Como comer cheeseburguer poderia estar matando os peixes-boi – e o que você pode fazer a respeito

Como comer cheeseburguer poderia estar matando os peixes-boi – e o que você pode fazer a respeito

Por Kate Good / Tradução de Matheus B. Garcia

A Flórida tem sido noticia recentemente por motivos peculiares. Aparentemente, gigantes ondas verdes carregadas de algas tóxicas verde azuladas – que têm sido comparadas ao guacamole – estão lavando a praias do Sul da Flórida, deixando para trás uma espessa camada de espuma. Esta planta esticada pode alcançar 33 milhas (aproximadamente 53 km) e pode ser vista do espaço. O governador Rick Scott chegou a declarar estado de emergência pela propagação da alga e o ecossistema ainda tenta se equilibrar.

Agora parece que a proliferação de algas está causando mais problemas no Sul da Flórida, de acordo com o jornal Orlando Sentinel, oito carcaças de peixes-boi foram encontradas naufragadas na costa do Indian River Lagoon no Condado de Brevard desde o final de maio.

Os peixes-boi já estavam prestes a serem classificados como ameaçados e em perigo de extinção por mais de uma década e a perda de tantos indivíduos é um grande problema, considerando sua baixa taxa de reprodução.

Procurando pela causa das mortes desses mamíferos, os cientistas se voltaram para o surto de algas como o potencial culpado. ‘’Nós ainda estamos refinando as causas, mas a hipótese é que a mudança da vegetação que os peixes-boi estão comendo os faz suscetíveis a complicações intestinais’’, disse Martine de Wit, uma veterinária da Florida Fish and Wildlife Conservation Commission (Comissão de Conservação de Peixes e Vida Selvagem). ‘’Isso lhes dá um choque agudo’’.

A vida marinha nessa região tem lutado contra a proliferação das algas desde 2012. Estas plantas tornam a cor da água um castanho escuro e causam a morte das gramas marinhas, deixando apenas uma macha avermelhada para trás. As gramas marinhas são as principais fontes de alimento para os peixes-boi e mudar para as algas vermelhas é o que se acredita estar causando o problema, entretanto, eles não são os únicos animais que sofrem. Relatórios apontam queda nas populações de golfinhos e pelicanos em conjunto com o aumento da proliferação das algas locais.

Então, o que está causando o aumento dessas algas no Sul da Flórida? Um dos principais suspeitos é o escoamento de estrume e fertilizantes causado pela agropecuária industrial.

Fósforo e nitrogênio são dois nutrientes comumente associados ao aumento do número de algas, sendo ambos encontrados em estrume de gado. Em 2015 um relatório feito pelo South Florida Water Management District (Distrito de Gerenciamentos de Águas do Sul da Flórida) notou que o descarte de fazendas de gado, leiteiras e de plantação de legumes do norte do estado até os subúrbios de Orlando viajam para o Sul do estado pelo Rio Kissimmee. Na verdade, o relatório aponta que 37% da água de descarte carregada de fósforo vêm de terras do Norte.

Com a habilidade de viajar com água de descarte, esses nutrientes tem o potencial de causar uma devastação em larga escala na vida marinha local e no ecossistema do estado. Na verdade, a proliferação de algas devido à agropecuária é bem comum nos EUA, mas ela vem com pouca surpresa, considerando que o Environmental Protection Agency (Agencia de Proteção Ambiental) estima que em torno de 35 milhões de toneladas de esterco (medido em peso seco) são produzidos pelo gado nos Estados Unidos a cada ano. E se as fazendas não têm um sistema de tratamento local para lidar com os resíduos, os nutrientes desse estrume vão fluir para rios subterrâneos ou águas superficiais ou então se acumular em lagos ou oceanos.

Enquanto a proliferação de algas ligada às mortes dos peixes-boi não é a mesma que leva às ondas de guacamole, ainda ilustra o papel que nossas escolhas alimentares desempenham na alteração de delicados ecossistemas marinhos. A agropecuária desempenha um grande papel na degradação do ecossistema em todos os EUA, e vendo o impacto potencial que a proliferação de algas potencializada por nutrientes adicionais na água pode ter sobre espécies ameaçadas, como os peixes-boi, nós temos de nos perguntar se realmente vale a pena. Ter mais cheeseburgers realmente vale a degradação crítica de habitats marinhos?

A boa notícia é que todos nós podemos reduzir o impacto causado pela agropecuária simplesmente reduzindo ou eliminando a quantidade de carne e de laticínios que consumimos diariamente. Se a demanda global por esses produtos diminuísse, nós não teríamos a necessidade de tantas fazendas industriais que abrigam dezenas de milhares de animais que produzem mais excremento que toda população humana combinada… mais excrementos que toda a população humana combinada…

Como uma organização líder na vanguarda do movimento de consumo consciente, é da visão do One Green Planet que nossas escolhas alimentares têm o poder de curar o nosso sistema alimentar quebrado, dar às espécies uma chance de lutar pela sobrevivência, e pavimentar o caminho para um futuro verdadeiramente sustentável. Para saber mais sobre como você pode usar suas escolhas alimentares para o bem, junte-se ao movimento #EatForThePlanet (#ComaPeloPlaneta) do One Green Planet!

Fonte: One Green Planet 

Nota do Olhar Animal: Claro que consumir cheeseburguers significa, antes de tudo, matar bois e vacas, seres tão sencientes e com tanto direito à vida quanto peixes-boi, golfinhos e pelicanos. Não há diferença relevante alguma entre eles que justifique uma menor preocupação com a morte destas vítimas primárias da indústria da carne e leite e de quem consome seus produtos. 

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