China: aumentam os casos de Centros Comerciais-Zoológicos

Na China, há organizações não-governamentais que pedem ao Governo para avançar com leis que travem aquilo que está a ser descrito como uma nova moda no país.

Para impulsionar as vendas, lamentam as associações de proteção da vida animal, na China vale quase tudo. E ontem, em Pequim, apresentaram novos exemplos: um elefante que, numa zona ao ar livre de um centro comercial, é usado para vender telemóveis e também imagens de um grupo de leões marinhos, a viver numa grande superfície da capital e que estão lá para receber festinhas de quem gastar mais de 70 euros em compras.

Os amigos dos animais voltaram a um caso falado nos últimos dias. Um urso polar, descrito como o mais triste do mundo, que vive numa vitrine de um centro comercial, com pouquíssimo espaço, e sem um bloco de gelo à vista a não ser aqueles que estão pintados na parede da jaula.

O animal chama-se Pizza e tem sempre uma multidão à frente do vidro. Passa horas a cheirar a entrada da conduta de ar e a abanar a cabeça, um comportamento que os veterinários classificam como demonstrações de stresse.

Este bicho vive num centro comercial em Guangzhou e 48 associações de proteção dos animais já pediram ao governador local que obrigue à retirada do urso polar e que ele seja transferido para um local com condições.

No centro comercial Grandview, entre lojas da Starbucks, Burguer King, Calvin Klein, Sketchers e outras está, não só o urso polar, mas também mais de 100 animais selvagens, como lamas, papagaios e esquilos. Num momento em que mais um destes centros comerciais zoológicos está a ser planeado para Shiziajuang, as associações pedem mesmo para que este shopping em Guangzou seja encerrado.

Preocupado com o bem estar do animal um centro de acolhimento de vida selvagem em Inglaterra ofereceu-se para receber o urso, mas a resposta foi negativa.

Em comunicado, o shopping Grandview diz que o Pizza é bastante saudável e que as condições ali oferecidas não são diferentes das de outras instituições espalhadas pelo mundo. No texto argumenta-se ainda que “são 130 especialistas a cuidar de centenas de animais”.

A China não mexe nas leis do bem estar animal desde os anos 30 do século passado – ainda o governo de Chiang Kai-shek não tinha sido derrotado pela ofensiva comunista.

Há uma outra lei, que regula a vida selvagem, que é datada de 1989 e foi atualizada recentemente. No entanto, esta legislação permite não só a captura de animais selvagens para a sua reprodução, como também a sua utilização em demonstrações públicas e espetáculos.

Por Rui Tukayana

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