Comissão estuda condições para doar Tuan e Dengo ao Rancho dos Gnomos

Comissão estuda condições para doar Tuan e Dengo ao Rancho dos Gnomos

Grupo ajudará a decidir sobre possível transferência de onça-pintada e de leão que vivem no zoológico de Brasília.

DF Brasilia doar

Uma comissão técnica será criada nos próximos dias para auxiliar na decisão sobre a possível doação do leão Dengo e da onça-pintada Tuan à Associação Santuário Ecológico Rancho dos Gnomos, de São Paulo. Farão parte do grupo um representante da Fundação Jardim Zoológico de Brasília – onde vivem os animais –, outro da instituição que demonstrou interesse pelos felinos e um terceiro do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Distrito Federal.

O colegiado deve ser instituído por meio de portaria da fundação ou da Secretaria do Meio Ambiente. A ideia, segundo o secretário André Lima, é que a equipe estude detalhadamente as condições caso haja uma transferência. “O foco é a qualidade de vida e o bem-estar do animal.”

Os trabalhos terão como subsídio uma série de levantamentos a serem feitos sobre a possível doação, tais como a condição do transporte, o risco da transferência à saúde dos animais e o ambiente que a associação dispuser para eles. Parte dessas demandas foram apontadas pela Procuradoria-Geral do Distrito Federal, que emitiu a primeira análise jurídica sobre a situação. O órgão solicitou documentos que comprovem motivação clara para os bichos deixarem Brasília.

Inspeções

O grupo que avaliará a possibilidade de transferência foi criado durante a primeira reunião extraordinária do Comitê Interinstitucional da Política Distrital para os Animais, nesta tarde (18), no zoo de Brasília. “O encontro cumpriu o dever de deixar muito claro que não há maus-tratos aqui”, resumiu André Lima, ao destacar que o jardim zoológico da capital federal é um dos três melhores do País.

Durante o encontro, apresentaram-se relatórios de três inspeções pelas quais a fundação passou neste ano. Em nenhuma constatou-se que os animais foram maltratados. “Os biólogos [do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios] ficaram 30 dias no zoológico verificando o cumprimento da legislação ambiental, com foco nas denúncias de maus-tratos, o que em nenhum momento se verificou”, explicou Luciana Bertini, titular da 4ª Promotoria de Defesa do Meio Ambiente e do Patrimônio Cultural. O ministério público, segundo ela, acompanha sistematicamente o trabalho do zoo desde 2005.

Para o vice-governador, Renato Santana, que esteve na reunião, outro grande ganho do debate é a transparência na tomada de decisão sobre o assunto. “Estamos querendo ouvir, pois precisamos avançar para o que for melhor para esses animais”, destacou.

Também participaram o subsecretário de Áreas Protegidas, Cerrado e Direitos de Animais, Romulo Mello; o diretor-presidente e o diretor-adjunto da Fundação Jardim Zoológico de Brasília, José Vieira da Silva e João Suender, respectivamente; o representante da Procuradoria-Geral do DF, Gabriel Abbad Silveira; e o deputado federal Ricardo Izar (PSD-SP), presidente da comissão parlamentar de inquérito (CPI) criada para investigar casos de maus-tratos a animais no Brasil.

Felinos

O leão Dengo chegou ao zoológico de Brasília em 21 de julho de 2011 com aids felina e problemas de desenvolvimento corporal causados por má alimentação e por falta de qualidade no confinamento anterior em um circo.

Devido aos problemas de saúde, Dengo, que tem quase 16 anos, precisou ser transportado em avião e sempre contou com acompanhamento médico-veterinário e uma rotina monitorada por biólogos e zootecnistas. Por não poder ter contato com outros bichos, nunca ficou em área de exposição e é cuidado em um recinto de tratamento com 77 metros quadrados, que passará por reforma e será ampliado, mesmo que ele deixe o local. De acordo com o diretor-adjunto João Suender, o ambiente é maior do que o especificado em instrução normativa do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

A onça-pintada Tuan nasceu no zoo brasiliense e tem insuficiência renal crônica. Ao contrário de Dengo, o macho de 21 anos passou a maior parte da vida em exposição. Atualmente, ocupa um espaço de cerca de 800 metros quadrados.

Fonte: Diário da Manhã / Agência Brasília

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