Como deter a matança de golfinhos sem o governo

Como deter a matança de golfinhos sem o governo

Tradução de Marli Vaz de Lima

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O parque SeaWorld deveria suspirar de alívio, porque os holofotes já se viraram deles para algo mais sangrento e ainda mais perturbador, a matança organizada de golfinhos. A maior organização de zoológicos do mundo, a Associação Mundial de Zoos e Aquários (WAZA – World Association of Zoos and Aquariums), esteve recentemente ligada à caça japonesa aos golfinhos, como uma fonte de golfinhos para shows.

A caça organizada japonesa é onde os caçadores atraem grupos de golfinhos em uma determinada área, como uma enseada ou baía rasa, ponto a partir do qual eles usam redes e lanchas para pegar o maior número possível de golfinhos. Os golfinhos que não são vendidos para proprietários particulares ou empresas privadas são mortos no local e deixados para apodrecer na água. Um caçador nível médio pode ganhar entre US$ 41.600 e 47.746 com um golfinho dócil e facilmente treinável que pode ser usado para shows, enquanto as outras criaturas não tão afortunadas são vendidas para açougueiros como carne barata.

A Australian for Dolphins (Austrália Para Golfinhos), organização sem fins lucrativos dos direitos dos animais que está acusando a WAZA desta conexão perturbadora, enviou sua chefe executiva, Sarah Lucas, para a sede da WAZA em Genebra, Suíça, para ouvir uma declaração da empresa, mas foi informada por um representante da WAZA que a maneira com que os golfinhos foram obtidos para os seus jardins zoológicos e aquários é considerada normal para a cultura japonesa.

Em meu artigo anterior sobre as acusações de abuso de animais no SeaWorld, discuti como o boicote a determinadas empresas que trabalham de uma forma que os consumidores consideram antiética era a melhor maneira de criar mudanças internas e autênticas nos desejos dos consumidores; em contrapartida à regulação e à intervenção do governo no mercado. Por ser a WAZA uma cadeia global, seria necessário um boicote de todos os Zoos e Aquários associados para fazer qualquer tipo de diferença, ainda que esse método seja muito grande em escala para ser visto como uma abordagem prática para lidar com esta questão.

Muitas tentativas populares foram feitas para conscientizar sobre a caça organizada japonesa, à qual a WAZA tem estado especificamente ligada. O documentário de 2009 intitulado “The Cove” (A Baía da Vergonha) cativou o público em todo o mundo, pois cineastas expuseram a brutalidade infligida aos golfinhos, temporada após temporada no Japão. O alvoroço causado pelo documentário “The Cove” foi uma mola propulsora para filmes similares discutindo a caça organizada japonesa, e um frenesi da mídia em torno da questão do tratamento ético dos animais.

Uma vez que a cadeia de zoos e aquários da WAZA é grande demais para ser enfrentada, exigir prestação de contas da WAZA vai envolver mais esforço do que simples boicotes. Considerando que cada Tom, Dick e Jane na Terra está ligado, de alguma forma, à mídia social, a capacidade de se tornar sua própria imprensa não exige mais do que um telefone com capacidade de conexão com vídeo e internet. Este acesso a informações compartilhadas com milhões em um instante é capaz de transformar um cidadão comum em um repórter investigativo. De abuso policial a zonas de guerra e ataques secretos, as novas mídias são uma forma poderosa de manter essas organizações responsáveis perante o público a que servem.

A WAZA tem poder e influência suficientes para empurrar essas acusações de lado por muitos anos mais. A única forma de salvar estes golfinhos dos abusos e do tratamento desumano, neste caso, é que os cidadãos comuns continuem fazendo brotar evidências de conexões com estas unidades japonesas de caça, das quais a WAZA não pode continuar a fugir. Afinal, é difícil mentir quando você é pego em flagrante com as mãos sujas de sangue e o Flipper morto ao lado.

Fonte: The Libertarian Republic 

Nota de Olhar Animal: Na verdade o SeaWorld não teve e não terá trégua. Ativistas já estão contestando a campanha lançada para melhorar a imagem destes exploradores de animais. 

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