Conflitos entre cães e gatos podem ser provocados pela má sociabilização e falta de estímulos

Conflitos entre cães e gatos podem ser provocados pela má sociabilização e falta de estímulos
Mário Antônio e Evaristo desenvolveram relação amigável desde o primeiro contato — Foto: Andréa Lisboa

Mito ou instinto? Essa dúvida está presente na mente de vários tutores que criam cães e gatos ao mesmo tempo. O relacionamento entre as duas espécies inspirou até o ditado popular: “briga de cão e gato”.

Huilter Ladir, educador canino, explica que muitas vezes o conflito entre as duas espécies está relacionado a dois principais fatores: a má sociabilização e a falta de estímulos.

“Não é natural a briga, a questão está voltada para os estímulos. Muitas vezes, o fato dos dois não darem certo é decorrente da falta da capacidade de socializar. Cada cão e gato tem um período chamado de sociabilização, que é quando eles desenvolvem o primeiro contato com os outros.

Nos gatos, por exemplo, esse processo dura duas semanas. Caso esse contato não seja feito da forma correta, e eles não são bem ‘apresentados’, pode gerar brigas. Claro, tem a questão de instinto: o gato tem tendência de fuga e o cão de caça. Mas isso pode ser trabalhado por meio dos estímulos”, diz Huilter.

O educador destaca ainda que o ambiente no qual os animais convivem condiciona a reação. “Muitos donos esquecem que esses animais estão em cativeiro. São espécies que tem no seu DNA a necessidade de estímulo. Quando eles passam em casa sem nenhum tipo de atividade ocorre o acúmulo de energia, traz frustração, provoca carga negativa para o comportamento, e quando o cão corre atrás do gato essa energia é extravasada e ele se sente bem”, afirma.

Prevalece a amizade

Embora muitos reproduzam o discurso de que manter cães e gatos em um mesmo local é tarefa impossível, existem vários casos em que a amizade prevalece. A pedagoga Andréa Lisboa diz que não tem o que reclamar da convivência entre o gatinho Mário Antônio, de sete meses, e o cachorro Evaristo, de dois anos. Ela conta que diferente do que muitos imaginam, a relação entre os dois é amigável, mesmo com as diferenças.

“Foi amor a primeira vista. O gato dormia com Evaristo, ele o adotou. Desde o início, diariamente acontecem brincadeiras, eles dormem juntos. Evaristo até defendia Mário, porque os outros gatos chegavam e ele era pequeno. Onde um está o outro está atrás, para dormir, comer e brincar”.

VÍDEO: Pets da pedagoga Andréa Lisboa adoram brincar juntos

A tutora ainda faz uma análise em relação à capacidade dos animais de ensinarem ao ser humano a aceitar as diferenças. “É uma lição para a gente, de vida, de relacionamento, de como as diferenças podem ser valorizadas. Eles têm estilos de vida e hábitos diferentes, mas isso não impede de ter essa amizade”, reflete Andréa.

Dicas

Huilter diz que mesmo com o instinto de fuga e caça, os tutores podem intervir para gerar uma relação harmoniosa. “Permita que eles se relacionem bem, crie estímulos que atendam às necessidades básicas. Estímulo físico, como brincar e correr, estímulos mentais, como desenvolver a concentração, estímulos sociais, de interação, e estímulos alimentares e sensoriais”, finaliza o educador.

Por Nátila Gomes

Fonte: G1

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