Conflito no Festival Jallikattu: Crueldade, dizem os ativistas da PETA; manifestantes alegam sabotagem

Conflito no Festival Jallikattu: Crueldade, dizem os ativistas da PETA; manifestantes alegam sabotagem
Foto: Arquivo de Jallikattu

O festival Jallikattu está se transformando em um ponto de conflito em Tamil Nadu com milhares de manifestantes se unindo para apoiar o esporte. O coro também está crescendo para banir a organização de direitos dos animais Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais (PETA) de Tamil Nadu. Enquanto a raiva das pessoas é evidente nas ruas de Tamil Nadu, a PETA e os ativistas associados a ela alegam que a raiva contra a organização não é justa.

Comentar sobre o argumento de que é um esporte tradicional e, portanto, deveria ser permitido que continue, Vinay Kulkarni, um ativista da PETA disse: “Jallikattu antigamente era mais esportivo, mas agora é pura crueldade. Eu sou contra e a PETA também porque estamos lutando pelos direitos dos animais, pelo bem-estar dos animais. A raiva não é justificada e nem justa. Nós não banimos o esporte, o Tribunal Superior que baniu”.

Muitos manifestantes que apoiam o Jallikattu disseram que uma proibição total foi desnecessária e colocar regulamentações iria garantir a segurança dos touros, assim como a continuidade da tradição. Questionando esse argumento, os ativistas perguntaram quem irá monitorar o esporte? O evento é organizado em larga escala anualmente ao redor do estado e tendo regulamentações criará um novo problema para implantar, ele acrescentou.

Enquanto isso, a PETA Índia vem respondendo às críticas que está recebendo sobre o assunto do Jallikattu. “Jallikattu explora o nervosismo natural dos touros como presas ao deliberadamente colocá-los em uma situação aterrorizante na qual eles são forçados a fugir daqueles que eles consideram predadores. A crueldade é inerente nesses eventos, já que os touros não são anatomicamente adequados para eles. Foi observado que, forçar os touros a participarem, é submetê-los a dor e sofrimento desnecessários, então foi decidido que tais esportes não são permitidos por lei”, disse a PETA em uma declaração.

Sobre as alegações de que a PETA possui segundas intenções em proibir tais eventos, a declaração disse: “Jallikattu, corridas de touros e outros eventos similares também violam a Lei de Prevenção da Crueldade contra Animais de 1960. Isto significa que causar sofrimento desnecessário aos touros, que é inerente nesses eventos, é ilegal há 56 anos”.

PETA, uma máfia, alegam os manifestantes

Os protestos em Marina Beach, em Chennai, são sem precedentes. Os políticos que tentaram fazer parte dos protestos foram vaiados, incluindo o presidente atual do partido Dravida Munnetra Kazhagam. A agitação das pessoas está ganhando cada vez mais força. Os manifestantes vêm exigindo uma proibição da PETA por passar uma ‘imagem errada’ do Jallikattu e de Tamil Nadu.

“A PETA é uma companhia de marketing. Seu trabalho é escolher alguns assuntos, mostrá-los sob uma péssima luz e conseguir patrocínio estrangeiro. Eles trabalham como uma máfia, organizados em suas ações para agradar aos chefes estrangeiros. Sua atuação vai daqui até o Tribunal Superior, e sua luta é contra os fazendeiros pobres que não conseguem enfrentar batalhas legais. É uma atrocidade dizer que o Jallikattu é cruel. Eu sou um amante dos animais e eu já participei do esporte. Sim, pode ter havido alguns casos de animais sendo maltratados, mas generalizar não é justo”, disse Muralidharan, que gerencia um abrigo para animais abandonados em Chennai, mas que acredita que a proibição do Jallikattu não é justa.

Os manifestantes se recusaram a ceder às ordens do governo. Eles se recusam a deixar o local apesar do secretário geral do AIADMK ter garantido que iria explorar ações legais para banir a PETA no último dia 18. “Para mim, este protesto é uma revolução. No ano passado 24 pessoas protestaram em apoio ao Jallikattu, e este ano somos 25.000, e eu te garanto que haverá 250.000 de nós se a proibição não for revogada”, Muralidharan acrescentou.

Os manifestantes acreditam que eles não precisam de nenhum partido ou líder político para liderar o protesto. Eles esperam que isso cause um impacto no Tribunal Superior que ainda está para dar o julgamento sobre a questão do Jallikattu. Com o governo central se recusando a aprovar uma portaria, a decisão do Tribunal Superior é o que todo mundo está esperando.

Por Anusha Ravi / Tradução de Alice Wehrle Gomide

Fonte: One Índia 

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