Circo aclamado por deixar de usar animais começa a usá-los de novo

Circo aclamado por deixar de usar animais começa a usá-los de novo
Nesta foto de 1 de maio de 2014, um elefante espera para entreter o público do Melha Shrine Circus em West Springfield, Massachusetts, EUA. Depois de receber elogios por deixar de usar animais em seus espetáculos em 2016, o Melha Shrine Circus anunciou o retorno de elefantes, tigres e cães para sete atos previsto para maio de 2017. (Foto: David Molnar / The Republican via AP / Ap em espanhol)

O Melha Shrine Circus, que tem programado sete espetáculos no dia 4 de maio no oeste de Massachusetts, trará novamente elefantes, tigres e cães, mas, de acordo com o diretor Allen Zippin, “isso não é o que a gente quer”.

O circo, que arrecada dinheiro para organizações de caridade, incluindo o Hospital Infantil Shrines, em Springfield, perdeu dinheiro pela primeira vez nos seus 63 anos de história em 2016.

“A frequência paga caiu em 6.500 pessoas no ano passado em relação a 2015”, disse Zippin. “Teve gente que nos pediu reembolso ao saber que não tinha animais”.

Ativistas pelos direitos dos animais vêm pressionando os circos há anos para que deixem de usá-los, argumentando que seus atos são cruéis e desumanos.

O Ringling Bros and Barnum & Bailey Circus, o mais famoso dos Estados Unidos, aposentou seu emblemático número com elefantes na primavera passada e meses depois anunciou seu fechamento definitivo neste ano, depois de quase um século e meio de trajetória.

Apesar de citarem várias razões, o fim do ato com os elefantes e a mudança na atitude do público para com os espetáculos com animais foram algumas delas.

Os circos, sendo comerciais ou não, não precisam de animais para emocionar, disse Sheryl Becker, que criou uma petição na internet para que Melha Shriners elimine seus atos com animais.

Há muitos circos que não os usam, incluindo o Cirque du Soleil e o Circus Smirkus. Alguns circos patrocinados pela sociedade The Shriners deixaram de contratar números com animais, sinalizou Becker, que preside o grupo Western Massachusetts Animal Rights Advocates. Sua petição já tinha mais de 66 mil assinaturas.

Becker adora a sociedade The Shriners e apoia sua missão com entusiasmo, mas pensa que contratar animais para que atuem em circos mancha sua imagem.

Seu falecido pai foi um Shriner que a levou ao Melha Shrine Circus quando pequena. Como a maioria das crianças, ela ficou fascinada com os animais, mas sua atitude mudou quando chegou na adolescência.

Becker diz que os animais são tratados de maneira desumana, abrigados em condições apertadas e que recebem cuidado veterinário inadequado.

“É o medo mesmo que faz com que esses animais realizem esses truques estúpidos e degradantes”, afirmou.

A organização defensora dos animais PETA, que em 2016 elogiou Melha Shrine, condenou rapidamente o retorno dos números com animais.

“A decisão de trazer novamente os animais é boba, carece de visão do futuro e é alheia a realidade”, disse Rachel Mathews, diretora adjunta para assuntos legais da PETA.

Obrigar os animais a fazer truques “confusos e incômodos” para passar uma mensagem equivocada para as mesmas pessoas que o circo procura entreter não faz sentido. “A única coisa que isso faz é ensinar as crianças que não tem problema intimidar e subjugar”, acrescentou.

Allen Zippin disse que aprecia o importante papel que desempenham os grupos defensores dos animais e garante que o The Shriners trata os seus animais com amor e cuidado.

Inclusive, ele comenta que visualiza o dia em que os animais sejam eliminados de todos os circos.

Tradução de Alice Wehrle Gomide

Fonte: Terra 

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