Danko, um leão faminto em um zoológico na Venezuela, é um dos animais que o ativista Raúl Juliá Levy espera evacuar em meio a escassez de alimentos fortes que afetam o país. Cedido por Lenin Danieri.

Como nos filmes: ator quer evacuar os animais de zoológicos na Venezuela por enorme avião

Parece um plano tirado de um script de Hollywood.

Um enorme avião de transporte Hercules C-130 aterriza no oeste da Venezuela, carregando vários doentes e famintos animais do jardim zoológico no meio da noite e leva-os a parques nacionais em várias regiões do mundo.

Mas isso é exatamente o que Raúl Juliá Levy – ativista pelos direitos dos animais – espera alcançar.

Horrorizado por imagens de leões esqueléticos e relatórios de funcionários do zoológico que utilizaram animais “inferiores” para alimentar os grandes carnívoros no meio de uma crise alimentar nacional,  Juliá Levy pediu para a Venezuela autorizar uma evacuação em massa.

“A situação com os leões e os tigres é algo que está além da razão, além do que alguém poderia pensar que é possível,” ele disse desde a cidade do México, onde está organizando os esforços. “Não consigo imaginar um lugar no mundo onde permita tanto sofrimento aos animais”.

Venezuela ultimamente tem gerado muitas notícias desagradáveis que muitos se tornaram insensíveis. Hiperinflação, a escassez de alimentos, a criminalidade e a turbulência política estão alimentando um êxodo maciço e relatórios de muita fome.

Mas mesmo em meio a má notícia, a situação dos animais no zoológico na Venezuela a provocado mais espanto.

Quando fotos de um elefante fino chamado Ruperta no zoológico Caricuao veio à tona no ano passado, a história gerou manchetes em todo o mundo. Este ano foram fotos de Pumas atrofiadas que têm horrorizado o mundo.

A maioria dos problemas em zoológicos venezuelanos são devido ao estado da economia nacional, disse Doris Rubio, da Associação para a defesa e protecção dos animais da Venezuela.

Seu ramo na organização engloba o jardim zoológico no estado de Zulia, onde Juliá Levy espera para evacuar um leão chamado Danko.

Construído em 1973 em 99 acres de terra, o parque esta cerca de 14 milhas ao sul de Maracaibo, a segunda maior cidade da Venezuela e era uma atração turística regional.

Rubio disse que os problemas começaram há quatro anos, quando 56 cavalos de pista local adoeceram.  Em vez de sacrifício, o governo, que estava sem fundos, decidiu jogá-los para os predadores do jardim zoológico.

Mas enquanto esperavam para lhes dar para carnívoros, não havia dinheiro para alimentar os cavalos.

“Os cavalos não tinham comida ou água,” ela disse. “Nós tentamos alarmar, mas ninguém ouviu. Foi incrivelmente triste vê-los morrer assim. Não mereciam morrer assim”.

Desde então, os problemas se agravaram. E no meio de relatórios de imprensa negativa, o zoológico teve que fechar as portas ao público.

Lenin Danieli, um jornalista local, conseguiu entrar no local mês passado. Ele disse que esta destruído e sujo, que muitas das gaiolas estão vazias, o que valida a informação de que sacrificaram alguns animais para alimentar os outros, ou as pessoas da área que estam com fome los robou.

“O problema é que não existem registros, e ninguém liga para o que acontece,” ele disse. “Um dia um animal está lá e no dia seguinte já não esta”

Rubio também descreveu problemas generalizados no zoológico: as geladeiras, usadas para armazenar a carne dos animais estão quebradas e não funciona o sistema de bomba hidráulica, para o peixe-boi não tem água suficiente no tanque.

Danko, o leão, parece perigosamente faminto e letárgico, ela disse e há um tigre com um tumor canceroso no pescoço que as autoridades do jardim zoológico não puderam tratar porque não há nenhuma anestesia.

Arauto de Miami tentou chamar ao zoológico, mas um ex empregado confirmou que os telefones não funcionam. Ninguém nem respondeu as chamadas ao ofício do governador.

Mas as autoridades disseram aos jornais locais que a imprensa está exagerando no problema. E também está claro que as redes sociais não contribuem claramente ao assunto. Uma imagem alarmante amplamente difundida de um leão faminto foi tirada dentro de um zoológico de Yemen.

Mas não há nenhuma dúvida que a crise é real. E dado ao caos, Rubio está impulsionando o plano de Juliá Levy para tirar os animais da região, pelo menos temporariamente.

“O leão está morrendo”, disse Rubio de Danko. O que estamos pedindo é que nos permitam oferecer assistência sem qualquer interferência política.”

Mas na Venezuela, oferecer assistência virou algo político. O governo insiste que as pessoas não passam fome e rejeitou ofertas de ajuda humanitária.

Recentemente a Cruz Vermelha pediu novamente abertamente ao governo em Caracas que permita a entrada de medicamentos muito necessitados.

Juliá Levy disse que já tem acesso a um avião de carga C-130 e promessas de parques e reservas no México, Estados Unidos e Europa a serem encarregados dos animais. E ainda disse que não há nada político no que quer fazer, reconhece que as políticas estão afetando seus esforços.

O homem alega que funcionários locais do Estado de Zulia deram permissão tácita para evacuar alguns animais, mas eles estão preocupados com as possíveis reações do governo central do presidente Nicolás Maduro.

“O primeiro que eles me ofereceram era que viesse no meio da noite, carregasse o avião com os animais e os levassem para o México”, disse. “Mas eu não faço as coisas deste modo. Assim não é como se mostra o ativismo e compromisso com o mundo.”

Juliá Levy sabe sobre controvérsias. Este homem de 46 anos é o filho do falecido ator de Hollywood Raúl Juliá, mais conhecido pelos seus papéis em El beso de la mujer araña e como Gómez Addams na franquia La Familia Addams.

Mas a viúva do ator declarou ao The New York Times em 2005 que Juliá Levy é um impostor. É uma acusação que Juliá Levy recorreu com sucesso nos tribunais mexicanos.

Também disse que recentemente sobreviveu a uma intenção de seqüestro no México onde duas pessoas morreram, e mostrou fotos da matança sangrenta.

Mas o ativismo a favor dos animais de Juliá Levy esta bem documentado.

“Meu pai me fez conhecer o mundo de Hollywood, mas naquele momento não era atraente”, Juliá Levy disse que teve alguns papéis em Hollywood e no México. “Algo seguiu movimentando meus interesses e metas em outra direção, os animais.”

Criou a Fundação Raúl Juliá Levy em 2007 – uma organização privada com sede no México – e dedica boa parte do seu tempo para defender os cachorros e gatos de rua, e para os animais de circo. Também tem sido um defensor da liberação de Lolita, a baleia orca do Miami Seaquarium.

Mas diz que neste momento esta centrado em contactar Maduro – geralmente por mensagens No Twitter – e apelar a sua compaixão. Juliá Levy diz que há aproximadamente 100 animais de zoológico que necessitam serem tratados e evacuados com urgência.

Eu peço ao presidente que me entregue os animais mais fracos, os mais doentes”, disse, “porque eles morrerão logo se nós não ajudarmos.”

Por Jim  Wyss / Tradução de Thaís Perin Gasparindo

Fonte: El Nuevo Herald

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