Consumo de carne de cachorro entra em declínio na Coreia do Sul

Consumo de carne de cachorro entra em declínio na Coreia do Sul
Apesar de nem todos os cachorros receberem cuidados tão especiais, hoje é bem mais provável que a foto de um animal de estimação seja incluída no álbum da família. (Foto: Pixabay)

O destino de Tori, um vira-lata preto de 5 anos, mudou radicalmente ao ser adotado pelo presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, em junho de 2017, em cumprimento a uma promessa de campanha para incentivar a conscientização sobre animais abandonados.

Tori sofreu anos de maus-tratos nas mãos de seu antigo dono até ser resgatado por um grupo de ativistas sul-coreanos em defesa dos direitos dos animais. Agora, ele brinca no jardim da Casa Azul, a residência oficial do presidente, com dois cachorros que Moon Jae-in ganhou do líder norte-coreano Kim Jong-un.

A história de Tori é um símbolo da mudança de comportamento da sociedade sul-coreana em relação ao tratamento dado aos animais e ao hábito de consumir carne de cachorro.

Segundo a Humane Society International (HSI), uma organização internacional de defesa de direitos dos animais, um movimento que começou em 2015 já resgatou cerca de 1.600 cachorros criados em 13 fazendas na Coreia do Sul.

As estatísticas oficiais mostram que o número de restaurantes em Seul que servem pratos preparados com carne de cachorro diminuiu 40% no período de 2005 a 2014, devido à redução da demanda. Dois projetos de lei apresentados à Assembleia Nacional propõem a proibição da criação de cães para consumo da carne e a alimentação dos animais com restos de comida nas fazendas.

Em novembro, as autoridades de Seongnam, uma cidade próxima a Seul, fecharam Taepyeong, o maior matadouro de cães do país, onde milhares de animais eram eletrocutados todos os anos para abastecer os açougues.

De acordo com uma pesquisa da Gallup Korea realizada em junho de 2018, 70% dos sul-coreanos disseram que não comiam mais carne de cachorro, um aumento de 44% em comparação com dados de uma pesquisa feita em 2015.

Essa mudança de atitude pode ser atribuída a diversos fatores, mas na opinião de especialistas é um reflexo de uma sociedade cada vez mais competitiva.

“O aumento do número de pessoas que vivem sozinhas e o estresse do dia a dia contribuíram para essa mudança”, disse Suh Eun-kook, professor de psicologia da Universidade Yonsei, em Seul.

“Ao contrário das pessoas que julgam e criticam os outros, os cachorros sentem um amor incondicional por seus donos. Esse amor contribuiu para a popularidade crescente da criação de animais de estimação”, acrescentou Eun-kook.

Uma pesquisa do KB Financial Group revelou que um em cada quatro sul-coreanos tem um animal de estimação e gasta em média US$ 90 por mês para cuidar dele.

Segundo a Federação Nacional das Cooperativas Agropecuárias, o setor de produção e comercialização de produtos para animais de estimação tinha um valor de mercado de US$ 1,14 bilhão em 2013. Esse número aumentou para US$ 3,4 bilhões em 2017 e, de acordo com previsões, deve chegar a US$ 5,4 bilhões em 2020.

Todos os meses Ahn Da-som leva seu poodle marrom, Angum, a um spa de cachorros em Cheongdam-dong, um bairro de Seul. “Ela é um membro da família e, por isso, é tratada com todo carinho”,disse Ahn.

O spa tem um hotel de hospedagem para cães, um cabeleireiro, um café e um espaço para eventos onde os donos podem fazer festas de aniversário para seus queridos animais. O prédio tem um sistema de ventilação sofisticado que mantém o local livre da poluição atmosférica de Seul.

Quando a equipe de jornalistas da CNN visitou o spa, Angum preparava-se para uma sessão de massagem seguida de banho relaxante e secagem do pelo com uma escova especial. O tratamento com a duração aproximada de três horas custa US$ 100.

Apesar de nem todos os cachorros receberem cuidados tão especiais, hoje é bem mais provável que a foto de um animal de estimação seja incluída no álbum da família e que não mais figure entre os pratos da culinária tradicional sul-coreana.

Fonte: CNN via Opinião & Notícia 

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