Uma baleia morta encalhada. Crédito: Maxar Technologies/BAS

Cientistas conseguem agora notar baleias encalhadas com a ajuda de satélites

Cientistas começaram a usar satélites que podem produzir imagens de alta-resolução para monitorar baleias encalhadas diretamente do espaço, segundo um novo estudo.

Em 2015, o Chile teve uma das maiores mortes em massa de baleias já registradas, contabilizando pelo menos 343 baleias mortas. Mas a localização remota delas fez com que isso só fosse notado após semanas e quando perceberam algumas baleias desapareceram ou entraram em decomposição, tornando difícil determinar como as baleias morreram. Talvez um dia os satélites possam provar ser uma maneira mais simples e mais acessível de estudar essas linhas do que as redes atuais e pesquisas aéreas.

“É importante aproveitar os avanços tecnológicos humanos para fazer um trabalho melhor, para entender e proteger o mundo natural”, disse Jennifer Jackson, filogeneticista molecular da British Antarctic Survey, ao Gizmodo.

Cientistas avistaram o encalhe em 2015 em um voo de pesquisa sobre a localização incrivelmente remota e acidentada da costa sul do Chile, que contava sobretudo com baleias-sei. Elas não são tão grandes quanto as baleias azuis ou as baleias-jubarte, mas as baleias-sei ainda são grandes, medindo 15 metros ou mais de comprimento e pesando cerca de 20 toneladas. Você pode imaginar que se um satélite pode obter informações de um caminhão ou uma estrada, ele também capturaria uma baleia-sei, né?

Uma baleia-sei mortaUma baleia-sei morta. Crédito: Mauricio Ulloa Encina/BAS
Uma baleia-sei mortaUma baleia-sei morta. Crédito: Mauricio Ulloa Encina/BAS

Os pesquisadores, liderados por Preter Fretwell da British Antactic Survey, coletaram imagens de satélite antes do levantamento aéreo, que poderiam chegar a uma resolução de meio metro em preto e branco e resolução de 2 metros em 8 faixas coloridas. Depois de processar as imagens, eles as analisaram em busca de formas de baleias, classificaram as formas em classes com base na confiança que eles tinham de que era realmente uma baleia e analisaram os comprimentos de onda da luz que apareciam nas imagens. Por fim, fizeram uma análise automatizada para encontrar essas formas semelhantes de baleia.

Essas imagens demonstraram pequenas diferenças em relação aos levantamento aéreos: em um caso, as baleias encontradas em levantamento aéreos. Em outro, as imagens de satélite revelaram mais baleias que a pesquisa aérea. A discrepância foi baseada em parte do tempo decorrido entre os diferentes métodos de pesquisa, pois as baleias poderiam ter se deslocado na água.

Acontece que apenas as imagens aéreas poderiam estar subestimando o número de baleias encalhadas, de acordo com o artigo publicado no Plos One. Os pesquisadores também escreveram que comprimentos de onda vermelha ou próximo do infravermelho podem determinar a diferença entre baleias e não baleias em casos ambíguos, pois as baleias-sei quando decompostas ficam com uma cor arenosa clara que pode dificultar sua identificação.

Visão aérea de baleias mortas encalhadasVisão aérea de baleias mortas. Crédito: Hausermann/BAS
Visão aérea de baleias mortas encalhadasVisão aérea de baleias mortas. Crédito: Hausermann/BAS

Satélites oferecem vários benefícios em potencial para monitorar baleias encalhadas, explicou Jackson. Eles podem fornecer dados logo que alguma possa ficar encalhada, dando melhores estimativas antes que forças naturais movam elas de lugar. E eles inclusive podem oferecer contexto sobre o que pode ter causado a morte das baleias.

“É muito pouco usual que haja muitas baleias morrendo em apenas um lugar em específico”, disse Carlos Olavarría, diretor-executivo do Centro de Estudos Avançados de Zonas Áridas no Chile e um dos principais autores do estudo, ao Gizmodo. “Nos diz que há algo acontecendo em todo o ambiente. Precisamos estar mais próximos do momento que estes animais morrem de modo que possamos saber o que está acontecendo em todo o ambiente ao redor deles”.

Quanto aos encalhes de 2015, os pesquisadores chilenos descobriram que pequenos eventos ocorrem anualmente na área durante o verão no hemisfério sul, e ao mesmo tempo que ocorreu recentemente uma morte em massa de salmão na região. Pesquisas recentes sugeriram que a proliferação de algas tóxicas pode ser a culpada.

O novo estudo representa o primeiro passo ao usar satélites para monitorar encalhes de baleias, mas ainda há muito trabalho a ser feito. O escaneamento manual de imagens de satélite leva bastante tempo, e os pesquisadores esperam eventualmente implementar técnicas de machine learning para observar cadáveres de baleias. Além disso, esse método provavelmente não pode salvar vidas de baleias, até porque os satélites só podem capturar imagens quando estão diretamente sobre a área de interesse e não há cobertura de nuvens. Jackson disse ao Gizmodo que isso ocorre a cada quatro semanas, aproximadamente.

Ainda assim, esperamos que as imagens de satélites ajudem os pesquisadores a ter uma visão de 30 mil pés (cerca de 9,15 km) dos problemas de encalhamento de baleias, não apenas no Chile, mas em todo o mundo.

Por Ryan F. Mandelbaum

Fonte: Gizmodo

Os comentários abaixo não expressam a opinião do Olhar Animal e são de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.