Como estamos usando um filme para acabar com a antiquada tradição de abate de milhares de baleias piloto

Como estamos usando um filme para acabar com a antiquada tradição de abate de milhares de baleias piloto

Por Capitão Paul Watson, Sea Shepherd / Tradução de Pâmela Miler

O Sea Shepherd tem trabalhado para encerrar o Grindadrap nas Ilhas Faroé dinamarquesas desde 1983. O Grindadrap (traduzido literalmente como “o assassinato de baleias”) é considerado uma tradição cultural neste pequeno grupo de ilhas localizado a meio caminho entre a Escócia e a Islândia.

Referido simplesmente como o “Triturador”, envolve a condução de grupos inteiros de baleias-piloto e golfinhos em praias faroenses, onde os animais são brutalmente abatidos com lanças e facas. Não é uma operação comercial e não há nenhuma necessidade real em matar os animais para a sobrevivência.

Os faroenses desfrutam de um dos mais altos padrões de vida no mundo e, embora alguns deles afirmem que a carne é essencial, a realidade é que qualquer produto que pode ser encontrado em qualquer supermercado na Europa ou na América, pode ser encontrado disponível nas Ilhas Faroé.

A carne da baleia piloto também está fortemente poluída com metil mercúrio e outros metais pesados​​, tanto que as autoridades de saúde nas Ilhas Faroé aconselham que a carne só seja consumida uma vez por mês e nunca por mulheres grávidas e crianças pequenas. As Ilhas Faroé tem a maior concentração de metil mercúrio em suas estruturas que qualquer outro grupo no planeta.

Esta toxicidade não é suficiente para convencer muitos a abandonar este abate. A tradição cultural como justificativa é notoriamente difícil de tratar.

O Sea Shepherd enviou dez campanhas para as Ilhas Faroé desde 1983, salvando centenas de baleias e golfinhos de serem abatidos, mas ao mesmo tempo, temos sofrido numerosas prisões e tivemos a apreensão de três dos nossos barcos. Nas Ilhas Faroé é ilegal parar e interromper a matança e até mesmo ilegal ver um grupo de baleias e não relatar o avistamento para os baleeiros.

Nosso sucesso na redução de mortes fez com que os faroenses respondessem com leis ainda mais rigorosas que proíbem agora a tripulação do Sea Shepherd de entrar em águas faroenses ou mesmo vestir camisas do Sea Shepherd em terra.

Como resultado, o Sea Shepherd criou uma nova estratégia chamada Operação Fjords Sangrentos.

O Sea Shepherd vai agora pegar todos os vídeos dos assassinatos e as intervenções para produzir um documentário, além de lançar oposição legal, midiática e econômica ao terrível massacre anual nas praias faroenses.

O desafio legal baseia-se no fato de que matar cetáceos é ilegal de acordo com os regulamentos da União Europeia. As Ilhas Faroé afirmam ser isentas da regulamentação apesar de receber enormes subsídios da UE. Além disso, cerca de 85 por cento dos cidadãos faroenses têm passaporte da UE, permitindo-lhes usufruir dos benefícios da cidadania da UE, sem que tenham de respeitar ou tolerar as leis da UE. Além disso, a Dinamarca está obrigada a respeitar as leis da UE mesmo que apoie a matança de cetáceos com seus policiais, militares e tribunais.

A estratégia econômica do Sea Shepherd tem como alvo a indústria primária das Ilhas Faroé – pesca e com um foco especial na exploração do salmão.

Baleias piloto e golfinhos são mortos próximos a essas fazendas, e um fato muito preocupante é que uma grande parte da carne do Grind desaparece. Não há muita carne para alimentar a população de cerca de 50.000 pessoas, sendo que pelo menos metade não come a carne e o resto está restrito a 250 gramas por mês devido a preocupações com a saúde. O Sea Shepherd encontrou numerosos corpos de baleias-piloto despejados e em decomposição no fundo no mar, mas mesmo esses cadáveres mofando submersos não cobrem o mistério da carne que some.

Eu perguntei às três principais empresas de salmão das Ilhas Faroé se eles estão alimentando os salmões dos viveiros com a carne da baleia-piloto e de golfinho. Recentemente descobrimos que os noruegueses estão alimentando os animais em fazendas de pele com baleia e nós suspeitamos que eles também estão alimentando o salmão de viveiro com as baleias.

Em resposta às minhas perguntas para as empresas Hidden Fjords, Bakkafrost e Marine Harvest sobre a questão se usam baleias-piloto e carne de golfinho para alimentar o salmão de viveiro, eu não recebi uma única resposta e seus estoques de comida de peixe são muito bem guardados.

Nós não temos nenhuma prova de que o salmão faroense seja alimentado por cetáceos, mas à luz da tonelada de carne faltante, a proximidade com as praias de matança e a recusa das empresas em responder às perguntas, existem motivos razoáveis ​​para suspeitar que eles o façam.

Temos também muitos relatos de funcionários dessas empresas participantes do impiedoso Grind e minha pergunta sobre isso também não foi respondida. Portanto, o Sea Shepherd iniciou uma campanha para que os consumidores e distribuidores boicotem os produtos destas três empresas, porque há uma possibilidade muito real de que quando as pessoas comem salmão faroense, elas também podem indiretamente comer baleias-piloto e golfinhos.

O Sea Shepherd também incentivará os navios de cruzeiro a não parar nas Ilhas Faroé e para os turistas que não apoiem um destino de viagem, onde nas praias correm o vermelho do sangue e ecoam os gritos de baleias morrendo através dos fiordes.

Esta matança não tem lugar no século 21. A cultura baseada na tradição do abate e da crueldade não deve mais ser tolerada. Animais marinhos estão seriamente ameaçados por causa da morte direta, da destruição do habitat, da poluição e das mudanças climáticas.

O Grind é ecologicamente destrutivo e uma ofensa bárbara, e o Sea Shepherd está implacavelmente dedicado a jogar esta tradição obscena na lata de lixo da história por meio da educação, ação direta, pressão econômica e desafios legais.

Fonte: One Green Planet

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