará muito bem para sua saúde.

Dolores vive no santuário desde 2005 e foi resgatada de circo. Apesar de ter um temperamento mais agitado, provavelmente por conta dos traumas vividos nos picadeiros, está acostumada a viver com outros chimpanzés e tem bastante paciência com Black. A interação vem sendo bastante positiva e saudável para os dois e Black demonstra estar muito contente com a nova companheira.

Histórico

Black foi transferido para o santuário no início do mês de maio, por determinação do Tribunal de Justiça de SP. A decisão foi embasada nos argumentos de que sua qualidade de vida no santuário seria melhor, vivendo em recintos maiores, sem o estresse causado pela exibição ao público e tendo chance de interagir e usufruir da companhia de outros chimpanzés.

O processo pedindo a transferência de Black foi apresentado em 2018 pelas ONGs Agência de Notícias de Direitos Animais (ANDA) e Associação Sempre pelos Animais de São Roque, mas havia sido negado em 1ª instância. Após mais de um ano de batalha judicial, a transferência finalmente foi decretada.

Black foi usado em circos quando era jovem e há cerca de 40 anos foi morar no zoológico de Sorocaba. Boa parte desse tempo viveu com a chimpanzé Rita, que faleceu em 2011, e desde então estava sozinho.

A vida no santuário não é totalmente inédita para Black. Em 2004, ele e Rita passaram alguns meses no local enquanto seu recinto era reformado no zoo. Na época houve uma tentativa de manter os animais no santuário, mas sem sucesso.

Em 2014, com Black já vivendo solitário, o GAP e outras ONGs fizeram uma campanha para a sua transferência definitiva para o santuário, que contou inclusive com o apoio do Grupo de Grandes Primatas da ONU (GRASP). Porém, mais uma vez, a Prefeitura recorreu e conseguiu mantê-lo no zoológico.

Fonte: Projeto GAP

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