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Circos com golfinhos acendem debate sobre crueldade animal na Ásia Central

Por Tolkun Namatbayeva / Tradução de Alice Wehrle Gomide

Quirguistao circos crueldade animal

Dentro de um circo aquático viajante na capital do Quirguistão, Bisqueque, gritos e aplausos aumentam conforme um golfinho pula de uma piscina e joga uma bola pela rede de basquete.

Centenas de pessoas apertadas dentro do Moscow Travelling Dolphinarium para assistir golfinhos e baleias beluga fazerem truques acrobáticos, contra um fundo pintado de azul do céu com palmeiras.

Uma locutora loira vestida como um marinheiro estimula os animais como se fossem atletas campeões.

“Um verdadeiro atleta não desiste tão facilmente”, ela diz enquanto uma beluga chamada de Dandy pula da água, mas não consegue bater em uma bola pendurada por um fio com seu rabo.

Mas ele não erra na sua segunda tentativa.

“E desta vez ele acertou!”, a locutora grita enquanto a multidão aplaude em aprovação ao sob uma trilha sonora de baladas estridentes de rock e pop russo.

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Enquanto o show de Ano Novo impressionava multidões no Quirguistão, ele também alimentava um longo debate em antigos estados soviéticos sobre crueldade aos animais.

Delfinários viajantes estão banidos na maior parte do mundo, mas continuam populares no antigo bloco soviético, onde os tipos de entretenimentos de circos proibidos no Ocidente, tais como os atos com animais selvagens como leões e ursos, continuam a prosperar apesar das preocupações sobre bem-estar animal.

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Mesmo assim a oposição ao abuso animal vem crescendo nos últimos tempos, com ativistas locais usando a internet para juntar dados e mobilizar a oposição às práticas que eles dizem que envolvem crueldade e estresse animal.

Antes do circo de golfinhos Moscow chegar na cidade, 1500 pessoas assinaram uma petição online implorando ao presidente do Quirguistão, Almazbek Atambayev, para proibir sua entrada.

Na noite de inauguração, um grupo de manifestantes interferiu nas performances com pôsteres contendo desenhos de golfinhos chorando, alguns deles feitos por crianças.

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“Por que este circo com golfinhos veio parar no Quirguistão? Porque ele não tem mais nenhum lugar para ir e nós somos um país pobre com uma legislação fraca”, disse Anna Kirilenko do BIOM, uma organização ambiental sem fins lucrativos baseada em Bisqueque, à agência de notícias AFP.

Entretanto, as autoridades em Bisqueque defenderam o show.

“Golfinhos amam ser tocados. Treinar e se apresentar são uma forma de brincadeira para os golfinhos… eles nasceram em cativeiro e, portanto, não conseguiriam sobreviver na natureza”, disse o gabinete do prefeito em uma declaração.

Gravações feitas em sigilo por jornalistas mostrando uma baleia de circo na cidade russa de Perm, sendo mantida em um pequeno contêiner de metal por dias a fio, foram usadas por ativistas para pressionar seu caso.

Um representante do Moscow Travelling Dolphinarium negou qualquer conexão entre o circo e a baleia em Perm, dizendo que a companhia nunca viajou para fora da capital da Rússia.

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Atirando em cães de rua

Abuso animal é um tema recorrente no Quirguistão – o segundo país mais pobre a emergir da separação da União Soviética.

Em 2011, as autoridades em Bisqueque anunciaram planos para atirar em cerca de 10.000 cães de rua, gerando uma revolta internacional e uma certa quantidade de petições exigindo que os animais sejam salvos.

O governo defendeu as mortes, argumentando que encontrar um lar para os cães ou organizar um programa de esterilização em massa era muito caro.

O país vizinho Tajiquistão também tem uma reputação por vezes desagradável sobre bem-estar animal.

Durante muitos anos, um homem de barba branca patrulhou as ruas da capital Dushanbe com um urso aparentemente triste com uma focinheira, oferecendo passeios aos transeuntes. Ele e seu urso ambos morreram em 2013.

O estresse e o desconforto sofridos pelos mamíferos aquáticos nos circos viajantes vem atraindo a atenção do público.

Em 2010, uma baleia beluga chamada Dale morreu de problemas cardíacos no Cazaquistão enquanto viajava com um circo russo.

O parceiro de circo de Dale perdeu interesse em apresentar truques após sua morte, e desapareceu do show pouco tempo depois, conforme reportou a mídia do Cazaquistão.

‘O pior dos piores’

“Estes circos de golfinhos viajantes são o pior dos piores em termos de crueldade”, disse Richard O’Barry, fundador do Dolphin Project, com base nos EUA, que luta contra o cativeiro de golfinhos.

“Eles carregam golfinhos e baleias em um caminhão. Eles vivem em uma caixa do tamanho de um caixão. Então eles tiram quanto dinheiro for possível com eles antes deles morrerem de doenças relacionadas ao estresse”.

O’Barry já treinou golfinhos para o show de televisão dos EUA Flipper, mas virou suas costas para tais apresentações após o golfinho que era mais frequentemente usado para o papel principal morrer no que O’Barry acredita ter sido um suicídio causado pela depressão.

Atualmente, ele luta contra o que ele chama o “argumento de ter nascido em cativeiro”, usado pelos donos de circos de golfinhos para justificar seus shows.

“Muito pouca pesquisa tem sido feita sobre este assunto”, O’Barry disse à AFP. “A maioria destes golfinhos provavelmente nasceu na natureza”.

Fonte: Yahoo

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