Cinco dias para retirar capivaras do Parque Ecológico em Belo Horizonte, MG

Cinco dias para retirar capivaras do Parque Ecológico em Belo Horizonte, MG
Decisão. Ordem para confinamento das capivaras é do dia 7 de outubro, mas ela ainda não foi cumprida (Foto: Reprodução Internet)

A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) terá cinco dias para cumprir a decisão judicial de retirar e isolar as capivaras que estão espalhadas pelo Parque Ecológico e pela orla da lagoa da Pampulha, na capital. O prazo será contado a partir do dia em que a administração municipal for notificada sobre o novo despacho do desembargador Souza Prudente, do Tribunal Regional Federal de Brasília, expedido no último dia 11. Em caso de descumprimento, o secretário municipal de Meio Ambiente, Vasco Araújo, deverá pagar multa de R$ 5.000 por cada dia de atraso. Nessa quarta-feira (16), o município informou que não havia sido notificado.

No novo despacho, o magistrado intima Araújo, com urgência, a comprovar o cumprimento integral da decisão de 7 de outubro, que determinou o isolamento imediato das capivaras “em espaço apropriado e isolado ao acesso da população, como forma de evitar os sérios riscos à saúde e à vida humana”. Isso porque os animais estão entre os hospedeiros do carrapato-estrela, transmissor da febre maculosa.

Na época, Souza Prudente declarou que o prazo máximo razoável para o cumprimento da medida era de cinco dias, mas, cerca de 40 dias depois, os animais permanecem livres. O despacho, que deve ser publicado nesta quinta-feira (17) no “Diário da Justiça”, foi emitido após a Associação Pró-Interesses do Bairro Bandeirantes (Apibb), que solicitou o confinamento das capivaras, encaminhar uma petição a Souza Prudente informando que a prefeitura não havia cumprido a ordem.

“Esperamos que a decisão seja cumprida. Defendemos a retirada das capivaras de forma integrada e em conjunto com outras ações, como controle da saúde dos cavalos, para alcançar a solução definitiva do problema”, disse a advogada da Apibb, Renata Vilela.

Em nota, a prefeitura informou que aguarda a notificação sobre o despacho para analisar o teor do documento. O município declarou que o termo de referência, base para o edital de contratação da empresa que vai isolar as capivaras, foi finalizado, mas não deu previsão para o confinamento dos bichos. A prefeitura lembrou que isolou os animais no Parque Ecológico, em 2014, e os manteve isolados até março deste ano, quando a Justiça determinou a soltura. Dos 52 capturados, 38 morreram.

Ações. O grupo de trabalho formado em setembro para discutir o manejo da fauna da Pampulha e o combate à maculosa vai se reunir nesta sexta-feira (18) no Ministério Público de Minas Gerais, para discutir as ações.

SAIBA MAIS

Transmissão. A febre maculosa é uma doença causada pela bactéria Rickettsia rickettsii, transmitida pela picada de carrapatos infectados. Entre os hospedeiros estão bois, cavalos e capivaras.

Sintomas. Os primeiros sinais são febre – em geral alta –, dor de cabeça, dores musculares intensas, mal-estar generalizado, náuseas e vômitos.

Prevenção. Em áreas propícias à presença de carrapatos, os cuidados incluem o uso de repelentes à base da substância icaridina, a utilização de roupas longas e de cor clara e de calçados fechados e com cano longo, além de evitar sentar-se ou deitar-se em gramados, examinando o corpo com frequência. Caso a presença do parasita seja identificada no corpo, é recomendável retirá-lo, evitando o esmagamento.

Números. Casos da doença são registrados em Minas desde a década de 30. Entre os últimos nove anos, 2008 apresentou o maior número de registros. Foram 20 casos e dez óbitos.

Movimento é contra medida

A retirada das capivaras da Pampulha vai agravar o problema da febre maculosa, de acordo com o Movimento Mineiro pelos Direitos Animais.

“Se elas forem retiradas, os carrapatos vão para dentro das residências, por meio de outros hospedeiros, como os gambás. Além disso, outras capivaras vão migrar para esses ambientes”, afirmou Adriana Araújo, integrante do movimento.

O grupo defende o controle dos bichos por meio de procedimentos cirúrgicos e a aplicação de carrapaticidas.

CONFIRMADOS

Minas tem 13 casos de maculosa

Um novo caso de febre maculosa foi confirmado em Minas Gerais, que agora soma 13 registros da doença neste ano, conforme a Secretaria de Estado de Saúde (SES). O paciente mais recente é da cidade de Matias Barbosa, na Zona da Mata. A pasta não deu informações sobre o novo caso, e, nessa quarta-feira (16), a reportagem não conseguiu contato com o secretário de Saúde do município, que tem dois casos de maculosa em 2016.

Além de Matias Barbosa, foram registrados quatro casos da doença em Divinópolis, dois em Belo Horizonte e um nas cidades de Tombos, Chiador, Antônio Dias, Senador Modestino Gonçalves e Carangola. Um total de quatro casos evoluiu para óbito.

Capital. Neste ano, 46 casos suspeitos de maculosa foram notificados em Belo Horizonte. Destes, 27 foram descartados, 17 seguem em investigação e dois foram confirmados.

Em setembro, o menino Thales Martins Cruz, 10, morreu vítima da doença, dias depois de um passeio no Parque Ecológico, na Pampulha.

Por Rafaela Mansur 

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