Baleias-jubarte viram atração turística no arquipélago de Tinharé (Foto: Instituto Baleia Jubarte / Divulgação)

Com nove casos, Bahia lidera número de encalhes de baleias no país nos primeiros meses de 2018

Este ano, a Bahia registrou nove casos de encalhes de baleias-jubarte no litoral. O número corresponde a 43% do total de ocorrências deste tipo registrados em todo o país. O estado, de acordo com informações do projeto Baleia Jubarte, encabeça a lista dos locais com maior número de registros de encalhes, ficando à frente do Rio Grande do Sul, (3), Rio de Janeiro (4), Paraná (2), Espírito Santo (1), Alagoas (1) e São Paulo (1).

A Bahia é líder neste tipo de ocorrência há 13 anos: de 2002 a 2018, o estado se tornou o maior com casos de encalhe devido à extensão da costa litorânea. A tendência, de acordo com pesquisadores do projeto, é que este número cresça ainda mais nos próximos meses, quando têm início o período de reprodução dos animais, que abrange o inverno e a primavera. A estimativa é que esse número possa chegar a aproximadamente 100 animais encalhados até novembro em todo o país.

O encalhe, de acordo com o pesquisador Hernani Ramos, integrante da equipe de resgate de mamíferos marinhos do Baleia Jubarte, são causados pelos impactos humanos e podem comprometer a viabilidade da população da espécie se eles não forem identificados. As principais ocorrências envolvem o emalhamento das baleias em redes de pesca e a colisão com embarcações.

“Um número importante de animais encontrados mortos nas praias apresenta marcas de emalhamento em redes de pesca. Há também o risco de traumas com grandes embarcações, principalmente onde as rotas de navios que demandam portos, cruzam as áreas de concentração das jubartes, e mesmo o ruído de determinadas atividades, como prospecção sísmica, podem trazer problemas para a espécie”, explicou o pesquisador.

Ainda segundo Ramos, são raros os casos em que as baleias encalham vivas nas praias. Durante este tipo de ocorrência, segundo ele, o desafio dos pesquisadores é mover os animais sem ferí-los.

“O desencalhe de uma baleia viva é uma ação que envolve muitos riscos, tanto de ferimentos provocados involuntariamente pelo animal, como a aquisição de doenças ao entrar em contato com o mesmo e com o spray de sua respiração. Por isso, essas tentativas devem sempre ser realizadas sob orientação especializada”, alertou.

Apesar dos riscos, o projeto aponta a ocorrência de encalhe como um sinal de que o litoral brasileiro se configura como um local livre de riscos de matança, prática comum no país até a segunda metade do século XX, e que quase a levou a espécie à extinção.

“De uma população que, na virada do século, era de apenas cerca de 3 mil baleias, o projeto estima, hoje, que este número chegue a 20 mil animais”, disse o pesquisador.

Ainda de acordo com dados do projeto Baleia Jubarte, os encalhes nessa temporada não ameaçam para a recuperação da espécie nas águas do litoral brasileito.

Fonte: G1

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