Conselho de Saúde de BH se opõe à retirada de capivaras da Pampulha

Conselho de Saúde de BH se opõe à retirada de capivaras da Pampulha

Após uma decisão judicial determinar que a Prefeitura de Belo Horizonte mantenha as capivaras da Região Pampulha confinadas, o Conselho Municipal de Saúde (CMS) se manifestou, nesta terça-feira (11), contra a medida. Para o presidente do órgão, Bruno Abreu Gomes, a retirada dos animais da área é um “erro” e não solucionará o problema da febre maculosa na capital mineira.

As capivaras são um dos animais hospedeiros do transmissor da doença. Em setembro, a febre maculosa matou o garoto Thales Martins Cruz, de 10 anos. Ele era lobinho e participava das atividades dos Escoteiros do Brasil, seção Minas Gerais, há sete anos. Uma delas aconteceu no dia 20 de agosto, no Parque Ecológico da Pampulha.

A decisão do desembargador federal Souza Prudente, da 5ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), foi tomada em caráter provisório nesta sexta-feira (7) e deve ser cumprida imediatamente. A prefeitura informou ainda que analisa a melhor forma de cumprir a determinação judicial, mas não divulgou prazos.

Presidente do Conselho de Saúde defende que capivaras sejam mantidas na Pampulha (Foto: Raquel Freitas/G1)
Presidente do Conselho de Saúde defende que
capivaras sejam mantidas na Pampulha
(Foto: Raquel Freitas/G1)
Gomes criticou a decisão e afirmou que, aparentemente, este é “mais um caso de uma judicialização que pode ser ruim para o sistema de saúde e para as pessoas”.

Segundo ele, também nesta sexta, o conselho, que é um órgão de participação popular com função deliberativa, entregou uma resolução à prefeitura. No documento, o CMS defende o combate à doença por meio da construção de um “plano de manejo dos animais hospedeiros do carrapato-estrela que não passe pela retirada ou pela eliminação das capivaras”.

De acordo com a prefeitura, a resolução foi recebida pela Secretaria Municipal de Saúde e será encaminhada para a Secretaria Municipal de Governo e debatida.

“A retirada das capivaras – seja as sacrificando ou as confinando, enfim – pode ser pior para o combate da febre maculosa, na medida em que tira uma barreira sanitária, biológica, que são as próprias capivaras. E o carrapato pode se espalhar por outros animais, outros hospedeiros, inclusive, nós, seres humanos, e, inclusive, nas regiões das casas ao redor da lagoa”, argumentou Gomes.

De acordo com o presidente do CMS, mesmo se os animais forem retirados da Pampulha, outros chegarão à região pelos córregos que deságuam na lagoa e, até mesmo, pela rede de esgoto.

O conselho defende que, além de serem mantidas no local, as capivaras sejam castradas, medida que, conforme Gomes, foi adotada em Viçosa, na Zona da Mata. “As capivaras são animais que desenvolvem uma imunidade após a primeira infecção pela bactéria Rickettsia rickettsii”, afirmou, acrescentando que o período que a bactéria circula no sangue desses animais é, em média, de 12 dias.

Para combater os carrapatos, o presidente do conselho apresentou duas alternativas: usar cavalos como “iscas” e depois eliminar os ácaros nos equinos, além do uso de carrapaticidas.

De acordo com a médica veterinária Flávia Campos Ferreira, integrante da Comissão Interinstitucional de Saúde Humana na sua Relação com os Animais do CMS, o cavalo, além ser o principal hospedeiro do carrapato-estrela, não é amplificador da febre maculosa e não pega a doença. “O cavalo é colocado nas margens da lagoa. Como o carrapato tem preferência pelo cavalo, ele é atraído por esse cavalo. E esse cavalo é, posteriormente, retirado e é feito nesse cavalo a pulverização e banho carrapaticida”, explica, ressaltando que a estratégia foi bem sucedida em Viçosa. Segundo ela, a sugestão é que os animais sejam colocados em locais específicos e monitorados.

Uma reunião entre integrantes do conselho e da prefeitura está agendada para esta quinta-feira (13).

Impasse

Nos últimos dois anos, a situação dos animais é motivo de impasse entre o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a prefeitura.

Em setembro de 2014, a prefeitura capturou as capivaras. Exames apontaram a contaminação de parte com a bactéria, transmissora da febre maculosa. Segundo o Executivo municipal, as capivaras foram instaladas no Parque Ecológico da Pampulha, onde receberam vermifugação, atendimento veterinário, alimentação de boa qualidade e recintos e comedouros higienizados diariamente. Trinta e oito morreram por possível estresse crônico que sofreram em cativeiro.

Em março de 2015, o TRF1 havia decidido pela não liberação dos animais. A soltura imediata havia sido requisitada pelo Ibama.

Entretanto, no começo deste ano, uma decisão da Justiça Federal de Minas Gerais determinou que as capivaras fossem soltas. Na época da soltura, eram em número de 14 e não apresentavam carrapato portador da bactéria de febre maculosa.

Assista ao vídeo clicando aqui.

 Por Raquel Freitas

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