Com queda nas doações, ONG que cuida de animais ameaça fechar em Jundiaí, SP

Com queda nas doações, ONG que cuida de animais ameaça fechar em Jundiaí, SP

SOS Animais Abandonados, em Jundiaí, perdeu 60% das doações mensais. ‘Só queremos continuar funcionando’, diz ativista.

Por Amanda Campos

SP Jundiai ong crise

Quando começou a recolher animais das ruas de Jundiaí (SP), a publicitária Valéria Bianchi Siqueira, de 42 anos, viveu uma crise pensando se conseguiria ajudar os bichos a superarem seus traumas. Agora, dois anos e cerca de 150 cães e gatos depois, a maior preocupação da ativista é como manter a SOS Animais Abandonados funcionando após a diminuição de 60% das doações mensais à ONG desde agosto.

“Só queremos continuar funcionando, pois boa parte desses animais fica na minha casa: são quase 100 gatos e 12 cães. O restante, pelo menos 30, fica em um sítio, mas agora teremos de achar outro lugar, porque o dono quer o espaço de volta. O dinheiro diminuiu. Meus gastos, não”, diz Valéria em entrevista ao G1.

Segundo a ativista, a entidade gasta entre R$ 10 mil e R$ 12 mil mensalmente com ração, veterinário, água, luz, combustível, entre outros. Ela diz que gastos com cirurgias ortopédicas, no caso dos animais atropelados, por exemplo, não entram nessa cota por não serem mensais, mas quando são necessárias, custam em torno de R$ 3 mil. Atualmente, a ONG conta com cerca de 20 doadores fixos que contribuem com quantias entre R$ 30, R$ 50 e R$ 100 todos os meses.

SP Jundiai ong crise2

Mais tempo nas feiras

Até os índices de doações de animais têm caído em relação a 2014. Exatos 75%, de acordo com a ativista, desde abril. “Recentemente pegamos cinco filhotes de cachorro e os levamos a uma feira de doação. Demoramos cinco dias para arranjarmos donos para eles. Geralmente doávamos esses cães logo no primeiro dia”, analisa.

Por causa da crise econômica que afeta o país, ela afirma que não consegue pegar outros bichos a não ser em casos extremos, como maus-tratos. Ainda assim, ela ajuda a manter animais que seriam entregues por seus donos à ONG fornecendo ração e ajudando a conseguir consultas veterinárias mais baratas. Além disso, ela mantém um hotel PET na própria casa para ajudar nas despesas.

“São geralmente famílias que não querem ou não podem mais ficar com o cão ou gato e, por terem responsabilidade, não abandonam os bichinhos na rua. Eu deixo eles em minha casa e os donos me pagam uma mensalidade”, explica.

A maioria dos animais recebidos pela ONG é vítimas de maus-tratos, abandono e de doenças. “Há pets que chegam com queimaduras, desnutrição e problemas sérios de saúde. Aqui eles são acolhidos com muito amor”, diz. Hoje Valéria se dedica exclusivamente aos animais e sobrevive com o dinheiro das doações.

SP Jundiai ong crise3

Consequência da alta do dólar

Outra ONG que foi afetada pela crise é o santuário de São Roque, na região de Sorocaba, que recebeu 29 porcos retirados de um sítio de Diadema (SP). O local também tem sofrido com a baixa orçamentária e a alta do dólar.

Por causa da alimentação desses animais, que inclui trigo e milho, o impacto da moeda norte-americana tem preocupado a dona da entidade, a ativista Cíntia Grattini, que cuida de outros 80 bichos, incluindo os 56 resgatados do acidente com uma carreta no Rodoanel em agosto, na Grande São Paulo.

“Já gastamos R$ 100 mil na estrutura para tratar dos porcos e agora, com a alta do dólar, estamos preocupados em manter a alimentação dos animais com trigo e milho. São muitos animais e precisamos de ajuda na adoação responsável deles”, explicou ela. A estimativa dos ativistas é de que o cuidado com cada animal gere uma despesa mínima de R$ 500 por mês.

SP Jundiai ong crise4

Fonte: G1

Os comentários abaixo não expressam a opinião da ONG Olhar Animal e são de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.