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Colômbia: Prefeitura de Guatapé responde por caso de maus-tratos a cavalos

Durante as férias os equinos foram pintados de verde e rosa para chamar a atenção dos turistas.

Tradução de Alice Wehrle Gomide

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Perante as denúncias de ambientalistas e cidadãos sobre cavalos pintados para o turismo no município de Guatapé, a administração da Prefeitura sinalizou que tomará as medidas necessárias para que casos como este não ocorram novamente.

O secretário do Meio Ambiente, John Gil, mostrou que está sendo idealizada dentro do Plano de Governo uma proposta que aponta a proteção dos animais que, assim como os cavalos, são utilizados no turismo: “Um dos temas prioritários para esta Administração é o meio ambiente, especificamente a proteção da vida e da dignidade das espécies domésticas e silvestres”, disse.

No momento, disse o secretário, os funcionários da administração realizaram reuniões com os comerciantes e camponeses que oferecem os serviços de passeios e cavalgadas pelas áreas urbanas e rurais do município.

De acordo com Astrid Saldarriaga Velásquez, moradora de Guatapé e protetora dos animais, no dia 31 de dezembro um cavalo branco foi pintado de rosa para um carnaval e assim ele ficou até que a chuva, o sol e o suor produzidos pelos largos passeios foram apagando as manchas.

Saldarriaga comentou que apesar das denúncias sobre esta situação, os passeios ou cavalgadas, que são frequentes em seu município, não foram restringidos ou regulamentados pela Administração Municipal, e também não há uma lei nacional que impeça que os camponeses ou comerciantes façam uso destes animais para ter lucro financeiro, independente de sua saúde.

“Eu fiz não somente uma, mas várias petições, falei com o Cornare, a autoridade ambiental da região, com a Secretaria de Meio Ambiente, e eles me respondem, mas não fazem nada. A situação é mais difícil a cada ano, pois o turismo aumenta e a saúde dos cavalos piora”, disse Saldarriaga.

A protetora dos animais sugeriu regulamentar a atividade colocando horários de trabalho aos animais, bebedouros na sombra ou em outro local de descanso, e proporcionar a eles uma melhor alimentação de acordo com o esforço físico que os animais realizam diariamente.

Perante essa denúncia, o diretor do AnimaNaturalis de Antioquia, Juan Guillermo Páramo, sinalizou que os direitos dos animais não podem ser esquecidos pelo turismo ou qualquer outra atividade econômica, por isso ele pediu ao novo prefeito a regulamentação das cavalgadas.

“O objetivo seria substituir estes animais por motocicletas e, talvez, enquanto isso, a atividade possa ser regulamentada, para que os passeios sejam feitos em um lugar adequado, não sob o sol e nem na água, o que queremos é que haja um compromisso das autoridades”, disse o ambientalista.

Páramo também pediu aos turistas que não participem das atividades desse tipo. Argumentando que os cavalos que eles alugam como forma de diversão são explorados, “não somente pelos seus proprietários mas também por vocês, que os utilizam”.

Lesões que ficam

Os animais que trabalham e são submetidos a este tipo de abuso podem, além de sofrer danos na coluna vertebral, ter sérios problemas psicológicos.

Uma das enfermidades mais frequentes é a aerofagia, que ocorre quando o cavalo lambe ou mastiga uma estrutura de madeira e logo depois inala profundamente, ativando hormônios que têm um efeito parecido a uma droga, por isso a jornada normal deve ser de seis horas, com intervalos para descanso e divisão de tarefas com outros animais.

“O que alguém espera para os animais utilizados no trabalho é, pelo menos, um tratamento digno e o cumprimento mínimo dos requisitos sanitários”, disse Julio Aguirre, veterinário da Inspeção Ambiental da Prefeitura de Medellín.

O veterinário também disse que a pintura, além de ser um ato óbvio de maus-tratos, interfere nas funções próprias da pele, que possui canais de autorregularão. A falha dessa regulação, explicou, pode ser manifestada em toxicidade média ou gerar sequelas, como dermatite.

Fonte: El Tiempo

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